terça-feira, 1 de novembro de 2011

Regras em crise

É urgente que os pais compreendam que ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites.
"Já não sei mais o que fazer... dou-lhe tudo! Ele tem computador, telemóvel topo de gama, televisão no quarto e leitor de MP3."

A elevada frequência com que me tenho confrontado com afirmações semelhantes a esta, tem-me deixado verdadeiramente preocupada. Os pais que fazem afirmações deste tipo têm geralmente filhos problemáticos, sendo frequentemente chamados à escola porque estes não cumprem regras nem respeitam os adultos. Em termos educativos, entramos na onda do dar muito, mas exigir pouco. Muitos dos nossos alunos sabem que o mau comportamento não será penalizado, nem na escola, que infelizmente tem poucos meios para impor autoridade, nem em casa. Depois de dois ou três dias em que o castigo vigora, o coração do pai ou da mãe amolece e, portanto, rapidamente se reconquista tudo o que se perdeu na sequência dos maus comportamentos na escola. Como não há consistência em termos educativos, rapidamente a criança/o jovem volta a apresentar distúrbios de comportamento, porque afinal os castigos, se existirem, são de tão curta duração que a/o leva a aprender que "o crime verdadeiramente compensa". Não é difícil um jovem pensar "Para que é que vou mudar de atitude, se mesmo sendo arrogante e mal-educado poderei usufruir de telemóvel, televisão no quarto e de todas as outras mordomias que felizmente tenho sempre ao meu alcance?". O meu contacto frequente com alunos não me deixa qualquer dúvida relativamente à veracidade da teoria apresentada. Recentemente, devido ao comportamento disruptivo de um grupo de alunos que frequentam um CEF (Curso de Educação e Formação), dizia uma aluna: "Eu estou a esforçar-me por melhorar o meu comportamento, porque a minha mãe me tirou o telemóvel e as saídas com as minhas amigas. Só poderei voltar a ganhar isto, se o meu comportamento melhorar." Outro aluno, cujo pai fora também alertado para a importância de aplicar algumas penalizações em consequência do seu mau comportamento, dizia arrogantemente: "O meu pai não me tirou nada."

Quando estes jovens são encaminhados para o Serviço de Psicologia e Orientação, procuro que os pais compreendam que os filhos não sofrem de nenhum problema psicológico e o processo de mudança passa pelo estabelecimento de regras e limites por parte da família. Ora este processo esbarra de imediato com muitas dificuldades, pois o trabalho que os pais deveriam iniciar nos primeiros anos de vida começa apenas na adolescência, quando a omnipotência e tirania dos jovens já é reinante. Nos primeiros seis anos de vida, a interiorização das regras e a tomada de consciência dos limites são mais fáceis de integrar.

É de sublinhar que alguns destes pais nunca impuseram limites, por considerarem que os comportamentos disfuncionais dos filhos seriam o resultado deste ou daquele problema familiar e não o fruto da inexistência de autoridade; outros, porque dizer "não" e manter o "não" dá muito mais trabalho que dizer "sim". Contrariamente ao que estes pais supõem, no fundo, as crianças gostam de ouvir "não", uma vez que este significa que há alguém acima delas que as ajuda a resolver o que não conseguem resolver sozinhas, e que toma conta delas, protegendo-as contra eventuais riscos.

Usando as palavras do Dr. Daniel Sampaio: "É preciso afirmar, sem subterfúgios, que não se pode educar sem autoridade, quer no contexto da família quer no ambiente da escola. Há temas que não são negociáveis na interação com os filhos: o respeito pelos mais velhos, a proibição da linguagem obscena, o cumprimento dos horários, a obrigatoriedade de trabalhar ou estudar, a manutenção dos limites da privacidade geracional, a necessidade de cumprir em conjunto os rituais familiares (festas significativas, datas de habitual festejo, férias da família), entre outros."*

É portanto urgente que os pais compreendam que ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites.

Adriana campos in educare

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um olhar sobre a diferença



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Anorexia nervosa

A anorexia é uma doença que afecta cada vez mais adolescentes. Muitos são os pais que vivem na angústia de não saber como dar resposta a este problema. Antes que o mal lhe bata à porta, aceite algumas sugestões para evitar o aparecimento desta doença no seu filho.

