terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A importância das TIC na promoção de uma escola inclusiva

Tornando nosso um "velho" sonho de Tom Stonier, um dos precursores das TIC na educação, "gostaria de assegurar que todas as crianças do mundo tivessem direito a um sistema computacional em rede... e a uma avó".

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A designada "escola inclusiva" ou "escola para todos" tem, nos últimos anos, merecido a atenção de muitos organismos, entidades e personalidades nacionais e internacionais que, à luz de crescentes "movimentos" socioeducativos, teceram inúmeras (e importantes) reflexões e recomendações que visam, por um lado, adequar o processo de ensino e aprendizagem às características e singularidade de cada criança ou jovem, e, por outro, criar condições humanas, físicas e materiais que permitam uma participação efectiva e plena de todos os indivíduos na escola e na sociedade. Deste modo, e tendo em consideração, entre outras, as recomendações da Comissão das Comunidades Europeias no que diz respeito à info-inclusão, o enfoque é tanto maior quanto mais acentuadas são as dificuldades e/ou deficiências de que o indivíduo é portador.

Sendo certo que é hoje perfeitamente consensual que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) se constituem como uma "mais-valia", nos mais variados níveis de todo o processo de ensino e aprendizagem, não podemos deixar de parafrasear Radabaugh (1993) quando refere que, "para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis; para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis". Por conseguinte, e perante alunos com necessidades educativas especiais, com limitações em variados domínios, uma das questões fundamentais a ter em conta, consiste em perspectivar o valor das tecnologias no seu processo educativo, como ferramentas que facilitam a comunicação e o acesso à informação, e que permitem, igualmente, o desenvolvimento de capacidades e competências funcionais.

Tornando nosso um "velho" sonho de Tom Stonier (1988), um dos precursores das TIC na educação, que "gostaria de assegurar que todas as crianças do mundo tivessem direito a um sistema computacional em rede... e a uma avó", desenvolvemos uma investigação sobre a importância das TIC na promoção de uma escola inclusiva.

O estudo realizado baseou-se no desenvolvimento e aplicação de um questionário, respondido por cento e treze docentes de educação especial a leccionar em escolas/agrupamentos de escolas do distrito de Coimbra no ano lectivo de 2008/2009, onde se pretendeu averiguar as opiniões dos docentes face aos princípios da educação inclusiva; conhecer a utilização pessoal que os docentes fazem das TIC e identificar a frequência, o tipo de equipamentos e tipo de software que os docentes utilizam com alunos; percepcionar as opiniões dos docentes face às vantagens e dificuldades na utilização das TIC em contextos educativos; identificar o tipo, forma e duração da formação obtida em TIC e em contexto da educação especial; e auscultar os docentes de educação especial sobre medidas que visem melhorar a utilização das TIC na escola inclusiva.


A análise dos dados obtidos permitiu-nos obter resultados favoráveis aos princípios da escola inclusiva e à utilização das TIC em contextos educativos. Dentre outros aspectos, pudemos constatar que os docentes, de uma maneira geral, "utilizam o computador com muita frequência, para realizar múltiplas tarefas" da sua vida pessoal e profissional (93,8%) e que a sua utilização com alunos é feita "algumas vezes" e "quase sempre", por 45,0% e por 38,7%, respectivamente, dos docentes da amostra. No entanto, pudemos verificar que a utilização de equipamentos periféricos ao computador (hardware adaptado e específico) e de "software de educação especial" é ainda muito baixa, aspecto que poderá estar relacionado com o facto de a larga maioria dos docentes possuir "nenhuma" (49,6%) ou "pouca" (28,3%) formação em TIC aplicadas à educação especial.


Por último, é importante referir que os resultados alcançados nos permitiram validar as nossas hipóteses de investigação, contribuindo assim para determinar a importância das TIC na promoção de uma escola inclusiva. Assim, e entre outros aspectos, para além de subscrevermos as principais conclusões e recomendações de organismos nacionais e internacionais no âmbito da educação inclusiva e da utilização das TIC na escola inclusiva, a nossa investigação permitiu-nos concluir que, os docentes de educação especial do distrito de Coimbra com melhor opinião face à educação inclusiva, que atribuem maior importância às TIC na promoção de uma escola inclusiva, mais novos e com menos tempo de serviço tendem a evidenciar melhor opinião perante a utilização das TIC em contextos educativos. Paralelamente a estas conclusões, foram tecidas algumas recomendações que se traduziram em sugestões/respostas dadas pelos docentes, as quais, pela sua pertinência, consideramos importante divulgar:

  • Mais formação em TIC, sobretudo em TIC aplicada à educação especial;
  • Mais e melhores equipamentos informáticos e mais material adaptado e adequado às crianças e jovens com NEE;
  • Mais software específico para o trabalho com alunos com NEE de carácter permanente;
  • Melhoria no acesso à Internet;
  • Melhores condições de funcionalidade;
  • Existência de planos de acção das TIC na educação especial;
  • Mais equipas de apoio/centros de recursos no âmbito das TIC na educação especial ou existência de centros de recursos na própria escola;
  • Melhorar a motivação dos docentes;
  • Melhorar a actualização/manutenção do material informático;
  • Maior produção de conteúdos didácticos.

Por último, e numa perspectiva de assunção das responsabilidades, foi ainda sugerido que houvesse uma "maior aceitação da responsabilidade do professor pela sua própria aprendizagem e desenvolvimento em TIC" e que se verificasse "maior sensibilidade por parte das estruturas organizacionais e de liderança do nosso sistema educativo".

(José António Rêgo)

in educare

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Poder do Amor!

Para amar há-de sempre faltar-nos a eloquência e a perspicácia, porque o amor já é eloquentemente forte e apenas a perspicácia de um bom coração o pode receber como inquilino.

Vivemos num mundo amorfo, sem forma de amar. Um mundo em que as pessoas são catalogadas como objectos. Um mundo egoísta, egocentrista e tão excêntrico, que exclui todos Aqueles, cuja forma de amar é mais profunda e incondicional. Vivemos num mundo de anões, não na altura, mas nos sentimentos, são curtos de emoções e são Baixotes na entrega. Mas neste mundo ainda há uma réstia de cor, de alegria, de simpatia, moras em alguns poucos que foram Abençoados com o Poder do Amor.

