terça-feira, 27 de maio de 2014

Pedro Strecht: "As crianças precisam de paz"

Preservar os mais novos das discussões e dos conflitos é bom para toda a família. Saiba como actuar.

O número de casais portugueses que se separa tem vindo a aumentar de ano para ano. Com a última alteração à lei do divórcio as estatísticas registaram mais divórcios que casamentos. Pedro Strecht, pedopsiquiatra, diz que no seu consultório recebe muitos pedidos de ajuda e de aconselhamento. Por isso decidiu escrever um livro, a que chamou 'Dá-nos a Paz', publicado pela Assírio & Alvim, onde responde às principais dúvidas dos casais que passam por um divórcio onde existem filhos. Aqui ficam algumas das dúvidas que com mais frequência lhe chegam.

É melhor evitar a todo o custo uma separação só para se manter a imagem de uma família unida? Há pais que prolongam demasiado situações irreversíveis para as suas vidas, atingindo, por vezes, o limiar do insuportável, só para manter uma ideia de família nuclear, não importa a que preço. Nunca é bom prosseguir situações que não são verdadeiras e que fragilizam emocionalmente.

Mesmo quando se julga estar a actuar no superior interesse das crianças? É sempre negativo viver cenários de mentira e fachada. Isso pode deixar os mais novos desprotegidos perante a possibilidade de interiorização de modelos de relação patológicos, existindo o risco de se desenvolver a imagem de um pai ou uma mãe demasiado impulsivo ou agressivo ou, pelo oposto, excessivamente frágil e indefeso. Se os pais não estão bem na relação mútua, também não estão suficientemente fortes e disponíveis para os filhos. É útil lembrar que os filhos não são almofadas psíquicas que sirvam para amparar episódios repetidos de mal-estar, agressividade ou conflito entre os pais. As crianças não devem ser pretextos para desculpas ou inexistência de decisões que competem aos adultos tomar. Em casos de vivências diárias muito complexas ou negativas para o equilíbrio dos mais novos, uma separação pode ser, potencialmente, um alívio ou solução do problema.

Qual a melhor altura para comunicar a separação? Não existe o momento ideal. A questão do tempo é algo que deve dizer respeito à vida dos adultos e à sua capacidade para sentirem que são capazes de o fazer.

Há alturas em que as crianças e adolescentes podem ser poupados à revelação da situação? Por exemplo, momentos que estão muito próximos de etapas ou vivências importantes para os filhos, como a proximidade da época de exames, a perda ou morte próxima de um familiar, a recente entrada para a escola.

Há alguma maneira especial de comunicar uma separação aos filhos? A melhor maneira é ir directo ao assunto. As palavras devem ser simples, mas francas. De início, as explicações não precisam de ser muito elaboradas. Deve-se sempre assegurar que o amor dos pais pelos filhos não cessa ou termina por acabar a relação. É fundamental transmitir a ideia de que as crianças não têm que tomar parte do conflito. Para além de tudo isto é importante ouvir o que os filhos têm para dizer, responder às suas dúvidas e deixá-las expressar livremente os seus sentimentos.

Quem o deve fazer? Devem ser sempre os pais a comunicar a separação. Se possível é importante que os dois possam estar presentes. Se, de início, a decisão for unilateral, deve ser o progenitor que assumiu a situação fazê-lo. No entanto, há pais que nunca assumem a quebra da relação, mesmo quando esta implica a sua saída de casa ou o início de novas relações. Nesses casos, cabe a quem fica mais perto comunicar a separação.

A separação provoca sempre sofrimento emocional nos filhos? Qualquer separação implica a necessidade de um longo trabalho emocional de adaptação a uma nova realidade, com perdas, ausências, reajustes, que nem sempre são fáceis para quem os vive. Mesmo quando os filhos se apercebem de um clima anterior de zanga, conflito, frieza ou indiferença entre os pais, é vulgar existir uma expectativa de mudança, de regresso a um qualquer ponto anterior ou quase original do relacionamento dos pais. No entanto, quando a relação do casal é tão abertamente conflitual ou agressiva, quando um dos pais é reconhecido pelos filhos pela perturbação da qualidade de relação é que o sofrimento provocado por uma separação é minorado. Não só pela sensação de protecção e alívio como pela diminuição ou mesmo desaparecimento desse foco de mal-estar diário. Um sofrimento não resolvido pode ser a base de perturbações importantes e duradouras na infância e adolescência.

