sexta-feira, 2 de abril de 2010

FALTA DE TEMPO

Uma das angústias que os pais frequentemente partilham no atendimento prende-se com a falta de tempo para estar com os filhos. Profissões extremamente exigentes, com horários muito preenchidos, roubam quase todo o tempo de que os pais poderiam usufruir para partilhar com os filhos. Esta questão do tempo dá que pensar e não é tão objectiva quanto à primeira vista possa parecer. O relato verídico de duas mães com vidas profissionais muito exigentes poderá ajudar a clarificar a afirmação anterior.

Uma destas mães dizia que sempre fizera questão em passar férias com o marido durante um período de tempo, sem a presença do filho, e que, aos 9 meses, fez o desmame do seu bebé e foi para Paris passar algum tempo com uma familiar. Com este tipo de atitudes pretendia contribuir para a autonomia do filho e ajudá-lo a adaptar-se a diferentes situações e contextos. Curiosamente, este filho, antes de entrar no 1.º ciclo, pelo facto de ser uma criança muito precoce, foi avaliado por um psicólogo, tendo caracterizado a mãe como sendo 'muito disponível'.

A outra mãe afirmava que ficou muito triste porque as filhas se lamentavam por ela ter uma profissão que lhe ocupava demasiado tempo. Segundo esta mãe, era sempre a primeira a sair do local de trabalho (17h30) e faz questão de estar com as filhas após a saída deste local. O seu TPC é feito só quando as filhas se vão deitar e também não pega nele ao fim-de-semana.

Estas duas histórias podem levantar-nos imensas questões, nomeadamente a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos. Os estudos têm demonstrado que o mais importante não é passar muito tempo com eles, mas que esse tempo tenha qualidade. Às vezes estamos sem estar e o pouco tempo que estamos é tão pobre que é quase como se estivéssemos ausentes... Quando não conseguimos deixar o trabalho, mesmo tendo saído do seu local, acabamos por ter a cabeça tão cheia que pouca disponibilidade temos para lhes darmos alguma atenção.

Quando penso na mãe que passa algum tempo das suas férias sem o filho, parece-me que esta poderá, de certa forma, dar um tempo a si própria, para depois ter disponibilidade mental para estar com o filho. A falta de tempo para nós próprios absorve a paciência que é necessário ter para estarmos verdadeiramente com eles. Como arranjar um pouco de tempo para a própria pessoa e até para o casal é algo que, apesar de ser uma missão quase impossível, será importante equacionar...

Estes é de facto um tema que, como diz o povo, 'dá pano para mangas', sobretudo porque encontrar a dose e a qualidade certa não é fácil. Óptimo seria se também para esta difícil questão fosse possível encontrar uma receita. Como ela não existe, resta-nos apenas ir gerindo da melhor maneira o tempo que temos, de forma a que, apesar de pouco, tenha os ingredientes adequados para ajudamos os filhos a crescerem equilibradamente.

Adriana Campos in educare

1 comentários :

Ana Paula disse...

Olá amiguinha Mariana!
Mais um texto muito interessante, como dizes e muito bem, ter-se-á que gerir com qualidade o tempo que se está com os filhos a fim de lhes proporcionarmos o apoio que necessitam.
Também sou contra estarem constantemente "em cima" dos filhos porque eles ficarão dependentes dos pais para tudo, inclusivamente há pais que dão até apoio na matéria que os filhos tem que estudar. Esses jovens conseguem fazer o secundário mas se eventualmente tiverem que se deslocar para fora da residencia dos pais, ao ingressarem no ensino superior vão-lhes faltar a "muleta":-)
Jinhos doces,
Ana Paula