quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Maior Flor do Mundo - José Saramago


Problemas com Subtrações


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os Planetas do Sistema Solar


Continentes e Oceanos



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Movimento de Rotação e de Translação da Terra


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Frações Equivalentes


O Alfabeto em português


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Arredondar números até aos Milhares


Arredondar números até às dezenas


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Diagrama de Caule e Folhas




"Os bons pais fazem uma asneira de 8 em 8 horas"


Queremos Melhores Pais!’, somos assim tão maus... é um mote para uma manif de filhos?
Foi uma provocação (risos). Incomoda-me que os pais se desperdicem tanto. Os pais têm a seu favor variadíssimas coisas: têm um imenso bom senso, regra geral, e têm um sexto sentido, absolutamente notável. Repare, há 40 diferentes tipos de choro, e uma mãe não precisa de aulas de compensação para discernir por que é que o bebé está a chorar. Este sexto sentido é o equipamento base da natureza humana. Além disso, os pais tiveram uma infância. E por mais que a infância dos pais não tenha sido cor-de-rosa, deu-lhes um conjunto de competências. Diz-se muitas vezes que os pais não têm tempo, são maus pais. A ideia deste título provocatório é dar-lhes um safanão e dizer-lhes ‘vejam bem o que são capazes! Percam de vez o medo de errar, porque os bons pais para serem bons pais precisam de fazer uma asneira de 8 em 8 horas’, enquanto não chegarem lá não devem perder a esperança. (risos)
Mas os pais não têm medo de traumatizar os filhos com os seus erros?
Pois têm, mas sabe, a psicanálise trouxe para a opinião pública a noção de traumatismo mas não podemos perder de vista que estávamos a falar nas crianças dos finais do século XIX, crianças exploradas durante a Revolução Industrial, com famílias descuidadas, que viviam todas num quarto, com falta de privacidade aos mais diversos níveis. Eram crianças muitas vezes iniciadas sexualmente de forma absurda, precoce, e muitas vezes por alguém da família, por isso quando se falou de traumatismo a questão punha-se neste contexto.
O que os pais têm de perceber é que não é possível crescer sem dor. Receio que muitos pais tenham crescido de tal forma num mundo de autoritarismo, que de repente dizer ‘não’ a uma criança é quase sinónimo de traumatismo. E é precisamente ao contrário. Às vezes, a função de um técnico de saúde mental é dar uns safanões aos pais e dizer ‘deixem-se de tolices, magoem um bocadinho se tiver de ser’. Se magoarmos as crianças dizendo ‘não’, são dores que nos empurram para a frente. Muitos pais querem tanto proteger os filhos das dores, que fazem pior.
Confundimos mimo com sobreproteção?
Sim, o mimo faz muito bem à saúde e ninguém se estraga com mimo, muito pelo contrário. Já perdi a conta às pessoas que por falta de mimo se estragam pela vida fora, o mimo faz melhor que a vitamina do crescimento. Mas mimar não é dar a comida na boca dos filhos quando têm 6 anos, não é adormecer os filhos todas as noites na cama dos pais, não é levar a mochila até à porta da escola como se fossem mordomos... e não é dizer ‘sim’ a tudo.
Fala muitas vezes de jardins de infância tendencialmente gratuitos, de necessidade de bons recreios... Entre o país que desejava ter e o país real vai uma grande diferença?
Enorme. É verdade que somos a melhor civilização que existiu para as crianças, damos-lhes os cuidados e a atenção que seguramente os nossos pais, por melhores que tenham sido, não nos deram, e tenho até medo que em algumas circunstâncias sejamos um bocadinho exagerados nos cuidados que temos com elas, como se de repente, em vez dos pais serem a Entidade Reguladora das Crianças, elas parecessem a Entidade Reguladora dos Pais. Mas, ainda assim, acho que falta muito para nós sermos um país amigo das crianças. Há estudos que dizem que um filho pode custar, a um casal de classe média, até 75 euros por dia, tendo em consideração tudo: educação, vestuário, saúde, atividades extracurriculares... Por isso gostava que os governantes e políticos explicassem aos cidadãos como é possível um casal ter vários filhos até aos 6 anos, sendo os jardins de infância em Portugal mais caros que as universidades privadas. Nunca houve uma perspetiva séria de darmos às crianças a devida importância que elas têm. Só começaram a ser importantes quando começaram a ser vistas como conta poupança reforma, quando se fez contas ao sistema que sustenta a segurança social e se viu que, sem elas, entrava em rotura.
E também não somos um país amigo dos pais!
Não, de todo. Preocupa-me, por exemplo, que não haja um código de direito do trabalho que preveja que as consultas de obstetrícia devam ser tendencialmente obrigatórias para todos os homens que estão a ser pais. Muitas entidades patronais funcionam ainda segundo regras muito próximas da Revolução Industrial. Ainda não perceberam o óbvio, que não é preciso trabalhar muito para se produzir mais, e não fazem aquilo que muitas multinacionais fazem, que é perguntar aos seus novos empregados se têm vida própria, vida familiar, valorizando esses aspetos, porque percebem que essas pessoas que se dividem por mais desafios são pessoas mais competentes. Ou seja, a relação com o trabalho é importante mas a relação amorosa ou com os filhos é muito mais importante e, entretanto, as transformações sociais que são feitas são contra as pessoas...