Há separações que deixam marcas para sempre? A forma como uma separação pode deixar marcas duradouras nos filhos depende sempre da maneira como os adultos souberam preservar os mais novos do impacto negativo da situação.

Devem os filhos saber todas as razões da separação? É útil e necessário existir uma distinção de gerações, de estatuto e de papéis entre os mais novos e os mais velhos. Pais e filhos podem e devem partilhar entre si múltiplas áreas das suas vidas, mas deve também manter-se sempre uma diferença entre partes que são específicas de cada um. Pais e filhos não devem ser companheiros, nem confidentes uns dos outros. Das razões que levam a uma separação haverá sempre algumas que se podem transmitir aos filhos, mas haverá outras que só ao casal importam.

A custódia partilhada é o modelo ideal? Simboliza, acima de tudo, uma responsabilidade conjunta no exercício das responsabilidades parentais. Representa a possibilidade de, com em igual peso, ambos os pais poderem decidir sobre o que desejam para os filhos. Mas também exige uma boa capacidade de comunicação e diálogo entre os pais, mesmo quando há conflitualidade e distância.

Hoje em dia, existe a tendência para se ligar a ideia de custódia partilhada à divisão igualitária de tempos de contacto com o pai e com a mãe. Não é verdade e muito menos representa sempre o modelo ideal. Para muitas crianças e adolescentes, repartir a casa do pai e da mãe implica uma certa maturidade emocional, uma boa segurança e autonomia em relação às figuras principais de vinculação e, muitas vezes, a capacidade de gestão autónoma de questões de organização diária, como roupa e material escolar, entre outras. Esse modelo não é aconselhável em crianças de muito baixa idade, sobretudo nos primeiros três a seis anos de vida, pois são muito dependentes e autolimitados nas suas tarefas de autonomia, nas referências espaciais e temporais, na linguagem e até na própria relação, mesmo quando ela passa pela comunicação verbal.

Depois da separação, é proveitoso continuarem a estar todos juntos em fins-de-semana, férias ou noutras ocasiões? Se existe uma separação, então não é bom falsear a situação perante os filhos. Eles esperam dos pais uma posição de clareza e honestidade que lhes reforce a confiança e a segurança relacional e que, mesmo sendo difícil de assumir ou transmitir, é mais positiva do que a falsidade, a omissão ou a distorção. Há situações em que os pais podem e devem comparecer em conjunto, como nos aniversários, reuniões ou festas escolares ou outras que as crianças solicitarem.

"Cândida Santos Silva"

domingo, 25 de maio de 2014

Topo Gigio - Oh Sole Mio


As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.


1.As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.

2. As regras da mãe e do pai, para serem saudáveis, não podem ser (milimetricamente) iguais. Precisam de zonas de tensão, climas duma certa aragenzinha do género: “Querem lá ver que me está a desautorizar...” e de muita manha das crianças: quer quando falam para dentro e, duma forma angélica, presumem que se o pai não disse que não (mesmo que não tenha conseguido discernir a pergunta) é porque está de acordo com ela, quer quando dizem à mãe (tipo cachorro abandonado): “Eu queria uma coisa... mas tu não vais deixar...” (que, depois de repetida três vezes, faz com que qualquer mãe diga “Sim!!!!!!” seja ao que for). Para serem saudáveis, as regras da mãe e do pai não têm que ser um exemplo de unicidade. Precisamente, unicamente, de encontrar nos gestos de um e do outro um mínimo denominador comum.

3. As regras dos pais, ao pé das dos avós, têm sempre “voto de qualidade”. Que as regras dos avós sejam açucaradas é bom; até porque traz contraditório a alguns excessos dos pais. Que em presença de um dos pais, valham as regras dos avós, não há melhor incentivo à confusão.

4. Para as regras dos pais serem apuradas, eles precisam de esgotar, de vez em quando, as quotas de parvoíce a que todas as pessoas têm direito. Pais que nunca se enganam podem ter como aspiração ser bons governantes... Mas são maus pais.

