quinta-feira, 31 de março de 2011

Pais e amigos

Neste trecho apresenta-se a questão dos filhos serem nossos amigos em vez de filhos: tal como as crianças procuram crianças da sua idade para brincar e fazer amizades, também os adultos o fazem com os da sua idade. A relação com os filhos é em primeiro lugar de pais porque eles precisam de nós como pais, figuras que protegem do mundo mas também que impõe as regras e a autoridade. Amigos encontram-se principalmente entre os seus pares.

Há perigo de fazer dos filhos os nossos amigos, contando-lhes a nossa vida: forçamo-los a crescer mais depressa, não correspondem ao que os adultos precisam porque não tem um nível de compreensão e de experiência de vida que permita a compreensão dos problemas e ficam preocupados com os problemas dos adultos, o que muita vez se traduz em dificuldades na escola (porque já têm a cabeça cheia com outras questões).

O nivelar da relação retira também a autoridade ao adulto, pois a criança vê-o como um igual em vez de alguém com poder de o recompensar ou de o fazer assumir as responsabilidades. As crianças sentem conforto em saber que os pais estão disponíveis para elas, para as guiar e ajudar.

in manual da criança

domingo, 27 de março de 2011

A Criança que calou o Mundo durante 5 minutos

sexta-feira, 11 de março de 2011

Animal de companhia: qual escolher?

Uma vez decidida a aquisição de um animal de companhia, surgem as dúvidas... Que animal escolher? Que doenças nos podem transmitir? Quais são as exigências de um animal de companhia?

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Actualmente existe alguma variedade de espécies que podem ser adotadas como animais de estimação.

Os
cães são os nossos favoritos. São inteligentes, leais, felizes e obedientes. São os melhores companheiros. São animais que precisam de muito do nosso tempo para serem felizes e saudáveis. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é necessário ter uma casa grande ou um jardim enorme, pois há muitas raças que se adaptam perfeitamente à vida em apartamento. Já a falta de companhia, essa sim, é um problema considerável para os cães. Cada raça tem a sua personalidade, capacidades e necessidades distintas.

Os
gatos são animais mais independentes que os cães e toleram bem melhor o tempo que passam sozinhos. São animais que também são muito mais subtis, sendo mais difícil interagir com eles.

Os
coelhos, hamsters e ratos podem ser dóceis, mas também se podem tornar agressivos. À medida que crescem as suas necessidades aumentam, e se as suas gaiolas não forem limpas com frequência podem libertar maus cheiros.

Os
papagaios, canários e periquitos são os mais afetuosos de todas as aves, mas normalmente criam laços com apenas um elemento da família. Podem ser muito ruidosos.

Tartarugas, lagartos e cobras são animais de observação, ou seja, até se pode pegar neles mas não há retribuição de carinho. Para além disto, podem ser fonte de contágio de algumas doenças, especialmente de salmonelose, pelo que o seu manuseio por parte de crianças deve ser evitado.

Os
peixes são muito bonitos mas são também pouco interactivos.

Tendo em consideração todas as características anteriormente descritas, a nossa escolha recai preferencialmente nos cães, logo seguidos pelos gatos, por serem animais que conseguem estabelecer uma melhor relação com uma criança.

Mas a verdade é que os animais de companhia podem transmitir doenças:

Raiva: transmitida pela mordedura ou contacto da saliva de qualquer mamífero infetado com as mucosas. Previne-se pela vacinação massiva dos animais domésticos.

Sarna
: transmitida pelo cão ou pelo gato, é uma patologia caracterizada por prurido intenso (comichão). Tem tratamento eficaz, com cura completa.

Micoses: transmitidas pelo contacto direto com cão, gato ou coelho infetados, normalmente cursam com zonas de alopécia (zonas sem pelo) de aspeto circular. Os gatos podem ser portadores sem doença. Tem tratamento eficaz, com cura completa.

Leptospirose: transmitida pelo contacto com urina de ratos, cães, gatos infetados ou águas contaminadas. A prevenção passa por vacinação dos cães e controle da população de ratos.

Toxoplasmose: transmitida a humanos pelo contacto com fezes de gatos. Os cães não transmitem toxoplasmose. O principal risco desta doença é para grávidas, doentes imunocomprometidos e crianças até aos 6 meses de idade. A prevenção, relativamente ao contacto com animais, passa por evitar a limpeza dos caixotes das fezes pelas pessoas inseridas nestes grupos de risco.


Parasitoses: há dois tipos de parasitas, os externos (pulgas e carraças) e os internos (ténias e lombrigas). Ambos podem ser transmitidos pelos animais de estimação. A prevenção passa pela desparasitação interna (de 4 em 4 meses) e externa (mensal) dos animais e a desparasitação de toda a família anualmente.