A necessidade de brincadeira é outro dos seus cavalos de batalha...
A brincadeira das crianças é um património da Humanidade. Brincar devia ser uma atividade obrigatória para todas as crianças, todos os dias. Muitas crianças neste país têm uma agenda laboral que vai para além do razoável. Faz agora anos que eu lancei com uns amigos o Sindicato das Crianças, uma forma caricatural de chamar a atenção para a importância de lutar pela semana de 40 horas para as crianças. Há crianças que passam 55h por semana na escola, desde que abre até fechar, sem contar com atividades extracurriculares e os trabalhos de casa. 
O ranking das escolas foi publicado recentemente, qual é a sua opinião?
Sou contra, e até para tentar ser provocatório costumo dizer se querem rankings então levem isso às últimas consequências. Devia haver nas escolas, logo à entrada de preferência, o ranking dos alunos faladores, por exemplo (risos). Porque falar é um bem precioso. E já agora peguem naquelas crianças a quem morreu o pai, ou que tiveram um transplante ou passaram pelo divórcio dos pais e ponham-nas no quadro de honra, porque elas merecem. Passaram por grandes dificuldades mas no ano seguinte comeram a relva e fizeram um esforço terrível para ter um nível 3 ou nível 4.
Mas vamos lá ver, eu não tenho nada contra as crianças terem boas notas, isso é muito bom, mas também ter boas notas como filho, porque já vi muitas crianças que têm boas notas mas depois são de uma arrogância com os pais... as pessoas estão a dar importância única e exclusivamente às notas das disciplinas e esquecem-se de tudo o resto.
E estamos a pôr todos os alunos no mesmo saco, os privilegiados e os que nada têm, não será injusto?
Comparar escolas públicas com privadas é batota, comparar escolas de meninos com pedigree com escolas do interior onde não há aquecimento nas salas, em que os professores pagam o material escolar, isto é uma maneira de andarmos a mentir uns aos outros. Atualmente, se uma criança tirar uma negativa é um pecado, então errar também não é aprender? Há tantas condicionantes no dia a dia, um mau professor, a vida familiar que é de tal modo um inferno que não há cabeça para aprender as coisas na escola...
Vemos os nossos filhos como um reflexo do nosso sucesso... ou falhanço?
Mas isso é mau, eu costumo dizer que nós começamos a ser pais ali por volta do terceiro filho, o primeiro é sempre uma criança em perigo, porque se mistura a nossa história de vida, porque se mistura os pais que nós tivemos, muitas das coisas que não gostámos dos nossos pais, misturamos os nossos sonhos no sentido de construir um filho tão perfeito que às vezes são mais os nossos enredos do que a singularidade do nosso filho. No primeiro filho somos todos muito frágeis, ingénuos, e suscetíveis a fazer erros... e precisamos de os fazer para conseguirmos ser pais. Por isso é que os avós fazem um figurão, já fizeram tantas asneiras que agora brilham facilmente. Tudo fica mais fácil quando os pais erram e percebem que podem fazê-lo. Porque quando os pais erram de uma forma quase tímida e querem ser tão perfeitos para os proteger e dar-lhes o sucesso que eles próprios não tiveram, estão, sem se darem conta, a transformá-los num troféu... muito mais do que criar as condições para que as crianças tenham uma vida de acordo com os sonhos delas próprias.
E por isso há tantos pais a ‘estudar’ com os filhos, a fazer os TPC com eles?
Para já sou contra os TPC, eles já estão muito tempo na escola e não vão aprender em casa o que não aprenderam na escola. Se o TPC for ir ao supermercado aprender a fazer trocos, tudo bem, se for 20-30 minutos tudo bem, mais do que isso nunca... E sempre com autonomia, sozinhos, de outra forma estamos a dar a mensagem errada.
A crise económica não nos tornou piores pais? Discutimos mais, perdemos as estribeiras mais facilmente, andamos preocupados stressados...
Sim, claro sim, mas, eu peço desculpa pelo que vou dizer, é quase humor negro, mas acho que há um lado bom na crise, porque vai tirar megalomania onde ela antes existia, a euforia era tão grande, tudo parecia ter um preço. A crise vai criar sofrimento nas famílias, é certo, mas vai ajudar-nos a perceber se temos ou não temos família e a impor a verdade nas relações. E pode trazer a noção às crianças de que viver não é fácil, e não é no sentido trágico do termo, é aprender a resolver problemas.
Qual é o melhor presente de natal que se pode dar a uma criança?
O pai ou a mãe adivinharem os seus sonhos sem que elas precisem de escrever ao pai natal. Aqui entre nós, vale para as crianças como para os pais. As crianças escrevem ao pai natal porque é uma forma de dizer aos pais ‘orientem-se’, e os pais gostam de ver o brilhozinho nos olhos porque gostam de dar os presentes que eles gostariam de ter quando eram pequenos. Mas os crescidos não escrevem ao pai natal mas estão sempre a espera que os outros adivinhem aquilo que querem ter ou sonham.
O que ainda o surpreende?
A maneira comovente como os filhos e os pais estão à espera de se surpreenderem uns aos outros. Pais, que são crianças crescidas, e que às vezes parecem ter uma parede de vidro a impedir os seus bons gestos de pais. Isto é absolutamente comovente, por mais kms que eu tenha disto, continua a surpreender-me todos os dias.