5. Todos os pais, de coração grande, têm (por isso mesmo) a cabeça quente. Exageram, portanto, algumas vezes. Mesmo quando, duma forma ternurenta, mandam as crianças de quarentena para o quarto para pensarem nas asneiras que fizeram (que, à escala do crime económico, vale tanto como desterrar um infrator nas Ilhas Caimão para reconsiderar sobre tudo aquilo que subtraiu à margem da Lei).

6. As regras não se explicam, não se negoceiam nem se justificam. Muito menos, constantemente. Explicação será exceção. A baliza de referência para todas as regras serão os comportamentos dos pais: não é credível que os pais exijam aquilo que eles próprios, um com o outro ou com terceiros, não façam, regularmente.

7. As regras exigem-se. Não se solicitam. E essa exigência deve fazer-se de forma firme e serena.

8. Às regras não se pode chegar depois de muitas ameaças, admoestações ou avisos. E, muito menos, com decibéis em excesso ou na companhia dum olhar assustado por parte dos pais. Se fosse assim, os pais exigiriam serenidade e bom senso com a boca e alarmismo, inflamação e ira, com o seu olhar (ora hostil ora assustado). E, num caso desses, as crianças assustar-se-iam e, em função disso, tenderiam a reagir como um animal encurralado...

9. Autoridade é um exercício de bondade. Exercê-la a medo é pedir desculpa por ser bondoso.

10. Depois duma criança ser avisada duas vezes, as regras dos pais têm de se cumprir. Isto é, têm mesmo de ser levadas a efeito. Ora, se os pais avisam e não cumprem, se avisam e reagem a uma falha com mais avisos, ou se avisam e, de seguida, são desmedidos no exercício da sua justiça, tudo fica confuso e inconsequente.

11. Os pais não podem zangar-se como quem promove pagamentos por conta. Na versão do velho Oeste isso significaria: dispara primeiro e pergunta depois. Isto é: não podem zangar-se por antecipação, na esperança de que isso promova a justiça. E não podem, diante duma mesma infração, hoje, zangarem-se e, amanhã, nem por isso. Porque, ao acumularem zanga, deixam passar situações que precisariam de ser claramente repreendidas para que reajam, mais tarde, diante doutras quase insignificantes. À escala da política tributária, isso significaria zangas com juros de mora. E ninguém consegue ser justo cobrando juros sobre juros a quem quer que seja...

12. Sempre que os pais se sentem muito magoados diante dum qualquer ato dum filho, estão proibidos de reagir num impulso. É melhor parecerem vacilar em tempo real e, depois da mãe e do pai conferenciarem, mais logo, ao jantar, a coima ser clara e inequívoca.

13. A regra será: sempre que o comportamento dos filhos magoe os pais eles estão obrigados a reagir. Sempre! Magoar os pais e não ter − numa repreensão, num castigo, ou numa palmada no rabo, excecional − uma forma de sinalizar o mal que se faz aos pais, através, da dor, como um interdito, é acarinhá-lo, por omissão. No entanto, nenhuma criança se torna má sem que os pais - por aflição, por exemplo - não promovam, sem querer, várias maldades.

14. Atribuir-se a culpa dos atos duma criança ao outro dos pais ou aos avós, por exemplo, é uma forma de fugir à responsabilidade. Em caso de dúvida em relação às regras da mãe e do pai, ou dos pais e dos avós, todas as crianças elevam a fasquia das asneiras, na ânsia de verem os pais, sempre que elas passam por um nível seguinte, a conseguirem ser justos.

15. Diante das asneiras das crianças, vale pouco que os pais abusem nos castigos. Se os castigos forem ocasionais e adequados à infração, nada se perde. Se forem desmedidos ou repetidos são insensatos. Na verdade, sempre que os pais dominam a situação, em tempo real, os castigos deixam de ser precisos logo que os pais passam de verde para amarelo.

16. Se os pais exercem a autoridade a medo, assustam. Pais assustados, tornam as crianças assustadiças. Isto é, capazes de reagir de forma desafiante sempre que se sentem encurraladas entre os seus medos e os medos dos pais.