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"Não compreendo como é que isto pôde acontecer à minha filha! Ela sempre viveu só para os estudos. Não tem namoros, não sai à noite, enfim... nunca nos deu preocupações. Na verdade, até considero que não é uma rapariga de hoje. Quantas vezes eu e o meu marido insistíamos para que saísse de casa e ela nunca o fazia. Ao fim de semana é que ela aceitava sair, porque o fazia na nossa companhia. Frequentemente, estes passeios de domingo eram encurtados devido ao seu desejo insistente de ir estudar. Quando tinha teste à segunda-feira, era certo e sabido que ninguém a arrancava de casa.. .Não, não posso compreender como isto pôde acontecer e logo à minha Joana!..."

Este é o relato feito pela mãe de uma jovem de 16 anos, atingida por uma anorexia nervosa.

A anorexia é uma doença, cujo principal sintoma consiste numa perda acentuada de peso, auto-imposta, em resultado de uma restrição alimentar activa. Mesmo quando já houve um emagrecimento acentuado ou mesmo quando a pessoa em causa já apresenta um aspecto esquelético, continua a existir um medo intenso de aumentar de peso ou de ficar obeso.

A(o) jovem anoréxica(o) apresenta uma vivência distorcida da sua imagem corporal, continuando a ver no seu corpo partes "gordas", mesmo quando só tem "pele e osso".

Esta doença é mais frequente no sexo feminino. Nas raparigas, a anorexia acaba por levar à falta da menstruação, em consequência da perda de peso.

Porquê?
Existem muitas e variadas explicações para o aparecimento desta doença, tais como: as mensagens contraditórias de uma sociedade que publicita constantemente produtos altamente calóricos e que paralelamente valoriza um ideal de beleza, marcado pela magreza por vezes exagerada; a confusão das mães relativamente ao significado do choro dos bebés, que o interpretam sistematicamente como indicador de fome; a possibilidade de haver alterações genéticas, confirmada pela elevada prevalência da doença em familiares em primeiro grau. Estas são algumas explicações... independentemente da maior ou menor veracidade de cada uma delas!

Parece-me indispensável reflectir sobre um outro aspecto: as características de personalidade comum a muitos dos jovens que sofrem desta doença! Segundo alguns estudos, os jovens adolescentes afectados por anorexia possuem características de personalidade comuns: têm dificuldades de relacionamento interpessoal, são inseguros, têm uma baixa auto-estima, são pouco autónomos, são dotados de um carácter marcadamente obsessivo, possuem padrões de pensamento pouco flexível. Pelos pais, tal como o texto inicialmente apresentado ilustra, são vistos como jovens muito sossegados, pouco amigos de sair e que nunca deram problemas. Numa só frase: 'não são como os jovens de hoje'.

Abordar a questão por este prisma poderá ser útil, na medida em que estas características parecem ter uma relação directa com o desencadeamento deste processo. A actuação dos pais no sentido de as contrariar será, com certeza, uma boa forma de prevenção, não só deste desequilíbrio, mas também de outros, tais como o consumo exagerado de álcool, drogas, etc.

O que podem fazer os pais
Eis algumas sugestões que os pais devem ter em conta para prevenir o aparecimento da doença:

- Ajude o seu filho a desenvolver uma auto estima positiva. A auto-estima é a percepção que cada um tem de si próprio. Esta percepção constrói-se ao longo da vida, em resultado das várias interacções que o indivíduo vai estabelecendo em diferentes contextos. A família tem um papel fundamental na construção da auto-imagem do jovem. Aproveite todas as oportunidades para elogiar o seu filho, não apenas na área académica, mas também em outros domínios. Os jovens precisam de sentir que os pais os amam, independentemente dos resultados escolares, e que estes não são a única área importante da vida de um adolescente.

- Ao longo do processo de desenvolvimento, estimule o seu filho a ser cada vez mais autónomo. Nunca faça por ele aquilo que ele pode fazer sozinho. Ao chegar à adolescência, é fundamental flexibilizar regras anteriormente estipuladas. Não queira que o seu filho permaneça eternamente 'debaixo da sua asa'. Não o ensinou a voar? Então porque o 'quer prender ao ninho'? As quedas são indispensáveis à aprendizagem.

- Respeite a sua necessidade crescente de espaço. Ele tem direito/necessidade de ter o seu cantinho, a sua correspondência e o seu diário. Violar esta necessidade é altamente nefasto, ainda que o faça com muito boas intenções.