"Eduardo Sá" in Activa  


 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Leitura e escrita de números por CLASSES, ORDENS e por EXTENSO


Divisão por um número com 2 algarismos no divisor


sábado, 25 de janeiro de 2014

Psicólogos escolares? Psicólogos clínicos?

O trabalho em contexto escolar permite uma intervenção imediata quando as situações são urgentes e uma articulação célere com famílias, quando estas estão presentes, com professores e com outras entidades, que possam contribuir para a resolução dos problemas e que, muitas vezes, até já estão a desenvolver um qualquer tipo de intervenção.

“Tenho uma dúvida quando falam na notícia em psicólogos escolares. Já que são encaminhados das escolas, para clínica privada, centros de saúde, hospitais, etc., tantas crianças, não faria sentido também a contratação de psicólogos na área clínica? Parece-me uma questão que merece alguma reflexão. Obrigada.” Célia Barreiros

Tenho de “fugir” do meu gabinete do “Serviço de Psicologia e Orientação”(SPO) na escola, sempre que preciso de realizar uma tarefa que exija um maior esforço de concentração e que não implique atendimento direto. Sem exagerar, há sempre alguém a bater à porta, um telefone a tocar ou um pedido urgente de atendimento a chegar. Quando, em algum momento, isto não acontece, sou invadida por uma sensação de estranheza e, quase inconscientemente, questiono-me sobre “o que estará hoje a acontecer?”! O trabalho em contexto escolar permite uma intervenção imediata quando as situações são urgentes e uma articulação célere com famílias, quando estas estão presentes, com professores e com outras entidades, que possam contribuir para a resolução dos problemas e que, muitas vezes, até já estão a desenvolver um qualquer tipo de intervenção. Os pedidos são tantos, que muitas vezes o psicólogo é invadido pelo peso da impotência, pois gostaria de atender e acompanhar mais de perto os encaminhamentos que lhe são dirigidos, mas o tempo esgota-se… e o técnico também se esgota, porque é humanamente impossível responder da forma que seria desejável.

Uma explicação para esta sobrecarga a que estão submetidos os psicólogos escolares é dada pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, que defende a existência de mais psicólogos nas escolas (um acréscimo de cerca de 790) para que o rácio desejável e aconselhável de um psicólogo por cada mil alunos seja uma realidade, sobretudo num momento de crise que potencia a procura destes serviços. Este ano, curiosamente, anunciou-se um aumento de cinco vagas, de 176 para 181, mas as escolas foram informadas de que teriam um psicólogo a meio tempo. Para quem trabalha em contexto escolar, este “meio tempo” soa a absurdo, a ridículo, a falta total da noção do que é o trabalho desenvolvido pelo psicólogo em contexto escolar. O que é meio tempo, num mar imenso de solicitações? Se numa fase inicial, quando o serviço dava os primeiros passos, há muitos anos atrás, eram sobretudo os adultos que batiam à porta do SPO, agora são muitas vezes os alunos que tomam a iniciativa e, quando o fazem, as situações são geralmente graves e exigem uma intervenção célere e urgente.