17. Se os pais exercem a autoridade de forma pesada e deprimida, assustam, também. Porque à tristeza contida dos pais chama-se hostilidade. E essa hostilidade, associada a um ralhete, onera uma repreensão com sobretaxas que se tornam enigmáticas (e injustas) para as crianças.

18. Se os pais, em vez de se zangarem, ameaçam que ficam tristes, estão a dizer às crianças que elas os magoam (e isso, regra geral, elas já sabem). E, claro, que são de porcelana, quando se trata de as proteger e reagir. Pais deprimidos são, por isso mesmo, mais abandónicos do que parecem. São amigos do queixume, mas pouco pais, portanto.

19. Se os pais não se zangam mas amuam, estão a fazer duma família uma escola de rancores. Rancor é ressentimento e ira, numa relação de dois em um. E isso torna os pais mais assustadores do que quando se esganiçam e exageram.

20. Por tudo isto, é claro que por trás duma criança difícil está um adulto em dificuldades. Mas por trás duma outra exemplar estão pais mais ou menos tirânicos. Da mesma forma, por trás duma criança certinha está alguém mais ou menos assustado que, por exigências exageradas, ainda não pôde experimentar que a função fundamental dum filho é pôr problemas aos pais.

21. A autoridade é um exercício de bondade. Aceita-se quando nos chega pela mão de quem nos ama ou das pessoas que admiramos. Mesmo que as crianças, num primeiro momento, a desafiem, que é uma forma de, por cada não (“não me doeu”, “não ouvi”, e assim sucessivamente) afirmarem (que ela só tem sentido) duas vezes. Seja como for, a autoridade pressupõe sabedoria, bondade e sentido de justiça. E nenhuma criança, nenhuma mesmo, a rejeita. Mesmo que ela chegue mediada por alguma dor. Ninguém aprende sem alguma dor.
Como eu gosto dizer, a dor é o sal da sabedoria.

Autor: Eduardo Sá
in pais&filhos 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

As Crianças e os seus Segredos

Trabalhar com emoções e sentimentos da arte-terapia ainda é pouco comum nas escolas. Técnicos realçam potencialidades do método para identificar problemas.

O lápis e o papel branco. A arte-terapeuta Mónica Mariano começa com o material mais familiar para se dar a conhecer ao grupo de seis crianças do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico. Os mais pequenos desenham e são estimulados a falar do que lhes vai na alma. Do papel para o barro, do barro para pinturas em papel cenário. Constroem-se casas em cartão, usam-se aguarelas para controlar as tintas mais líquidas. Há berlindes colocados na folha no momento do desenho para que se lide com a frustração de não se conseguir pintar o que se quer. Neste momento, a arte-terapeuta trabalha com marionetas numa das EB1 de Loulé, no Algarve. Mónica Mariano está a realizar o estágio do curso de arte-terapia. Pediu à escola de Loulé que indicasse quais os alunos que tinham problemas ao nível da aprendizagem e do comportamento. Entrevistou as crianças e os pais e selecionou o grupo com o qual trabalha algumas horas por semana.

É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mónica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mónica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui.

Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."

Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percecionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspetiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão recetivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande recetividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.

Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projeto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projeto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma.

Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afetos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas atividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas atividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta.

O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projeto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta.

A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objeto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objeto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.

Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a atuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A receção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objetivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."

No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal", remata.

Sara R. Oliveira

domingo, 18 de maio de 2014

A Turma do Balão Mágico e Djavan

Esta música é dedicada a todos os meus Alunos.
Nunca deixem de Sonhar, estudem muito porque só
assim poderão ser Pessoas Livres para concretizarem
os vossos Sonhos, serem Felizes e contribuírem para
um Mundo Melhor e mais Justo, onde cada Ser
Humano possa ser valorizado e respeitado, 
independentemente da cor da pele, religião, 
cultura...onde o SER, prevaleça ao TER, que os 
Valores Morais prevaleçam aos valores materiais. 
Acredito em cada um de Vós meus queridos. 
Creio que, independentemente, da longa "estrada"
que cada um irá percorrer, todos irão 
conseguir concretizar os vossos
 Sonhos, por mais árduo que seja o 
caminho escolhido.
Um ABRAÇO do tamanho do Universo para 
TODOS!!!!
A Vossa professora,
Mariana Emídio