- Cultive relações positivas com o seu cônjuge. Uma relação conflituosa do casal faz com que, muitas vezes, os filhos se tornem a única razão para a existência deste. A missão dos filhos não é servir de elo de ligação de casamentos desfeitos...

- Incentive o seu filho a expressar os sentimentos dele e exprima também os seus. A não expressão de sentimentos pode levar o adolescente a pensar que o que se passa com ele (tristeza, cólera, fúria) é algo anormal.

Adriana Campos

in educare

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Maus-tratos psicológicos

A ideia de “criança” como pessoa de direitos é recente e tem vindo a assumir uma importância cada vez maior. Uma criança feliz torna-se num adulto feliz e saudável capaz de constituir uma família harmoniosa onde cresçam crianças felizes.
Já falámos na Convenção dos direitos da criança quando escrevemos sobre o direito a brincar; esta Convenção veio dar apoio à criação de uma lei que proteja as crianças e assegure os seus direitos. Esta Lei (de Protecção de Crianças e Jovens 147/99) defende, entre outros aspectos a promoção do bem-estar da criança afastando-a de situações de perigo, tais como o estar abandonada, o sofrer maus tratos físicos ou psíquicos, ser vítima de abusos sexuais ou ainda não receber os cuidados ou a afeição adequados (aqui fica o PDF para lerem a lei).
Também já falámos em Alienação Parental, que é uma forma de maus-tratos psicológicos; por isso hoje vamos escrever sobre Maus-tratos. É muito difícil definir e diagnosticar “Maus-Tratos psicológicos”. Dos vários artigos lidos, destaco a definição de “Maus-Tratos Psicológicos” como:

…falha em fornecer um ambiente de apoio apropriado ao desenvolvimento, incluindo a disponibilização de uma figura de referência que possa assegurar estabilidade das competências emocionais e sociais. Podem ser passivos ou activos, com elevada probabilidade de deixar marcas indeléveis mentais, cognitivos, espirituais, morais ou sociais. em Revista Portuguesa de Clinica Geral (2003) por Mário Cordeiro

As crianças que assistem a discussões verbais e físicas intensas entre os pais, que escutam um progenitor a denegrir o outro utilizando frases como “o teu pai não presta” ou “a tua mãe não gosta de ti”, e que são sujeitos a tentativas de manipulação como “se fosses meu amigo fazias/dizias/ contavas-me…” estão sujeitas a Maus-tratos psicológicos.

Os sintomas manifestam-se nos vários contextos que a criança se insere (escola, casa, amigos, …) através de tristeza, mudanças de humor, desinteresse e apatia, dificuldades escolares, agressividade, entre outros.

Estar alerta a estes sinais é defender o futuro das nossas crianças.

in manual da criança

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pais e amigos

Neste trecho apresenta-se a questão dos filhos serem nossos amigos em vez de filhos: tal como as crianças procuram crianças da sua idade para brincar e fazer amizades, também os adultos o fazem com os da sua idade. A relação com os filhos é em primeiro lugar de pais porque eles precisam de nós como pais, figuras que protegem do mundo mas também que impõe as regras e a autoridade. Amigos encontram-se principalmente entre os seus pares.

Há perigo de fazer dos filhos os nossos amigos, contando-lhes a nossa vida: forçamo-los a crescer mais depressa, não correspondem ao que os adultos precisam porque não tem um nível de compreensão e de experiência de vida que permita a compreensão dos problemas e ficam preocupados com os problemas dos adultos, o que muita vez se traduz em dificuldades na escola (porque já têm a cabeça cheia com outras questões).

O nivelar da relação retira também a autoridade ao adulto, pois a criança vê-o como um igual em vez de alguém com poder de o recompensar ou de o fazer assumir as responsabilidades. As crianças sentem conforto em saber que os pais estão disponíveis para elas, para as guiar e ajudar.

in manual da criança

domingo, 27 de março de 2011

A Criança que calou o Mundo durante 5 minutos

sexta-feira, 11 de março de 2011

Animal de companhia: qual escolher?

Uma vez decidida a aquisição de um animal de companhia, surgem as dúvidas... Que animal escolher? Que doenças nos podem transmitir? Quais são as exigências de um animal de companhia?