As famílias estão desorientadas, nomeadamente no que se refere à educação dos filhos. Há muitos pedidos que chegam ao SPO que se prendem com a incapacidade de os pais educarem corretamente. Não há dúvida nenhuma que isto é verdade. Por isso, e porque ninguém nasce ensinado, é que muitas vezes o trabalho é desenvolvido com os pais, sendo estes sensibilizados para a importância e urgência de alterarem as suas práticas parentais.

Os psicólogos escolares acompanham o percurso dos alunos e a sua intervenção é muitas vezes iniciada numa fase precoce. Poderia dizer que eles estão na primeira linha de intervenção, podendo contribuir de forma decisiva para que os problemas não se agudizem, encaminhado, quando necessário, para outro tipo de técnicos, nomeadamente psicólogos clínicos, pedopsiquiatras ou pediatras do desenvolvimento. A contratação de psicólogos clínicos faz todo o sentido, até porque está provado que uma em cada quatro crianças/jovens poderá vir a sofrer de problemas de saúde mental. O que não faz sentido é achar que uns excluem os outros. Cada um dos profissionais em questão é necessário, pois têm atuações que se complementam. O que infelizmente acontece é que, também na área clínica, os psicólogos que trabalham em serviços públicos se debatem com o mesmo problema: incapacidade para responder ajustadamente a tantas solicitações!

Adriana Campos in educare 

domingo, 19 de janeiro de 2014

DIVISÃO: COM DOIS NÚMEROS DECIMAIS


DIVISÃO: NÚMEROS INTEIROS


domingo, 29 de dezembro de 2013

SÓ APRENDE QUEM SE RI E SÓ SE RI QUEM NÃO TEM FOME

O Público, na revista de hoje, apresenta um extenso e interessante trabalho sobre o recurso às cantinas escolares em tempo de férias. Do trabalho releva que embora existam crianças que recorrem às cantinas escolares porque frequentam nas escolas Actividades de Tempo Livres, dado que as famílias não têm como resolver o problema da guarda dos miúdos enquanto trabalham, boa parte das crianças e adolescentes encontram na cantina escolar a única refeição consistente e equilibrada a que acedem.
Como se sabe, as carências alimentares atingem muitíssimas famílias, o próprio MEC procurou responder através do PERA - Programa Escolar de Reforço Alimentar, durante o último ano lectivo, são múltiplas as situações de crianças a chegar à escola sem alimentação, sendo que as únicas refeições que a que acedem são as que as escolas proporcionam o que também tem levado justamente inúmeras autarquias a manter abertas nas férias a cantinas escolares o que sustentou o trabalho do Público.
O impacto das circunstâncias de vida no bem-estar das crianças e em aspectos mais particulares no rendimento escolar e comportamento é por demais conhecido e essas circunstâncias constituem, aliás, um dos mais potentes preditores de insucesso e abandono quando são particularmente negativas, como é o caso de carências significativas ao nível das necessidades básicas.
É também reconhecido que as crianças constituem um dos grupos mais vulneráveis e que sofrem maiores consequências das dificuldades sentidas nas suas comunidades e famílias.
Em Maio, um Relatório, "Food for Thought", da organização Save the Children, afirmava que 25% das crianças do terão o seu desempenho escolar em risco devido à malnutrição com as óbvias e pesadas consequências em termos de qualificação e qualidade de vida de que a educação é uma ferramenta essencial.
Em qualquer parte do mundo, miúdos com fome, com carências, não aprendem e vão continuar pobres. Manteremos as estatísticas internacionais referentes a assimetrias e incapacidade de proporcionar mobilidade social através da educação. Não estranhamos. Dói mas é “normal”, é o destino.
Quando penso nestas matérias sempre me lembro da história, umas das maiores lições que já recebi e que já contei várias vezes e que me aconteceu há uns anos em Inhambane, Moçambique. Ao passar por uma escola para gaiatos pequenos o Velho Bata, um homem velho e sem cursos, meu anjo da guarda durante a estadia por lá, me dizer que se mandasse traria um camião de batata-doce para aquela escola. Perante a minha estranheza, explicou que aqueles miúdos teriam de comer até se rir, “só aprende quem se ri”, rematou o Velho Bata.
Pois é Velho, putos com fome não aprendem e vão continuar pobres.