Divisão com um algarismo no divisor


sexta-feira, 16 de maio de 2014

O Planeta Limpo - Vamos Reciclar


domingo, 11 de maio de 2014

Bom Domingo na companhia do Topo Gigio!!!


sábado, 10 de maio de 2014

A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES


Segundo o Expresso, os problemas de saúde mental nas crianças parecem estar a aumentar. Em 2013 registaram-se cerca de 20 000 novas consultas de pedopsiquiatria, mais 30% que em 2011. É um indicador preocupante e ainda mais preocupante pela inexistência de resposta adequada e acessível para muitas crianças e adolescentes.
Recordo que em Março foi noticiada a interrupção dos apoios a crianças e adolescentes da região do Algarve pois o programa de que beneficiavam, Grupos de Apoio à Saúde Mental Infantil, que já tinha merecido prémios de boas práticas, foi suspenso em vez de ser generalizado. Esta suspensão foi obviamente sentida com grande inquietação por famílias e profissionais.
Em 2012 esteve em Portugal um especialista nesta área, Peter Wilson, que, naturalmente, referia a necessidade de que nas escolas e na comunidade próxima existam apoios aos professores, às famílias e às crianças com dificuldades emocionais, a única forma, entende, apoiado na sua experiência, de minimizar e ajudar neste tipo de problemas que, não sendo acautelados, têm quase sempre efeitos devastadores em termos pessoais e sociais. Segundo Peter Wilson, os estudos em Inglaterra sugerem a existência de três crianças com problemas do foro emocional em cada sala de aula pelo que o apoio é muito mais eficaz e económico prestado na escola ou na comunidade próxima a alunos, famílias e professores. Este entendimento é partilhado, creio, pela generalidade dos profissionais e famílias, também em Portugal e os dados hoje divulgado pelo Expresso sublinham esta ideia.
Suspender um programa de apoio a situações de doença mental em crianças e adolescentes, reconhecidamente de qualidade, é algo de inquietante.
No entanto, não é a única razão de inquietação neste universo.
Há alguns meses a imprensa referia a inexistência de camas nos serviços de pedopsiquiatria que possam acomodar adolescentes em tratamento o que leva a que em muitas circunstâncias adolescentes sejam internados em serviços de adultos o que na opinião dos especialistas pode ser uma experiência "traumatizante" sendo, aliás, contrárias às boas práticas de qualquer país civilizado em matéria de saúde mental. A propósito recordo que de acordo com o relatório "Portugal Saúde Mental em Números 2013", só 16,2% das pessoas com perturbações mentais ligeiras e 33,8% das que sofrem de perturbações moderadas recebem tratamento em Portugal.
Por outro lado é também conhecida a enorme dificuldade que muitas instituições que acolhem menores estão a passar dificultando a resposta com a qualidade bem como a possibilidade de responder a novas situações.
Está nos livros e nas experiências que em situação de crise os mais vulneráveis, crianças e adolescentes, por exemplo, são, justamente, os mais sofredores com as dificuldades.
Miúdos que estão em famílias ou chegam às instituições e necessitam de um aconchego, um ninho e uma qualidade de vida que a família, por diversas razões, não sabe, não quer ou não é capaz de providenciar, podem sofrer uma nova penalização com riscos fortíssimos de compromisso do seu futuro.
As crianças e adolescentes com perturbações da sua saúde mental, casos em crescimento, precisam, imprescindivelmente de ser acolhidos e apoiados de forma adequada. Essa é também uma responsabilidade das comunidades e de quem lidera.
Como o povo diz, sobra sempre para os mesmos.

José Morgado
in http://atentainquietude.blogspot.pt/ 


sexta-feira, 9 de maio de 2014

A piscina do Popeye


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Diagrama de Carroll e de Venn


terça-feira, 6 de maio de 2014

Multiplicação de Frações


sábado, 3 de maio de 2014

Preposições


Advérbios


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Diagrama de Venn