Segue fazendo o Bem, provavelmente não te faltarão espinhos e pedras. Pedras, no entanto servem nas construções e espinhos lembram Rosas. Não gastes tempo medindo obstáculos ou lastimando ocorrências infelizes. Se a coragem dos que esmorecem e a consolação dos que perdem a esperança. Onde encontrares a sombra acende a luz da esperança. Onde encontrares a sombra acende a luz da renovação. Ama apenas por Amar!

Será que nunca ninguém entenderá que o Mundo sem Amor não é Mundo, apenas um deserto desprovido de Vida! O que sempre nos dará alento, a nós pessoas que cultivam o Amor, será os Oásis que por este deserto fora vamos encontrando. Bem-haja aqueles que nos vão matando a sede!

ASA e SUNRISE

in ajudas

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Presentes de Natal para Crianças

Estamos tão perto do Natal que pensámos em falar sobre presentes. Embora na maioria das vezes está escrito na embalagem dos brinquedos qual a faixa etária mais adequada, nem sempre é fácil escolhermos entre tanta oferta. Vamos dar uma pequena ajuda, mostrando quais as capacidades que as crianças têm em cada faixa etária e como podemos ajudar a estimular e a adquirir novas capacidades.

Ficam algumas ideias para alegrar o Natal da criançada. Vamos começar hoje pela faixa etária até aos 12meses.

Aos 6 meses a criança já consegue

· Responder activamente às solicitações do adulto: ri, olha, emite sons,…

· Alcançar e segurar objectos e brinquedos.

· Levar objectos a boca.

· Emitir e localizar sons.

· Rolar.

Os melhores presentes para esta idade são os que desenvolvem a comunicação e audição, que emitam sons, músicas, tais como rocas, mobiles, projectores; brinquedos que promovam a estimulação dos sentido táctil (e não só), com várias cores, macios e com texturas diferentes, como os ginásios, os peluches e livros com texturas; brinquedos de causa e efeito, como aqueles onde a criança quando carrega num botão e este emite som. Brinquedos que estimulem o movimento, como o agarrar e o gatinhar também são importantes.

Aos 9 meses a criança já é capaz de:

· Procurar objectos escondidos.

· Transferir objectos de uma mão para outra.

· Emitir sílabas.

· Sentar-se sem apoio.

Além de alguns presentes da faixa anterior (como os brinquedos de causa e efeito, peluches), podemos começar a estimular novas áreas, tais como a coordenação olho-mão com jogos de encaixe e de empilhar; continuamos a estimular a comunicação com jogos de música tais como pianos, telefones, …

Os triciclos (sem pedais) começam a ser utilizados a partir desta idade.

Aos 12 meses já podemos observar que a criança consegue:

· Imitar gestos.

· Fazer a pinça: segura com o polegar e indicador

· Emitir palavras

· Andar com apoio.

Agora, os presentes já estimulam o movimento autónomo e começamos a utilizar o andador. Brinquedos como os carrinhos, os aviões, as bonecas, com acessórios (como garagens para os carros) são adequados; contudo é necessário ter em atenção os tamanhos dos brinquedos não podem ser demasiado pequenos para a criança não os engolir por acidente. Isto aplica-se a brinquedos que se desmontem em partes mais pequenas. Jogos interactivos com sons e palavras para estimular a fala, agora que a criança precisa de adquirir palavras.

Estas sugestões não dispensam nunca a presença do adulto para envolver a criança na brincadeira, até porque este pode estimular o interesse e atenção da criança, ajuda a desenvolver a comunicação e a aquisição das palavras e a relação com o outro.

Boas compras e boas ideias…

in manual da criança

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ser D(EFICIENTE)...

Ser deficiente...
Não é ser deficiência física ou psicológica
É deficiência de ideias incessantemente
De raciocínios sem lógica.
Amar e ser amado por quem somos
Deficiências todos temos
De ideias e preconceitos
Todos humanos, todos com defeitos
Amar e ser amado
Lutar e ser lutador
Vencer a luta duma dor inesquecida.
Um amor verdadeiro
Uma inocência na deficiência
Lutadores e vencedores
Lutar contra o vencedor da partida
Mas vencedores da vida.
Conhecedores da sobrevivência
Todos lutadores
Contra a luta e contra as dores.
Um viver e renascer
Na luta vida vencer.

in http://olhares.aeiou.pt/ser_deficiente


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Concerto de Solidariedade

A Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família- CrescerSer, está a organizar um Concerto de Solidariedade, para o próximo dia 22 de Dezembro, pelas 18h30m, no Museu do Oriente. Este concerto, visa angariar fundos para a instituição, no sentido de ajudar a colmatar as muitas necessidades sentidas.
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A APDMF - CrescerSer dedica-se à problemática das crianças e jovens em perigo, vítimas de negligência, abandono, maus tratos físicos e psicológicos, acolhendo-os, na sequência de uma decisão judicial e definindo em equipa multidisciplinar os Projectos de Vida de cada criança ou jovem acolhido.

in
CrescerSer

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Crianças em risco: afectos e protecção

Protecção de crianças e jovens em risco, despiste de factores familiares prejudiciais ao desenvolvimento afectivo e físico e a problemática da vinculação afectiva foram alguns dos temas que encerraram um curso de formação parental promovido em parceria entre a CrescerSer - Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família e o Serviço de Pediatria do Hospital São João, no Porto.

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A vinculação é a origem do afecto. Trata-se de uma ligação particular a uma figura próxima que cuida da criança. Desenvolve-se, principalmente, entre os 6 meses e os 3 anos e serve de base a todo o desenvolvimento. Logo, as crianças que são abandonadas ou perdem as figuras a quem estão vinculadas, dentro desta fase, podem ter uma paragem, ou um certo atraso, no desenvolvimento emocional e da linguagem. Mas podem surgir outros sintomas: depressão, apatia. E, mais tarde: ansiedade perante as perdas.