Alergias: há adultos e crianças que tem alergia intrínseca ao pelo de animais. Existem vacinas de dessensibilização e, segundo alguns autores, não é pelo facto de ter o animal em casa que as pessoas têm mais crises alérgicas, porque o teor de alergénios animais é semelhante em casas com e sem animais.

Por tudo isto é importante:
- seguir um programa preventivo de saúde para o seu animal de estimação que inclui: alimentação adequada, exercício regular, proteção do frio, vacinação recomendada, desparasitação,
check-ups regulares junto do seu veterinário.

- garantir que o seu animal de estimação tem a sua própria cama e que os recipientes da comida são mantidos limpos e afastados do local onde ocorrem as refeições familiares.

(Dária Rezende (Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga),
Jorge Ribeiro (Veterinário, Clínica de Animais de Companhia do ICBAS - Universidade do Porto)

in educare

segunda-feira, 7 de março de 2011

Autismo - Programa Son-Rise

sábado, 5 de março de 2011

Tricotilomania, a mania de arrancar os cabelos

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um mano mais novo

O David tinha um irmão mais novo que o seguia para todo o lado.

No início era muito engraçado, ver o mano sempre atrás dele quando ia da sala para o quarto, do quarto para a cozinha, … mas ao fim de algum tempo, o David estava a ficar cansado de ter sempre o seu mano atrás de si. Quando o David estava a estudar, o mano trazia os carros e fazia barulho; quando estava a lavar os dentes, o mano ia buscar a sua escova de dentes e colocava-se ao seu lado a lavar os dentes; até quando estava a brincar com os seus amigos, o mano andava atrás dele.

O David nunca pensou que o seu pedido tivesse este resultado; é que ele tinha pedido muito aos pais para ter um mano, mas… não era isto que ele tinha pensado. Na verdade, ele queria um irmão mais velho que jogasse à bola com ele (o mano não conseguia dar grandes pontapés na bola), que lhe fizesse companhia na escola (o mano ainda estava a aprender as cores), que dividisse os castigos com ele (os pais diziam que o mano era muito pequeno e não sabia o que fazia).

Não, não era nada disto que ele tinha pensado! E agora não podia fazer nada. Não havia nenhuma loja onde se conseguisse trocar um mano mais novo por outro, mais velho, a estrear.

Então um dia, enquanto remexia no sótão (escondido lá, para o mano não o encontrar), encontrou uma arca cheia de velharias; lá dentro estava uma caixa com uma fechadura. O David procurou a chave por todo o lado até a descobrir. Quando abriu a caixa, depois de espirrar por causa do pó, saiu de lá de dentro um homenzinho muito pequeno (do tamanho de uma mão aberta), vestido de uma forma engraçada e, imaginem só, azul! Mesmo azul, da cabeça aos pés (e não falo da roupa). O homenzinho agradeceu ao David e perguntou-lhe se o podia ajudar em troca do favor que o David lhe tinha acabado de fazer. O David disse logo que sim, claro que podia. E se ele pedisse ao homenzinho para que o irmão deixasse de andar atrás dele o dia todo? O homenzinho respondeu-lhe que sim, que amanhã o irmão já não andaria o dia inteiro a segui-lo. O David mal podia esperar pelo próximo dia.

Quando acordou no dia seguinte viu que o irmão não estava na cama dele. Espreitou pela casa todo e nada. Uau! Não tinha mais o irmão atrás dele, nem a derrubar as suas construções, nem a atrapalhar os seus jogos.

O dia foi passando para o David, mas havia qualquer coisa estranha: ele não conseguia perceber porquê, mas não conseguia entreter-se com nada: o computador não tinha piada, fartava-se rapidamente dos carros e nem à bola lhe apetecia jogar.

Bem, a verdade é que sentia algumas saudades do mano, porque às vezes ele até tinha graça; estava sempre pronto para brincar ao que o David queria, ria sempre das suas palhaçadas e até era engraçado ensiná-lo a jogar (mesmo porque o David ganhava sempre os jogos, a não ser que quisesse mesmo perder).

Ao fim do dia, o David já estava arrependido; se calhar era melhor ter um irmão pequeno atrás dele do que nenhum; e depois ele haveria de crescer e deixar de ser trapalhão e começar a ir para a escola (e a ter trabalhos de casa). Voltou ao sótão para ter uma nova conversa com o homenzinho azul. Mas a caixa estava vazia e não estava lá mais ninguém. E agora? Se não encontrasse o homenzinho nunca mais veria o irmão. E os pais? Iam ficar tristes. Como é que ele ia resolver isto?