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Actualmente existe alguma variedade de espécies que podem ser adotadas como animais de estimação.

Os
cães são os nossos favoritos. São inteligentes, leais, felizes e obedientes. São os melhores companheiros. São animais que precisam de muito do nosso tempo para serem felizes e saudáveis. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é necessário ter uma casa grande ou um jardim enorme, pois há muitas raças que se adaptam perfeitamente à vida em apartamento. Já a falta de companhia, essa sim, é um problema considerável para os cães. Cada raça tem a sua personalidade, capacidades e necessidades distintas.

Os
gatos são animais mais independentes que os cães e toleram bem melhor o tempo que passam sozinhos. São animais que também são muito mais subtis, sendo mais difícil interagir com eles.

Os
coelhos, hamsters e ratos podem ser dóceis, mas também se podem tornar agressivos. À medida que crescem as suas necessidades aumentam, e se as suas gaiolas não forem limpas com frequência podem libertar maus cheiros.

Os
papagaios, canários e periquitos são os mais afetuosos de todas as aves, mas normalmente criam laços com apenas um elemento da família. Podem ser muito ruidosos.

Tartarugas, lagartos e cobras são animais de observação, ou seja, até se pode pegar neles mas não há retribuição de carinho. Para além disto, podem ser fonte de contágio de algumas doenças, especialmente de salmonelose, pelo que o seu manuseio por parte de crianças deve ser evitado.

Os
peixes são muito bonitos mas são também pouco interactivos.

Tendo em consideração todas as características anteriormente descritas, a nossa escolha recai preferencialmente nos cães, logo seguidos pelos gatos, por serem animais que conseguem estabelecer uma melhor relação com uma criança.

Mas a verdade é que os animais de companhia podem transmitir doenças:

Raiva: transmitida pela mordedura ou contacto da saliva de qualquer mamífero infetado com as mucosas. Previne-se pela vacinação massiva dos animais domésticos.

Sarna
: transmitida pelo cão ou pelo gato, é uma patologia caracterizada por prurido intenso (comichão). Tem tratamento eficaz, com cura completa.

Micoses: transmitidas pelo contacto direto com cão, gato ou coelho infetados, normalmente cursam com zonas de alopécia (zonas sem pelo) de aspeto circular. Os gatos podem ser portadores sem doença. Tem tratamento eficaz, com cura completa.

Leptospirose: transmitida pelo contacto com urina de ratos, cães, gatos infetados ou águas contaminadas. A prevenção passa por vacinação dos cães e controle da população de ratos.

Toxoplasmose: transmitida a humanos pelo contacto com fezes de gatos. Os cães não transmitem toxoplasmose. O principal risco desta doença é para grávidas, doentes imunocomprometidos e crianças até aos 6 meses de idade. A prevenção, relativamente ao contacto com animais, passa por evitar a limpeza dos caixotes das fezes pelas pessoas inseridas nestes grupos de risco.


Parasitoses: há dois tipos de parasitas, os externos (pulgas e carraças) e os internos (ténias e lombrigas). Ambos podem ser transmitidos pelos animais de estimação. A prevenção passa pela desparasitação interna (de 4 em 4 meses) e externa (mensal) dos animais e a desparasitação de toda a família anualmente.

Alergias: há adultos e crianças que tem alergia intrínseca ao pelo de animais. Existem vacinas de dessensibilização e, segundo alguns autores, não é pelo facto de ter o animal em casa que as pessoas têm mais crises alérgicas, porque o teor de alergénios animais é semelhante em casas com e sem animais.

Por tudo isto é importante:
- seguir um programa preventivo de saúde para o seu animal de estimação que inclui: alimentação adequada, exercício regular, proteção do frio, vacinação recomendada, desparasitação,
check-ups regulares junto do seu veterinário.

- garantir que o seu animal de estimação tem a sua própria cama e que os recipientes da comida são mantidos limpos e afastados do local onde ocorrem as refeições familiares.

(Dária Rezende (Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga),
Jorge Ribeiro (Veterinário, Clínica de Animais de Companhia do ICBAS - Universidade do Porto)

in educare

segunda-feira, 7 de março de 2011

Autismo - Programa Son-Rise

sábado, 5 de março de 2011

Tricotilomania, a mania de arrancar os cabelos

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um mano mais novo

O David tinha um irmão mais novo que o seguia para todo o lado.