O medo de voltar a perder as pessoas que encontra origina que a criança não estabeleça laços profundos para não voltar a sofrer. A criança torna-se mais superficial com as pessoas que a rodeiam. E até mais materialista. Vai achar que gostar é satisfazerem-lhe as vontades. Estabelece então relações de "tudo ou nada". Do género "ou fazes tudo o que eu quero e gostas de mim, ou se me contrarias és meu inimigo". E são este tipo de relações perigosas que podem levar a comportamentos de risco.

Todas estas questões foram abordadas por Alda Mira Coelho, pedopsiquiatra, no Serviço de Pediatria do Hospital São João, durante uma sessão de informação sobre "Crianças em risco" que decorreu no passado sábado. Foi a última de um conjunto de acções de formação parental, promovidas em parceria entre a associação Crescer Ser e aquela instituição hospitalar do Porto.

Para Alda Mira Coelho, são as crianças e jovens que passaram por muitas perdas afectivas, tiveram vinculações perturbadas ou disfuncionais, e sofreram muitas rupturas acabando por não estabelecer um vínculo estável e seguro "que, mais tarde, podem com mais facilidade entregar-se a comportamentos de risco". Desenvolvem relações de "tudo ou nada", não aceitam as frustrações facilmente e revoltam-se de forma impulsiva, podendo até tornar-se anti-sociais, refere a pedopsiquiatra. "Não quer dizer que isto aconteça sempre assim, mas as perturbações de vinculação podem ser factores de risco bastante grandes que levem mais tarde a comportamentos anti-sociais."

Estas "rupturas afectivas", constata diariamente no serviço de Pediatria, "deixam marcas na história pessoal destas crianças". "Daí a nossa preocupação em tentar evitar que elas sejam feitas." Uma dessas tentativas está no evitar a institucionalização "sempre que possível". Mas se não for: "É preciso tentar uma reparação dessas perdas afectivas, o mais precocemente possível, isto é, promovendo relações afectivas substitutas para aquela criança, que lhe dêem a estabilidade necessária para crescer segura e ser capaz de desenvolver a capacidade de amar e efectuar as etapas de crescimento sem cair em comportamentos de risco."

Sem essa reparação, ou essa "segurança nas relações afectivas", "as crianças não são completamente autónomas, acabam por tornar-se dependentes de outras pessoas, com relações doentias e patológicas, ou dependentes de substâncias, como as drogas", conclui.

O que é estar em risco?
"As situações de risco mais habituais são aquelas em que a criança é vítima de maus tratos físicos, psicológicos ou de negligência grave", responde Alda Mira Coelho. Bater é a forma mais visível deste triângulo de risco. Menos visíveis são a "crítica permanente, a falta de carinho e protecção, a humilhação pública, que também constituem maus tratos e podem perturbar o desenvolvimento da criança", alerta. "A negligência grave acontece quando os pais não são capazes de dar à criança os cuidados de saúde, higiene, alimentação que precisa." Os motivos para esta incapacidade podem ser vários: perturbações psiquiátricas, depressões graves, abuso de álcool, drogas. Há ainda os casos de abandono, em que as crianças são deixadas nos hospitais ou na rua.

"O abuso sexual intrafamiliar, na maioria dos casos, também é frequente entre as situações de risco", salienta Alda Mira Coelho, explicando que "muitas vezes, a criança, quando é pequena, nem se apercebe do que lhe está a acontecer, outras vezes sente-se ameaçada pelo abusador que a impede assim de contar, ou então a própria criança tem uma ligação afectiva ao abusador e não quer contar para não criar problemas dentro da família". "Isto é um peso muito grande para as crianças e leva-as a ter sentimentos de culpa muito marcados. Tudo isto são situações em que a criança está em risco e deve ser protegida."


Sinais de alarme

"Não é obrigatório que as crianças com estes sinais estejam em risco, mas quando se verificam em conjunto, devemos, pelo menos, perceber que alguma coisa não está bem e tentar investigar o que se passa", alerta Alda Mira Coelho. Súbita perda de rendimento escolar, dificuldade de concentração, instabilidade emocional (ora chora, ora ri), tristeza, agressividade, alienação, marcas frequentes no corpo, "são sinais que têm de fazer pensar quem os vê".

A estes juntam-se outros: manifestações de insegurança e inibição; dificuldades de relacionamento; ansiedade ligada a estados de vigilância, "como se a criança tivesse medo de alguma coisa, de se expor ou de que alguém lhe faça mal"; falta de vontade ou medo em voltar para casa; apresentação de comportamentos erotizados. "Podem-nos indicar que a criança está a ser sujeita ou a presenciar situações que não são próprias para a sua idade."

Sintomas de carência excessiva também devem alertar educadores e professores. "Uma criança que está constantemente a agarrar-se a toda a gente, de modo indiferencial e a pedir mimos e abraços a todas as pessoas que lhe aparecem, deve fazer-nos pensar que algo não está bem com ela."

Como orientar? É a questão que se coloca depois de sinalizada a situação de risco. Alda Mira Coelho esclarece: "Situações onde existem fortes suspeitas de que alguma coisa não está bem devem ser comunicadas às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens." "Mas há que ter muito cuidado, antes de levantar essas suspeitas", avisa a profissional de pediatria, "todos os factos têm de ser analisados com rigor".

Alda Mira Coelho defende que "uma boa maneira de trabalhar estas situações seria através da nomeação de um gestor de caso para acompanhar cada família que esteja em risco, ou seja, sinalizada". Mas isto pode não ser tão linear. "Obviamente, não pode haver um gestor por família, por falta de recursos, mas também não pode haver um com cem famílias, porque assim o trabalho não pode ser feito da maneira adequada", critica.

Na sua opinião, "o ideal era que o gestor de caso não tivesse mais de dez situações, para poder transformar-se numa espécie de vínculo para a família e a criança". A pedopsiquiatra insistiu ainda na importância da formação destes técnicos, nas áreas da mediação familiar e da comunicação. "Sem preparação, o gestor de caso não vai conseguir ganhar a criança nem trabalhar a família para tentar uma nova vinculação. A família precisa de sentir que o gestor de caso está ali para a apoiar e não para lhe retirar a criança e a culpabilizar." Até porque, nas situações em que se verifique que a institucionalização é a única alternativa, o gestor de caso é quem deverá dar as devidas explicações à família e à criança.