Pensou, pensou e tornou a pensar. Mas nada! Por mais voltas que desse não conseguia encontrar uma solução. Estava tão concentrado que chegou rapidamente a hora do jantar e a mãe foi chamá-lo para a mesa. Sem saber como ia dizer aos pais que o mano nunca mais voltava, muito triste, lá desceu para jantar.

Quando estava a chegar à porta, sentiu algo a agarrá-lo; qual não era o seu espanto quando viu o mano de volta dele. Então o que tinha acontecido? Como é que o mano voltou a aparecer? Que grande confusão!

Afinal o mano tinha ido de manhã muito cedo levar as vacinas e depois tinha ido passear com o avô. Só tinham voltado à tarde, mas o David estava no sótão tão concentrado que não os tinha ouvido chegar.

O David ficou tão contente e tão aliviado! Nunca mais voltava a pedir que o mano fosse embora (por mais chato que o mano pudesse ser).

Aos pais:

É habitual existirem atritos entre irmãos, em particular quando os interesses de cada idade não são os mesmos. Normalmente não é preocupante e mais tarde ou mais cedo eles acabam por ultrapassar as divergências. Os pais podem ajudar ao bom entendimento descobrindo actividades que todos gostem de fazer em família, com oportunidade para todos participarem (jogos de equipa, jogos de tabuleiro, passeios a museus ou bibliotecas). Aproveitem o tempo para se divertirem (e tirem fotos para mostrar).

in manual da criança

quarta-feira, 2 de março de 2011

As crianças podem tomar café?

A história que vou contar passou-se comigo numa consulta e é apenas um exemplo entre milhares. Um exemplo de como os pais desconhecem ou ignoram os efeitos de alguns produtos no organismo dos seus filhos. E digo ignoram porque, muitas vezes, apesar de serem por mim informados, continuam a permitir que as crianças os ingiram.

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Há uns tempos atrás, apareceu no meu consultório um indivíduo de trinta e muitos anos, funcionário de quadro técnico bancário (para se perceber que não era um iletrado), cujo objectivo era perder peso.

Na história alimentar que lhe fiz, interroguei-o acerca do número de cafés que tomava, não porque este contribua significativamente com calorias, mas para saber a quantidade de açúcar que eventualmente poderia contribuir para a ingestão calórica diária. Embora me tenha respondido que o não usava no café, referiu que tomava sete a oito por dia. Sabendo que esta bebida pode trazer alguns benefícios para a saúde se forem tomadas duas ou três chávenas por dia, mas que em quantidade superior pode causar agitação, irritabilidade e insónias, disso informei o paciente e aconselhei-o a reduzir a dose diária.


Disse-me que se o fizesse teria que substituir o café por uma bebida de cola (cujo nome omito para não criar mal-entendidos), uma vez que era completamente dependente da cafeína. Perante tal inflexibilidade em mudar de hábitos, sugeri que então ao menos usasse a versão light ou diet que pouco ou nada influenciariam o plano alimentar para perda de peso.


Rematou convictamente desta forma: "Não, não! Não vou deixar de ter essa bebida em casa porque tanto eu como o meu filho somos viciados!..." Ao que eu, já a imaginar algo, perguntei: Que idade tem o seu filho? A resposta veio pronta e surpreendente: "Dois anos e meio". Fiquei atónita , embora na realidade, não fosse uma surpresa total. Perguntei então: Tem noção do que acabou de me dizer? Há pouco referiu-me que se não tomasse sete ou oito cafés por dia, teria que os substituir por cola para "funcionar". Percebe agora o que está a dar ao seu filho?


Infelizmente, este caso não é a excepção que confirma a regra, é mesmo a regra! Nos festivais aéreos da Red.Bull vi inúmeras crianças a beberem esta bebida como água, apesar de conter mais do dobro da cafeína de uma cola e tanta como alguns cafés! Efectivamente, raros são os lares onde colas ou ice-teas não existem no frigorífico e despensa, como bebida que faz a vezes da água ou mesmo do leite. Além de contribuírem para o aumento de peso por serem calorias líquidas e de muitas vezes substituírem o leite ou os iogurtes privando o organismo de proteínas, cálcio, fósforo e outros nutrientes, estas bebidas contêm cafeína ou teína, substâncias estimulantes com acção a nível do sistema nervoso central e com efeitos deletérios na saúde das crianças.


É natural que as crianças pareçam ansiosas, irritadas, hiperactivas ou tenham insónias se consumirem este tipo de bebidas. Não pode é parecer natural que os pais o permitam!

Paula Veloso

in Educare