A dislexia (do grego: dus = difícil, dificuldade; lexis = palavra.) é um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração.
A dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10 a 15% da população mundial é disléxica.
Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição socio-económica ou baixa inteligência. Ela tem sido vista como uma condição hereditária devido a alterações genéticas mas tal só acontece numa pequena percentagem de casos. Ela também é caracterizada por apresentar alterações no padrão neurológico.
Sintomas (sumários)
Tem sempre:
-dificuldades em escrever;
-dificuldades com a ortografia;
-lentidão na aprendizagem da leitura;
Muitas vezes :
-disgrafia (letra feia);
-discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;
-dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização’;
-dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar sequências de tarefas complexas;
-dificuldades para compreender textos escritos;
-dificuldades em aprender uma segunda língua.
Algumas vezes:
-dificuldades com a linguagem falada;
-dificuldade com a percepção espacial;
-confusão entre direita e esquerda.
LEITURA
- O disléxico tem uma deficiência na decodificação dos símbolos escritos, o que os impossibilita de compreender o significado de um texto.
- Quando lê, a sua tensão está voltada para o código, em consequência, esquece do sentido do que acabou de ler.
- A velocidade normal de leitura de uma palavra é de 200 a 300 milisegundos. O disléxico leva em 600 milisegundos.
- A maioria dos disléxicos tem também disgrafia, que é a letra "muito" feia.
- Possuem também dispraxia (pouca eficácia motora), em consequência não conseguem organizar-se no espaço da folha do caderno. As letras geralmente variam de tamanho e parecem “pular” das linhas.
- Lê sem respeitar a pontuação e “junta” palavras pois, devida ao seu problema de sequenciação, não identifica o final delas.
- Pouco domínio do sistema ortográfico, pois possui a dificuldade de identificar, descriminar, escolher a representação gráfica.
ESCRITA
- Pouco domínio do sistema ortográfico, pois possui a dificuldade de identificar, descriminar, e escolher a representação gráfica.
- O disléxico não consegue transformar seus pensamento em palavra escrita.
Elaborar um texto é extremamente laborioso, com muita dificuldade em construir sequências e parágrafos num sentido lógico-gramatical. Em consequência o texto sai extremamente pobre, discrepante com o conteúdo da sua imaginação, que geralmente é muito criativa.
- Como sua leitura é muito lenta, demora muito tempo para elaborar cópias.
- Devido ao seu problema com sequenciação, não consegue usar dicionários, tem muita dificuldade, pois a informação inverte na hora em que é trazida.
- Não consegue decorar regras gramaticais, graças ao problemas com memória imediata e consequentemente, de trabalho.
- Dificuldade na expressão oral, principalmente se for uma resposta rápida. A linguagem oral também depende da habilidade fonológica, pois para isso é necessário que se vá até o “dicionário interno”, selecione os fonemas apropriados, ponha-os em sequência lógica e o expresse a palavra.
COMO AJUDAR .
Permitir fazer redações gravadas ou ditadas por outra pessoa.
Permitir a redação em duplas: um pensa o outro escreve e depois inverter.
Permitir o desenho colorido de uma redacção, do seu começo, meio e fim e depois representar esses desenhos em palavas.
Permitir o uso de cópias de caderno de colegas, da matéria dada.
Permitir o uso de gravador para determinados momentos da aula.
Permitir alternativas á leitura de livros, como filmes, peças teatrais, livros-áudio.
Permitir que a “prova” do livro seja um desenho, uma colagem, ou qualquer outro meio alternativo de expressão.
Permitir o uso de computador para elaborar textos.
Ultilize material visual, como fichas coloridas.
Permitir provas com consulta se o assunto for regras gramaticais.
Diminuir a carga dos trabalhos de casa.
Permitir fazer avaliações com tempo extra, sozinho e com tutor para explicar o que cada questão esta solicitando.
As avaliações devem conter poucas questões, com enunciados claros e simples.
Evitar situações constrangedoras, como por exemplo, pedir para ler em voz alta.
(Baseado in Alcino Silva do Moodle do Agrupamento Vertical de Ponte de Sor)
Fontes:
Prof. Mário Angelo Brággio – “INCLUSÃO DO DISLÉXICO NA SALA DE AULA”
Dra. Ana Luiza Amaral Borba- psicopedagoga-psicóloga – “COMO LIDAR COM O DISLÉXICO NA SALA DE AULA”
Dr. Jaime Zorzi – fonoaudiólogo- “RELAÇÃO ENTRE ORALIDADE E ESCRITA : PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO Á LINGUAGEM”
Profa. Dra. Alessandra Copovilla, médica pesquisadora USP – “DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E ESCRITA”
Dra Tânia Maria de Campos Freitas –psicopedagoga clínica-“ALTERAÇÃO NO PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA”
Dra. Maria Eduarda F. De Carvalho- psicopedagoga especialista em descalculia - “O RACIOCÍNIO LÓGICO E A MATEMÁTICA”
Dra. Ana Alvarez-fonoaudióloga-“ATENÇÃO, MEMÓRIA E APRENDIZADO”
Dra. Maria Inês Fernandes- fonoaudióloga- “APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA.”
Seminários realizados pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA, 2005.
Sally Shaywitz, M.D.- “OVERCOMING DYSLEXIA”
Marshall-“A GUIDE TO CHILDREN WITH DYSLEXIA”