Institucionalização

Trata-se de um perfil comum às crianças e jovens institucionalizados. "Passaram quase sempre por perdas, assistiram a coisas que não deviam em relação às pessoas de quem gostavam, não tiveram laços afectivos seguros ou controlados, ou tiveram, mas perderam-nos porque foram retiradas à sua família, por factores de risco, então são vulneráveis, carentes e muito revoltadas".

E se a tal ruptura for prolongada, sem que se faça a tal reparação afectiva, de que Alda Mira Coelho falava, ou "se houver sucessiva ruptura, como passar de uma família para um colégio, daí para uma instituição e depois para uma família de acolhimento, isto só vai levar a que a criança fique ainda mais insegura e incapaz de estabelecer laços". Por isso, uma das preocupações de quem trabalha no sistema de protecção deve ser evitar que todas estas rupturas aconteçam.

O impacto da institucionalização deixa sintomas nas crianças. Sobretudo naquelas que passam longos períodos nas instituições. Alda Mira Coelho traça um quadro geral das problemáticas mais comuns: "Ansiedade difusa, ou seja, medo sem saber de quê, nem porquê, podendo reflectir-se em alterações de sono, pesadelos, perdas de controlo da urina ou das fezes durante a noite; estagnação no desenvolvimento da linguagem e dos pensamentos abstractos, o que se vai reflectir no aproveitamento escolar; falta de autocontrolar, são muito instáveis e desorganizadas, com um comportamento caótico." E "como têm muitas vezes um desenvolvimento emocional pobre, e dificuldade em reflectir e expressar as suas emoções, estas crianças falam mais através do corpo. As queixas somáticas são frequentes, como as dores de barriga, de cabeça...", conclui.

Já nos adolescentes, "são frequentes as alterações de comportamento, a agressividade e o furto, ligado à carência afectiva precoce". Alda Mira Coelho explica este comportamento: "É como se o jovem tivesse um vazio lá dentro que não consegue preencher e por isso tem de ir buscar coisas que lhe dão prazer." A busca pela satisfação pode ainda gerar um apetite excessivo por guloseimas, ou a sensação de estar sempre com fome. "As crianças que tiveram perdas afectivas precocemente estão constantemente a pedir guloseimas ou prendas, ou sempre a pedir coisas, porque estão permanentemente insatisfeitas."

Mais tarde, salienta Alda Mira Coelho, "se não houver reparação afectiva nem modelos adequados que ajudem estas crianças a recuperar, este tipo de comportamentos pode levá-las a estabelecer relações superficiais, muitas vezes com uma ausência de culpabilidade, em que se preocupam apenas em obter o prazer imediato e que pode levá-las a situações de risco, nomeadamente delinquentes".

Alguns procedimentos por parte dos envolvidos na protecção podem minimizar os danos emocionais nas crianças e jovens. Segundo Alda Mira Coelho, isto passa por "evitar retirar a criança à família de forma violenta ou traumática, sendo já este um último recurso; não dizer mal dos progenitores, protegendo a imagem que elas têm; nunca dizer à criança que os pais a abandonaram, até porque muitas vezes não foi mesmo um abandono, mas circunstâncias da vida ou factores de risco que originaram a que tivessem de ser protegidas; desde que haja garantias de segurança para a criança, manter os contactos com os pais ou familiares; nunca culpabilizar a criança pela sua situação; e, para que a criança institucionalizada consiga estabelecer alguns vínculos, deve-se evitar a mudança de espaços".

Ao longo de 7 meses, o projecto de formação de famílias "Ajudar a Educar" levou a várias juntas de freguesia da cidade do Porto especialistas em pedopsiquiatria, psicologia, pediatria, obstetrícia e serviço social para fornecer às famílias informações nestas áreas. Alda Mira Coelho, pedopsiquiatra do serviço de Pediatria do Hospital São João, no Porto, e mentora do projecto salienta a importância de formar os pais para lidar com situações que perturbam a sua função de progenitores.

Em retrospectiva, as sessões abordaram o desenvolvimento psicoafectivo e físico da criança; cuidados durante a gestação e planeamento familiar; insucesso escolar, violência e comportamentos de risco na adolescência; comunicação intrafamiliar, equipamentos sociais para problemáticas de risco, e, por último, as problemáticas que podem surgir em crianças institucionalizadas.

"Ao longo de todas as sessões foi dado algum material aos pais, os textos em Word das apresentações realizadas pelos especialistas, com o objectivo de fornecer uma espécie de curso", refere Alda Mira Coelho. Os pais que seguiram todas as sessões tiveram um diploma "para poderem dizer que frequentaram um curso de Educação Parental", acrescenta. "Muitos destes pais são carenciados e esta foi uma forma de os motivar e melhorar a sua auto-estima e a relação com as suas crianças."

No entanto, o nível de participação das famílias nas sessões ficou aquém das expectativas dos organizadores. Ana Moutinho, directora da Casa de Cedofeita, um centro de acolhimento da associação CrescerSer, acredita que a mensagem talvez não tivesse chegado aos destinatários. Ainda assim, a directora salienta a importância de acções deste género. "Não vamos deixar de investir na capacitação das famílias, mas vamos pensar fazê-lo num outro formato."

Autora: Andreia Lobo

in Educare

domingo, 21 de novembro de 2010

Somos o que aprendemos

Frequentemente esquecemo-nos de que nós somos os heróis dos nossos filhos e que eles olham para nós como modelo a seguir; adoptam os nossos comportamentos, os nossos conceitos, os nossos valores.

Quanto mais nos esforçarmos para sermos melhores pessoas, mais eles nos imitarão. E porque uma imagem vale mais do que 1000 palavras, fica aqui a chamada de atenção:

in manual da criança

domingo, 14 de novembro de 2010

O meu filho é diferente...será autista?

As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.


Desde os primeiros tempos de vida, a maioria das crianças são sociáveis e procuram activamente o contacto com os outros: jogam ao "faz-de-conta", brincam com os seus pares, gostam de dar e receber mimos.

