quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Educação é única forma de acabar com a ignorância que ameaça a democracia

O filósofo espanhol Fernando Savater defende que a educação, entendida como educação cívica, é a única forma de terminar com a "ignorância" que impede os cidadãos de contribuírem para a democracia e ajudarem a melhorá-la.


Na conferência "Questões-Chave da Educação", organizada na segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), na Universidade do Algarve, em Faro, Savater explicou que a educação cívica "não se refere à instrução básica ou à mera preparação para realizar tarefas laborais em qualquer campo, por mais que seja essencial a aquisição de tais conhecimentos e aptidões", mas está relacionada com o sistema democrático.

No âmbito do ciclo de conferências promovido pela FFMS, Fernando Savater também intervém hoje num encontro sobre "O Valor de Educar", na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A "ignorância" que o filósofo teme é "a incapacidade de expressar exigências sociais inteligíveis para a comunidade ou entender as exigências formuladas por outros".

"Este tipo de ignorantes, todos eles com direito de voto, opor-se-ão provavelmente às reformas necessárias que envolvem algum sacrifício e apoiarão os demagogos que lhes prometem paraísos gratuitos ou a vingança brutal das suas frustrações à custa de qualquer bode expiatório", acrescentou.

Fernando Savater frisou que o grande problema da democracia é "a predominância generalizada da maré de ignorância" e a educação cívica é única melhor forma de a combater.

"Na democracia, toda a educação cívica é uma escola de príncipes, embora destinada a formar príncipes que, paradoxalmente, devem saber-se interpares e não acima deles", afirmou.

O filósofo e professor jubilado da Universidade Complutense de Madrid defende, por isso, que a educação cívica deve "formar governantes e legisladores para evitar, nas nossas sociedades, a influência letal dos ignorantes, cujo predomínio é alarmante".

"Nas nossas sociedades pluralistas, a questão da educação cívica está directamente ligada ao tema da tolerância. Não há educação cívica que não fomente a tolerância democrática", afirmou, sublinhando que "devemos educar para prevenir tanto o fanatismo como o relativismo".

Savater considerou que o "fanático é aquele que não suporta viver com os que pensam de forma diferente por medo de descobrir que também ele não está seguro daquilo em que diz acreditar".

O ciclo de conferências promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos visa fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais, contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica e proporcionar o debate entre especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.

in Lusa / EDUCARE

1 comentários :

Céu Vieira disse...

Olá querida Mariana, boa tarde!!
Concordo plenamente com o texto que publicou!! O nosso país, e não só, o mundo também, não precisa só de formar pessoas na área da escolaridade, nas universidades, etc Precisa de formar nessas áreas sim, mas também no seu carácter, civismo e amor pelo seu semelhante, seja ele ser humano, animal irracional ou natureza. Se conseguissemos formar bem o mundo nestas áreas, então sim, seríamos verdadeiramente livres e teríamos um paraíso na terra!! Contudo, façamos nós o nosso melhor, para que ao menos à nossa volta sejamos todos mais felizes!!
Desejo-lhe do fundo do meu coração uma vida super abençoada minha querida amiga
Bjiiiiinhos de muito carinho