No início era muito engraçado, ver o mano sempre atrás dele quando ia da sala para o quarto, do quarto para a cozinha, … mas ao fim de algum tempo, o David estava a ficar cansado de ter sempre o seu mano atrás de si. Quando o David estava a estudar, o mano trazia os carros e fazia barulho; quando estava a lavar os dentes, o mano ia buscar a sua escova de dentes e colocava-se ao seu lado a lavar os dentes; até quando estava a brincar com os seus amigos, o mano andava atrás dele.

O David nunca pensou que o seu pedido tivesse este resultado; é que ele tinha pedido muito aos pais para ter um mano, mas… não era isto que ele tinha pensado. Na verdade, ele queria um irmão mais velho que jogasse à bola com ele (o mano não conseguia dar grandes pontapés na bola), que lhe fizesse companhia na escola (o mano ainda estava a aprender as cores), que dividisse os castigos com ele (os pais diziam que o mano era muito pequeno e não sabia o que fazia).

Não, não era nada disto que ele tinha pensado! E agora não podia fazer nada. Não havia nenhuma loja onde se conseguisse trocar um mano mais novo por outro, mais velho, a estrear.

Então um dia, enquanto remexia no sótão (escondido lá, para o mano não o encontrar), encontrou uma arca cheia de velharias; lá dentro estava uma caixa com uma fechadura. O David procurou a chave por todo o lado até a descobrir. Quando abriu a caixa, depois de espirrar por causa do pó, saiu de lá de dentro um homenzinho muito pequeno (do tamanho de uma mão aberta), vestido de uma forma engraçada e, imaginem só, azul! Mesmo azul, da cabeça aos pés (e não falo da roupa). O homenzinho agradeceu ao David e perguntou-lhe se o podia ajudar em troca do favor que o David lhe tinha acabado de fazer. O David disse logo que sim, claro que podia. E se ele pedisse ao homenzinho para que o irmão deixasse de andar atrás dele o dia todo? O homenzinho respondeu-lhe que sim, que amanhã o irmão já não andaria o dia inteiro a segui-lo. O David mal podia esperar pelo próximo dia.

Quando acordou no dia seguinte viu que o irmão não estava na cama dele. Espreitou pela casa todo e nada. Uau! Não tinha mais o irmão atrás dele, nem a derrubar as suas construções, nem a atrapalhar os seus jogos.

O dia foi passando para o David, mas havia qualquer coisa estranha: ele não conseguia perceber porquê, mas não conseguia entreter-se com nada: o computador não tinha piada, fartava-se rapidamente dos carros e nem à bola lhe apetecia jogar.

Bem, a verdade é que sentia algumas saudades do mano, porque às vezes ele até tinha graça; estava sempre pronto para brincar ao que o David queria, ria sempre das suas palhaçadas e até era engraçado ensiná-lo a jogar (mesmo porque o David ganhava sempre os jogos, a não ser que quisesse mesmo perder).

Ao fim do dia, o David já estava arrependido; se calhar era melhor ter um irmão pequeno atrás dele do que nenhum; e depois ele haveria de crescer e deixar de ser trapalhão e começar a ir para a escola (e a ter trabalhos de casa). Voltou ao sótão para ter uma nova conversa com o homenzinho azul. Mas a caixa estava vazia e não estava lá mais ninguém. E agora? Se não encontrasse o homenzinho nunca mais veria o irmão. E os pais? Iam ficar tristes. Como é que ele ia resolver isto?

Pensou, pensou e tornou a pensar. Mas nada! Por mais voltas que desse não conseguia encontrar uma solução. Estava tão concentrado que chegou rapidamente a hora do jantar e a mãe foi chamá-lo para a mesa. Sem saber como ia dizer aos pais que o mano nunca mais voltava, muito triste, lá desceu para jantar.

Quando estava a chegar à porta, sentiu algo a agarrá-lo; qual não era o seu espanto quando viu o mano de volta dele. Então o que tinha acontecido? Como é que o mano voltou a aparecer? Que grande confusão!

Afinal o mano tinha ido de manhã muito cedo levar as vacinas e depois tinha ido passear com o avô. Só tinham voltado à tarde, mas o David estava no sótão tão concentrado que não os tinha ouvido chegar.