No entanto, em certos casos, os pais notam que o seu filho não interage com os outros desta forma. É o que acontece com a criança autista, na qual existe problemas em três domínios: socialização, comunicação e comportamento.

Leo Kanner descreveu esta patologia em 1943 e cerca de um ano mais tarde, um grupo de crianças com características semelhantes foi descrito por Asperger.

Em que idade aparece?
As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.

Tipicamente não existe um período de desenvolvimento normal, embora em cerca de 20% dos casos os pais tenham descrito um desenvolvimento relativamente normal durante um ou dois anos.

É uma doença frequente?
Não. Segundo os estudos mais recentes, para uma população de 10 000 indivíduos há 10 pessoas com autismo. Transpondo para o nosso país, haverá cerca de 10 000 pessoas com esta doença.

O autismo pode ocorrer em qualquer família, independentemente do seu grupo racial, étnico, socio-económico ou cultural.

Sabe-se que é mais frequente no sexo masculino, numa proporção de 4 a 5 rapazes para 1 rapariga.

Quais as causas desta doença?
Foram propostas diversas teorias para tentar explicar o autismo.

Trata-se de uma perturbação biológica, com forte componente genético; contudo, a sua etiologia é desconhecida, parecendo ser multifactorial.

Nas décadas de 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo residia nos problemas de interacção da criança com os pais/família. Hoje sabe-se que esta ligação não tem qualquer fundamento.

A partir dos anos 60, com investigações baseadas em estudos de casos de gémeos e doenças genéticas associadas ao autismo (X frágil, esclerose tuberosa, fenilcetonúria, entre outras), descobriu-se a existência de um factor genético multifactorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem. Factores pré-natais (como a rubéola materna) e durante o parto (prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções graves neonatais) também parecem ter influência no aparecimento das perturbações do espectro do autismo.

Quais as manifestações a que os pais devem estar atentos?
O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade.

Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente ou ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono.

Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.

Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro).

Ao brincar não utiliza o jogo social nem o jogo de faz-de-conta.

Tem grande dificuldade de interagir com as outras crianças.

Não utiliza os brinquedos na sua função própria: um carro pode servir como objecto de arremesso e uma boneca para desmanchar.

Que outras características têm estas crianças?
Partindo do que se denomina a tríade de perturbações do autismo, com manifestações nos já citados três domínios, podemos agrupar as características:

Domínio social

Parecem viver no seu próprio mundo, desligadas, alheadas, desinteressadas e insensíveis aos outros.

Grande dificuldade em interagir com outras crianças: partilhar, cooperar ou jogar à vez são para eles tarefas muito difíceis.

Seres humanos, animais e objectos poderão ser tratados da mesma forma.

Relativa incapacidade de partilha de alegrias ou procura de ajuda/conforto em situações de stress.

Domínio da comunicação

Evitam o contacto ocular e podem resistir ou mostrar desagrado ao serem pegados ou tocados.

Têm perturbações da linguagem (tanto da compreensão como da expressão), por vezes mesmo uma ausência de linguagem que faz pensar em surdez. Se existe linguagem, o vocabulário é pobre. É frequente não usarem o eu e repetirem de modo estranho, como que em eco, o que acabaram de ouvir (ecolalia).

Problemas na comunicação não-verbal: mantêm-se muito próximas ou muito afastadas dos interlocutores e olham para os lábios em vez de para os olhos durante a comunicação. Fazem um uso muito pobre da mímica facial ou dos gestos.

Domínio do comportamento

Tendem a entregar-se a jogos e rotinas repetitivas, de forma isolada, como por exemplo fazer girar objectos. Têm com frequência, em particular em situações de angústia e excitação, movimentos repetitivos das mãos, dedos, etc. (por exemplo abanar as mãos como a imitar um passarinho).

Grande rigidez do pensamento e comportamento, por vezes com crises de auto e heteroagressividade face às mudanças das rotinas ou do meio que as rodeia ou quando são contrariadas.

Ligações bizarras a certos objectos ou partes destes.

Por vezes são extremamente sensíveis a cheiros, sabores e sensações tácteis.

A hiperactividade é um problema comum.

Em certos casos existem talentos especiais, por exemplo para o cálculo, a música ou o desenho.

Todas as crianças com autismo têm atraso mental?
O défice cognitivo (atraso mental) ocorre em 65-88% dos casos. Algumas destas crianças têm inteligência normal ou até superior, como pode acontecer na síndrome de Asperger.

Há tratamento para esta doença?
É muito importante que a criança seja orientada o mais precocemente possível para uma consulta de Pediatria de Desenvolvimento, onde, no caso de se concluir por este diagnóstico, se irá traçar um programa de intervenção específico. Este envolve vários tipos de terapia (psicológica, de linguagem, ocupacional) e estratégias educativas. O tratamento pode também envolver psicofármacos em situações de agressividade, autodestruição ou convulsões. É fundamental a participação activa da família.

Qual a evolução destas situações?
O prognóstico do autismo tem vindo a melhorar. De acordo com estudos recentes, 5% a 10% destas crianças tornam-se adultos autónomos.

É importante relembrar que nesta doença há uma ampla variedade, quer na qualidade quer na gravidade das manifestações da doença e que cada caso é único e tem que ser abordado de modo individualizado.

Gabriela Marques Pereira

(Serviço de Pediatria do Hospital de Braga)

in educare

sábado, 13 de novembro de 2010

Autismo - Raun Kaufman

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Abuso Sexual

O que teria feito Violeta se os seus amigos não tivessem testemunhado a violência de que estava a ser alvo? Muito provavelmente calar-se-ia ou a mãe obrigá-la-ia a que se calasse porque era o violador quem garantia a subsistência da família.

"Sem Gonçalves e o rendimento da sua loja, a família de Violeta ficou na miséria em poucas semanas e todas as crianças foram obrigadas a ir trabalhar. Violeta tornou-se cortadora de pavios numa oficina logo a seguir à Rua dos Ingleses. Trabalhava do nascer ao pôr-do-sol no interior daquela fábrica cavernosa e todo o seu salário era entregue directamente à mãe, de modo que não tinha nem um real seu.
Os sábados e os domingos deveriam ser os seus dias de liberdade e luz, mas, como castigo pelas suas "mentiras", que tinham feito a família perder o seu protector, a mãe mantinha-a fechada em casa. Por vezes, chegava a acorrentar-lhe o tornozelo à cama (...)."