Texto de Zé Morgado in: atentainquietude

domingo, 22 de dezembro de 2013

ADORAMOS VISITAR A BIBLIOTECA!!!





terça-feira, 1 de novembro de 2011

Regras em crise

É urgente que os pais compreendam que ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites.
"Já não sei mais o que fazer... dou-lhe tudo! Ele tem computador, telemóvel topo de gama, televisão no quarto e leitor de MP3."

A elevada frequência com que me tenho confrontado com afirmações semelhantes a esta, tem-me deixado verdadeiramente preocupada. Os pais que fazem afirmações deste tipo têm geralmente filhos problemáticos, sendo frequentemente chamados à escola porque estes não cumprem regras nem respeitam os adultos. Em termos educativos, entramos na onda do dar muito, mas exigir pouco. Muitos dos nossos alunos sabem que o mau comportamento não será penalizado, nem na escola, que infelizmente tem poucos meios para impor autoridade, nem em casa. Depois de dois ou três dias em que o castigo vigora, o coração do pai ou da mãe amolece e, portanto, rapidamente se reconquista tudo o que se perdeu na sequência dos maus comportamentos na escola. Como não há consistência em termos educativos, rapidamente a criança/o jovem volta a apresentar distúrbios de comportamento, porque afinal os castigos, se existirem, são de tão curta duração que a/o leva a aprender que "o crime verdadeiramente compensa". Não é difícil um jovem pensar "Para que é que vou mudar de atitude, se mesmo sendo arrogante e mal-educado poderei usufruir de telemóvel, televisão no quarto e de todas as outras mordomias que felizmente tenho sempre ao meu alcance?". O meu contacto frequente com alunos não me deixa qualquer dúvida relativamente à veracidade da teoria apresentada. Recentemente, devido ao comportamento disruptivo de um grupo de alunos que frequentam um CEF (Curso de Educação e Formação), dizia uma aluna: "Eu estou a esforçar-me por melhorar o meu comportamento, porque a minha mãe me tirou o telemóvel e as saídas com as minhas amigas. Só poderei voltar a ganhar isto, se o meu comportamento melhorar." Outro aluno, cujo pai fora também alertado para a importância de aplicar algumas penalizações em consequência do seu mau comportamento, dizia arrogantemente: "O meu pai não me tirou nada."

Quando estes jovens são encaminhados para o Serviço de Psicologia e Orientação, procuro que os pais compreendam que os filhos não sofrem de nenhum problema psicológico e o processo de mudança passa pelo estabelecimento de regras e limites por parte da família. Ora este processo esbarra de imediato com muitas dificuldades, pois o trabalho que os pais deveriam iniciar nos primeiros anos de vida começa apenas na adolescência, quando a omnipotência e tirania dos jovens já é reinante. Nos primeiros seis anos de vida, a interiorização das regras e a tomada de consciência dos limites são mais fáceis de integrar.

É de sublinhar que alguns destes pais nunca impuseram limites, por considerarem que os comportamentos disfuncionais dos filhos seriam o resultado deste ou daquele problema familiar e não o fruto da inexistência de autoridade; outros, porque dizer "não" e manter o "não" dá muito mais trabalho que dizer "sim". Contrariamente ao que estes pais supõem, no fundo, as crianças gostam de ouvir "não", uma vez que este significa que há alguém acima delas que as ajuda a resolver o que não conseguem resolver sozinhas, e que toma conta delas, protegendo-as contra eventuais riscos.

Usando as palavras do Dr. Daniel Sampaio: "É preciso afirmar, sem subterfúgios, que não se pode educar sem autoridade, quer no contexto da família quer no ambiente da escola. Há temas que não são negociáveis na interação com os filhos: o respeito pelos mais velhos, a proibição da linguagem obscena, o cumprimento dos horários, a obrigatoriedade de trabalhar ou estudar, a manutenção dos limites da privacidade geracional, a necessidade de cumprir em conjunto os rituais familiares (festas significativas, datas de habitual festejo, férias da família), entre outros."*

É portanto urgente que os pais compreendam que ao imporem disciplina desde cedo estão a promover o autocontrolo dos filhos e a ajudá-los a serem capazes de estabelecer os seus próprios limites.

Adriana campos in educare

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um olhar sobre a diferença