O David ficou tão contente e tão aliviado! Nunca mais voltava a pedir que o mano fosse embora (por mais chato que o mano pudesse ser).

Aos pais:

É habitual existirem atritos entre irmãos, em particular quando os interesses de cada idade não são os mesmos. Normalmente não é preocupante e mais tarde ou mais cedo eles acabam por ultrapassar as divergências. Os pais podem ajudar ao bom entendimento descobrindo actividades que todos gostem de fazer em família, com oportunidade para todos participarem (jogos de equipa, jogos de tabuleiro, passeios a museus ou bibliotecas). Aproveitem o tempo para se divertirem (e tirem fotos para mostrar).

in manual da criança

quarta-feira, 2 de março de 2011

As crianças podem tomar café?

A história que vou contar passou-se comigo numa consulta e é apenas um exemplo entre milhares. Um exemplo de como os pais desconhecem ou ignoram os efeitos de alguns produtos no organismo dos seus filhos. E digo ignoram porque, muitas vezes, apesar de serem por mim informados, continuam a permitir que as crianças os ingiram.

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Há uns tempos atrás, apareceu no meu consultório um indivíduo de trinta e muitos anos, funcionário de quadro técnico bancário (para se perceber que não era um iletrado), cujo objectivo era perder peso.

Na história alimentar que lhe fiz, interroguei-o acerca do número de cafés que tomava, não porque este contribua significativamente com calorias, mas para saber a quantidade de açúcar que eventualmente poderia contribuir para a ingestão calórica diária. Embora me tenha respondido que o não usava no café, referiu que tomava sete a oito por dia. Sabendo que esta bebida pode trazer alguns benefícios para a saúde se forem tomadas duas ou três chávenas por dia, mas que em quantidade superior pode causar agitação, irritabilidade e insónias, disso informei o paciente e aconselhei-o a reduzir a dose diária.


Disse-me que se o fizesse teria que substituir o café por uma bebida de cola (cujo nome omito para não criar mal-entendidos), uma vez que era completamente dependente da cafeína. Perante tal inflexibilidade em mudar de hábitos, sugeri que então ao menos usasse a versão light ou diet que pouco ou nada influenciariam o plano alimentar para perda de peso.


Rematou convictamente desta forma: "Não, não! Não vou deixar de ter essa bebida em casa porque tanto eu como o meu filho somos viciados!..." Ao que eu, já a imaginar algo, perguntei: Que idade tem o seu filho? A resposta veio pronta e surpreendente: "Dois anos e meio". Fiquei atónita , embora na realidade, não fosse uma surpresa total. Perguntei então: Tem noção do que acabou de me dizer? Há pouco referiu-me que se não tomasse sete ou oito cafés por dia, teria que os substituir por cola para "funcionar". Percebe agora o que está a dar ao seu filho?


Infelizmente, este caso não é a excepção que confirma a regra, é mesmo a regra! Nos festivais aéreos da Red.Bull vi inúmeras crianças a beberem esta bebida como água, apesar de conter mais do dobro da cafeína de uma cola e tanta como alguns cafés! Efectivamente, raros são os lares onde colas ou ice-teas não existem no frigorífico e despensa, como bebida que faz a vezes da água ou mesmo do leite. Além de contribuírem para o aumento de peso por serem calorias líquidas e de muitas vezes substituírem o leite ou os iogurtes privando o organismo de proteínas, cálcio, fósforo e outros nutrientes, estas bebidas contêm cafeína ou teína, substâncias estimulantes com acção a nível do sistema nervoso central e com efeitos deletérios na saúde das crianças.


É natural que as crianças pareçam ansiosas, irritadas, hiperactivas ou tenham insónias se consumirem este tipo de bebidas. Não pode é parecer natural que os pais o permitam!

Paula Veloso

in Educare

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Viagem de Maria

domingo, 16 de janeiro de 2011

Divisão por um número de 2 algarismos

Alienação Parental

Fala-se ultimamente em “Síndrome de Alienação Parental; embora este termo não seja o correcto, a alienação parental existe quando um dos progenitores tenta repetidamente denegrir o outro progenitor junto da criança, habitualmente durante uma situação de divórcio; contudo não deixa de ser uma situação de maus-tratos emocionais para as crianças.