Meia-Noite ou o Princípio do Mundo. Richard Zimler. D. Quixote.


Violeta, a personagem feminina a que se refere este extracto do livro de Richard Zimler, fora violada pelo tio, o Gonçalves. Quando tal foi descoberto por elementos exteriores à família, a situação de abuso foi cessada através do afastamento do agressor para bem longe. O problema é que, com a ausência do violador, a família caiu na miséria, tendo a vítima de abuso sexual, a Violeta, sido culpabilizada pela desgraça que sobre todos se abateu.


Quando há já algum tempo li esta história, fiquei a pensar nela durante muito tempo, mesmo tratando-se de ficção. Agora que uma situação provavelmente real me veio parar às mãos, a Violeta e a sua dupla pena voltou a assaltar-me os pensamentos.

No que se refere ao abuso sexual, tudo seria bem mais fácil se o abusador fosse alguém que não tivesse relação directa com a família. O problema é que, segundo os estudos, 40% das vítimas são abusadas por pessoas conhecidas ou próximas, 30% a 50% são-no por elementos da própria família e somente 10% a 30% são abusadas por desconhecidos. A habitual proximidade do agressor gera silêncio, que habitualmente se perpetua anos e anos a fio. O que teria feito Violeta se os seus amigos não tivessem testemunhado a violência de que estava a ser alvo? Muito provavelmente calar-se-ia ou a mãe obrigá-la-ia a que se calasse porque era o violador quem garantia a subsistência da família.


O drama associado a este tipo de violência, nomeadamente o incesto, é ainda mais grave, porque geralmente ocorre em famílias que apresentam comunicação pobre, afectividade negativa, isolamento e intimidação. Um aspecto que também é frequente nestes contextos familiares é o facto de a figura materna apresentar alguma(s) característica(s) que lhe dificulta(m) a protecção dos filhos (por exemplo, ser muito jovem, ter problemas de saúde física ou mental, ter problemas emocionais, usar drogas). Assim, a criança não vê na mãe um elemento que a possa proteger, até porque considera que se revelar algo sobre o abuso ela não vai acreditar. Nestas situações a vítima sente uma vergonha terrível, uma culpa imensa e uma solidão do tamanho do mundo. O problema é de tal forma grave que, tal como no caso da Violeta, pôr fim ao abuso sexual, se bem que inquestionavelmente necessário, não põe fim a feridas que se foram abrindo e não encontram forma de cicatrizar...


Quando um técnico é confrontado com esta realidade, sente que cada passo terá de ser dado com um cuidado extremo, pois mexer na pedra errada poderá significar o derrube de toda uma estrutura profundamente frágil...

Quando, perante a menina real a que me referi, lavada em lágrimas, a questionei sobre se não haveria algum adulto de referência a quem pudesse revelar o seu segredo, a sua resposta foi um aceno negativo com a cabeça. Percebi ainda melhor a dimensão da sua profunda dor e solidão.

Autora: Psicóloga Adriana Campos

in Educare

sábado, 6 de novembro de 2010

Susana Félix - O mesmo olhar


Susana Félix-canção da Associação Raríssimas
www.rarissimas.pt

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Recuperação parcial da visão através de chips oculares

Investigadores alemães, da Universidade de Tuebingen, em colaboração com a empresa Retina Implant devolveram a visão parcial a cegos através da instalação de chips oculares.

Segundo o artigo do jornal Proceedings of the Royal Society B, a investigação pressupõe a instalação de chips, ou implantes, na área da sub-retina. Os chips têm a função de converter a luz em impulsos eléctricos que são encaminhados para o nervo óptico, permitindo a devida interpretação pelo cérebro.

Os implantes foram testados 11 cegos, dois dos quais sofriam de rinitose pigmentar; os restantes padeciam de Coroideremia (ambas doenças têm origens hereditárias e levam à cegueira.

De acordo com a BBC, os resultados da investigação indicaram que a maioria dos pacientes implantados readquiriram a capacidade de identificar letras e objectos, ou ver as horas num relógio.

Apesar da tecnologia apenas permitir recuperar parte da visão, os estímulos visuais readquiridos podem ser bastante importantes para promover a orientação e o ganho de autonomia.


sábado, 23 de outubro de 2010

O Principezinho

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O que é a Paralisia Cerebral?

A Paralisia Cerebral é uma perturbação do controlo da postura e movimento que resulta de uma anomalia ou lesão não progressiva que atinge o cérebro em desenvolvimento.

Em cada 1000 bebés, em média dois serão afectados por Paralisia Cerebral.

Há um enorme espectro de gravidade. Algumas crianças terão perturbações ligeiras, quase imperceptíveis. Outras terão grave incapacidade, sendo totalmente dependentes nas actividades da vida diária.

A Paralisia Cerebral pode ser classificada de acordo com a natureza da perturbação do movimento que predomina:

Espástica – Caracterizada por um aumento do tónus muscular com limitação da capacidade de relaxamento muscular da região envolvida. De acordo com as partes do corpo envolvidas a Paralisia Cerebral espástica é classificada como: hemiparésia- afectando o membro superior e inferior do mesmo lado do corpo (hemiparésia esquerda ou hemiparésia direita); diplegia - Ambos os membros inferiores estão predominantemente envolvidos; tetraparésia - Em que são atingidos os quatro membros e o tronco.

Atetose/Distonia – Caracterizada pela presença de movimentos e posturas involuntários.

Ataxia – O quadro clínico é dominado pela perturbação da coordenação e do equilíbrio.

Problemas associados

Para além das perturbações motoras, são frequentes nas pessoas com Paralisia Cerebral: atraso cognitivo, perturbações visuais e auditivas, epilepsia, dificuldades de aprendizagem e défice de atenção. Nas formas tetraparéticas são ainda comuns dificuldades alimentares, perturbações nutricionais e infecções respiratórias.

As alterações motoras da Paralisia Cerebral aumentam ainda o risco de patologia ortopédica secundária.

Quais são as causas de Paralisia Cerebral?

Numa grande parte dos casos as causas estarão presentes antes do nascimento da criança (causa pré-natal). Destas, algumas crianças nascem com malformações cerebrais que podem ser o resultado de exposição a tóxicos ou infecções durante a gravidez.

As lesões cerebrais podem instalar-se durante ou pouco tempo após o nascimento (causa peri-natal). Em maior risco destas lesões encontram-se os prematuros (principalmente grandes prematuros), os recém-nascidos de muito baixo peso de nascimento, os que têm asfixia grave ao nascer, os que sofreram hemorragias cerebrais.

As principais causas de Paralisia Cerebral após o nascimento (pós-natal) são a asfixia, os traumatismos cranianos, e as sequelas de infecções afectando o cérebro.

Num grande número de casos não é possível, actualmente, determinar a causa da Paralisia Cerebral.

O diagnóstico e o prognóstico da Paralisia Cerebral

O diagnóstico de Paralisia Cerebral é habitualmente suspeitado pela associação de atraso na aquisição das competências motoras e alterações do tónus muscular, reflexos e padrões de movimento.

Nos primeiros meses de vida é por vezes difícil estabelecer o diagnóstico e o prognóstico (previsão das limitações que a criança terá no futuro), sendo por vezes necessário aguardar alguns meses até que possam ser assumidos com segurança.

A Paralisia Cerebral resulta de perturbações cerebrais de natureza não progressiva pelo que a perda de capacidades (regressão) não é característica da Paralisia Cerebral.

sábado, 16 de outubro de 2010

Gaguez

De acordo com vários autores, a ocorrência da gaguez dá-se a partir das dificuldades de articulação normais comuns a todas as crianças por volta dos três anos de idade.

A maior parte das crianças atravessa esta fase sem problemas. Mas em algumas esta dificuldade normal pode transformar-se em gaguez.

Não há uma causa específica e nenhuma gaguez é absolutamente igual à outra.

Muitos dos sintomas manifestam-se em função do esforço excessivo do gago em evitar gaguejar. Essa repressão resulta numa fala repleta de falhas de ritmo, pausas silenciosas, frases incompletas, esforço físico, alteração na sincronização entre a respiração e a produção da fala.

Algumas sugestões para pais e professores:


Não "cole" ao seu filho o rótulo de gago.


Aceite as falhas ou quebras de ritmo no discurso da criança; elas fazem parte do processo de aquisição da linguagem.


Não diga à criança para não ter medo de falar, para ficar calma ou para respirar antes de falar.


Quando a criança falar olhe directamente para o seu rosto. Toda a sua atenção deve estar focada nela.


Crie e mantenha rotinas - horários para comer, para dormir, para ir para a escola, etc. Por vezes, a alteração de rotinas pode aumentar o estado de ansiedade liagada à gaguez.


Evite discutir na frente da criança. Mas não esconda dela factos importantes que possam mudar a rotina.


Ouça com atenção e paciência o que o(a) seu(ua) filho(a) tem para dizer.


Não seja impaciente. Sobretudo não traduza essa impaciência terminando as frases que a criança iniciou.


Leia histórias à criança antes de esta adormecer.


Promova situações em que a criança tenha que contar acontecimentos ou relatar histórias do seu dia.


Melhore a auto-estima da criança, elogiando-a sempre que tal se proporcione.


Transforme os momentos em que fala com o seu filho em momentos agradáveis.

Esteja consciente de que a família pode influir muito na prevenção e correcção da gaguez.


No entanto, nas situações mais "graves" é conveniente procurar sempre um terapeuta.


in Ajudas.com





quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Educação é única forma de acabar com a ignorância que ameaça a democracia

O filósofo espanhol Fernando Savater defende que a educação, entendida como educação cívica, é a única forma de terminar com a "ignorância" que impede os cidadãos de contribuírem para a democracia e ajudarem a melhorá-la.


Na conferência "Questões-Chave da Educação", organizada na segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), na Universidade do Algarve, em Faro, Savater explicou que a educação cívica "não se refere à instrução básica ou à mera preparação para realizar tarefas laborais em qualquer campo, por mais que seja essencial a aquisição de tais conhecimentos e aptidões", mas está relacionada com o sistema democrático.

No âmbito do ciclo de conferências promovido pela FFMS, Fernando Savater também intervém hoje num encontro sobre "O Valor de Educar", na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A "ignorância" que o filósofo teme é "a incapacidade de expressar exigências sociais inteligíveis para a comunidade ou entender as exigências formuladas por outros".

"Este tipo de ignorantes, todos eles com direito de voto, opor-se-ão provavelmente às reformas necessárias que envolvem algum sacrifício e apoiarão os demagogos que lhes prometem paraísos gratuitos ou a vingança brutal das suas frustrações à custa de qualquer bode expiatório", acrescentou.

Fernando Savater frisou que o grande problema da democracia é "a predominância generalizada da maré de ignorância" e a educação cívica é única melhor forma de a combater.

"Na democracia, toda a educação cívica é uma escola de príncipes, embora destinada a formar príncipes que, paradoxalmente, devem saber-se interpares e não acima deles", afirmou.

O filósofo e professor jubilado da Universidade Complutense de Madrid defende, por isso, que a educação cívica deve "formar governantes e legisladores para evitar, nas nossas sociedades, a influência letal dos ignorantes, cujo predomínio é alarmante".

"Nas nossas sociedades pluralistas, a questão da educação cívica está directamente ligada ao tema da tolerância. Não há educação cívica que não fomente a tolerância democrática", afirmou, sublinhando que "devemos educar para prevenir tanto o fanatismo como o relativismo".

Savater considerou que o "fanático é aquele que não suporta viver com os que pensam de forma diferente por medo de descobrir que também ele não está seguro daquilo em que diz acreditar".

O ciclo de conferências promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos visa fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais, contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica e proporcionar o debate entre especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.

in Lusa / EDUCARE

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ser Diferente...

“ A única diferença entre vocês e nós,

é que vocês podem ver as nossas diferenças e nós não

podemos ver as vossas. Todos nós as temos.”