O divórcio é o 2.º acontecimento de vida mais gerador de stress, que nem sempre é fácil de gerir; aceitar o final de uma relação e adaptar-se a novas realidades é difícil e leva tempo. Por vezes o conflito que surge entre os pais afecta os filhos sem que estes o percebam. E isto acarreta consequências:

- Relações interpessoais: dificuldade em estabelecer relações de confiança com outras pessoas e em relações de maior intimidade;

- Baixa tolerância à raiva e hostilidade: dificuldades em lidar com situações que despertem emoções fortes como a raiva (“ferver em pouca água”), em aceitar o “não”.

- Problemas no sono e na alimentação: dificuldades em adormecer, pesadelos, sono inquieto; pode também existir falta de apetite.

- Maior conflitualidade com figuras de autoridade: dificuldades em segui ordens e orientações de figuras de autoridade (professores, polícias, superiores hierárquicos, …)

- Maior vulnerabilidade e dependência psicológica: auto-estima e auto-confiança mais baixas.

- Sentimento de culpa: a criança é constantemente forçada a escolher um lado e tomar partido, crescendo com um sentimento de culpa e de impotência.

- Doenças psicossomáticas: dores de cabeça, dores de barriga e outras são muito comuns de surgirem, em particular nas situações de stress.

Cada um reage à dor de uma separação da sua própria maneira, sendo que uma maneira construtiva é aceitando o fim da relação a nível emocional e cognitivo, reorganizar e redefinir a família. E isso leva tempo e energia, mas o resultado final é positivo para todos.

in manual da criança

sábado, 8 de janeiro de 2011

"Autoritarismo" nas Crianças

Enfrente o autoritarismo dos seus filhos com determinação, pois só desta maneira estará a ajudá-los a crescer de uma forma saudável.

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O autoritarismo é um estilo de educação parental em que as regras são impostas pelos pais de uma forma rígida, não havendo margem para qualquer negociação. Quando aqui é referido o autoritarismo das crianças, penso que o que está em questão é precisamente o facto de também elas quererem impor os seus desejos e reagirem negativamente quando são contrariadas. As birras são manifestações típicas das crianças quando são confrontadas com comportamentos de oposição por parte dos adultos.

Por volta dos oito meses, sobretudo se a criança já começou a gatinhar, tendo por isso mais autonomia, vai começar a testar os limites. Se os pais disserem 'não', a criança vai sentir-se ainda mais aliciada a repetir o comportamento que foi alvo de repressão. Esta atitude das crianças gera frequentemente sentimentos de frustração e de desânimo nos pais porque, por um lado, é abalada a imagem de inocência que estes tinham delas e, por outro, passam a ter de supportar a irritação dos filhos, o que não é uma tarefa agradável.

A grande questão que se coloca é perceber porque todas as crianças tentarem testar os pais. Na verdade, o que os mais pequenos procuram compreender com este comportamento é se os pais dirão sempre "não" ou se só dirão "não" em determinados contextos; se utilizarão o "não" apenas quando a criança está só ou se o farão quando esta estiver com alguém; se um "não" será sempre "não" ou se passará a "sim" ao fim de alguma insistência.

Apesar de impor limites ser uma tarefa por vezes desgastante e cansativa, já que exige repetição e paciência, é fundamental para promover a capacidade de autocontrolo da criança, na medida em que a ajuda a estabelecer os seus próprios limites. Se os pais estabelecerem limites firmes mas carinhosos desde os primeiros anos de vida, ajudarão também a criança a reconhecer os seus sentimentos e aquilo que lhes está subjacente, a ter a percepção dos sentimentos dos outros, a desenvolver um sentido de justiça e ainda a descobrir a alegria de dar e até de fazer sacrifício em prol do bem-estar dos outros.

Para que todo este processo seja simplificado, é fundamental que as regras sejam claras e consistentes e que se adaptem às capacidades e necessidades de cada criança. É também importante que ambos os pais estejam de acordo com as regras estabelecidas e que façam avaliações e revisões regulares dessas mesmas regras e expectativas, uma vez que, à medida que a criança cresce, será necessário ajustar algumas delas.

Segundo Selma Fraiberg, perita em desenvolvimento infantil, "uma criança sem disciplina é uma criança que não se sente amada". Por esta razão, enfrente o autoritarismo dos seus filhos com determinação, pois só desta maneira estará a ajudá-los a crescer de uma forma saudável.

Autora: Adriana Campos

In Educare