(Jack Canfield)

domingo, 10 de outubro de 2010

DIVERSIDADES_HISTÓRIA INFANTIL

sexta-feira, 2 de abril de 2010

FALTA DE TEMPO

Uma das angústias que os pais frequentemente partilham no atendimento prende-se com a falta de tempo para estar com os filhos. Profissões extremamente exigentes, com horários muito preenchidos, roubam quase todo o tempo de que os pais poderiam usufruir para partilhar com os filhos. Esta questão do tempo dá que pensar e não é tão objectiva quanto à primeira vista possa parecer. O relato verídico de duas mães com vidas profissionais muito exigentes poderá ajudar a clarificar a afirmação anterior.

Uma destas mães dizia que sempre fizera questão em passar férias com o marido durante um período de tempo, sem a presença do filho, e que, aos 9 meses, fez o desmame do seu bebé e foi para Paris passar algum tempo com uma familiar. Com este tipo de atitudes pretendia contribuir para a autonomia do filho e ajudá-lo a adaptar-se a diferentes situações e contextos. Curiosamente, este filho, antes de entrar no 1.º ciclo, pelo facto de ser uma criança muito precoce, foi avaliado por um psicólogo, tendo caracterizado a mãe como sendo 'muito disponível'.

A outra mãe afirmava que ficou muito triste porque as filhas se lamentavam por ela ter uma profissão que lhe ocupava demasiado tempo. Segundo esta mãe, era sempre a primeira a sair do local de trabalho (17h30) e faz questão de estar com as filhas após a saída deste local. O seu TPC é feito só quando as filhas se vão deitar e também não pega nele ao fim-de-semana.

Estas duas histórias podem levantar-nos imensas questões, nomeadamente a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos. Os estudos têm demonstrado que o mais importante não é passar muito tempo com eles, mas que esse tempo tenha qualidade. Às vezes estamos sem estar e o pouco tempo que estamos é tão pobre que é quase como se estivéssemos ausentes... Quando não conseguimos deixar o trabalho, mesmo tendo saído do seu local, acabamos por ter a cabeça tão cheia que pouca disponibilidade temos para lhes darmos alguma atenção.

Quando penso na mãe que passa algum tempo das suas férias sem o filho, parece-me que esta poderá, de certa forma, dar um tempo a si própria, para depois ter disponibilidade mental para estar com o filho. A falta de tempo para nós próprios absorve a paciência que é necessário ter para estarmos verdadeiramente com eles. Como arranjar um pouco de tempo para a própria pessoa e até para o casal é algo que, apesar de ser uma missão quase impossível, será importante equacionar...

Estes é de facto um tema que, como diz o povo, 'dá pano para mangas', sobretudo porque encontrar a dose e a qualidade certa não é fácil. Óptimo seria se também para esta difícil questão fosse possível encontrar uma receita. Como ela não existe, resta-nos apenas ir gerindo da melhor maneira o tempo que temos, de forma a que, apesar de pouco, tenha os ingredientes adequados para ajudamos os filhos a crescerem equilibradamente.

Adriana Campos in educare

segunda-feira, 29 de março de 2010

DE QUEM É A CULPA?

Até onde devem os pais proteger os filhos? Qual é a fronteira entre a protecção, o apoio e o carinho, por um lado, e a inibição do desenvolvimento do sentido de responsabilidade e da autonomia, por outro? Até onde devem os pais ajudar nas tarefas relacionadas com a escola e onde é que essa ajuda passa a ser limitativa do desenvolvimento da tal autonomia e do tal sentido de responsabilidade? Reformulando a pergunta: como podem os pais ajudar eficazmente os filhos?

- Por que não vieste à aula ontem?

- Porque não trouxe material.

- E isso é razão para faltares? E já agora, por que não trazias material?

- A culpa não foi minha! Quem me faz a pasta é o meu pai.

- O teu pai? A um aluno de 6.º ano?

- Pois, de manhã eu tenho sono e ele faz-me a pasta para eu não me atrasar.

- E por que não a fazes de véspera?

- Era só o que faltava. Trabalho tinha eu!

Este é um diálogo real, passado recentemente numa sala de aula de uma escola EB 2.3. O diálogo com o aluno prosseguiu, mas mentalmente a professora reconhecia a 'culpa' do pai. Para mais tarde estava já decidida uma conversa com a directora de turma, pedindo-lhe que marcasse uma entrevista com o encarregado de educação, a fim de analisar a situação.

Acompanhar a vida escolar dos filhos e procurar desenvolver hábitos de estudo e de organização é muito importante. Diariamente os alunos precisam de fazer revisões rápidas da matéria dada nesse dia e os trabalhos de casa. Terminado este trabalho, há que preparar o material para o dia seguinte. Só assim se pode verificar se não falta nada. Só assim vai ser possível procurar algo que não se encontra no sítio esperado. Só assim vai ser possível ter tempo para anotar a leitura do contador da luz, pedida pela professora de Matemática, procurar as revistas coloridas, pedidas pela professora de Educação Visual, ou pôr na pasta a folha de teste necessária para Português.

Nem sempre é fácil convencer um jovem, especialmente um adolescente, a adiar um pouco o jogo de computador, para fazer tarefas menos agradáveis, como a preparação da pasta. Mas há que saber resistir às acusações de sermos os piores pais do mundo e os únicos que escravizam tão indecentemente os seus rebentos. Afinal, preparar uma pasta não é uma tarefa tão demorada assim. Sê-lo-á, se surgirem imprevistos; e esses não poderão ser resolvidos, se o autocarro escolar estiver quase a chegar à paragem ou se a campainha da escola estivar a preparar-se para dar o "toque de alvorada".

De quem é a culpa da falta do menino? É ele que cumpre as suas tarefas? Costuma ser responsabilizado pelas suas falhas e ter que assumir as consequências dos seus actos ou da falta deles? Como professora e como mãe, sei o quanto é difícil, por vezes, encontrar firmeza para levar os jovens a cumprir determinadas regras. Mas sei também o quanto isso é importante para os nossos filhos aprenderem a ser autónomos e responsáveis.

Autora: Armanda Zenhas in educare