quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Galinha Ruiva


sábado, 12 de abril de 2014

Prevenção de comportamentos autolesivos na adolescência


Para que uma criança cresça equilibradamente é de todo importante a existência de uma empatia calorosa, um ambiente organizado, a existência de rituais familiares e de apreciações estimulantes, mas isto não chega… O outro lado, menos cor-de-rosa, também é necessário, diria que indispensável!

“O medo é eu gostar muito de ti e ter medo de te perder”
Letria, J. (2008). “O medo o que é?” Biblioteca José Jorge Letria. Ambar

Todos os pais temem o sofrimento dos filhos! Todos, ou quase todos, os tentam proteger do confronto com a dor. Queremos que a vida deles corra sem percalços e sem sobressaltos e que todas as barreiras, por maiores que sejam, tenham uma característica: a transponibilidade! Antecipamos perigos e tentamos retirar as pedras do caminho, pois sempre é mais tranquilizador imaginar um caminho plano, em que o risco de cair é menor. Nesta tentativa de que tudo seja perfeito, ou quase, esquecemos que é preciso alguma frustração e desconforto para se crescer melhor, para se ser mais além! Para que uma criança cresça equilibradamente é de todo importante a existência de uma empatia calorosa, um ambiente organizado, a existência de rituais familiares e de apreciações estimulantes, mas isto não chega…

O outro lado, menos cor-de-rosa, também é necessário, diria que indispensável! Deste lado menos confortável, encontra-se o “não” e o respeito por este e também o adiamento da recompensa. Para alguns pais é tremendamente difícil dizer “não”, mais difícil ainda é mantê-lo. Por este motivo vemos jovens já bem crescidos a amuar quando são contrariados, e deparamo-nos com professores saturados de alunos que não têm a noção dos limites.

Uma outra dificuldade bem atual é perceber que a recompensa é algo que se conquista e, por isso, até a atingir é preciso um esforço, que se tem de prolongar no tempo. Vivemos numa época em que tudo é para ontem, em que se tem tudo, mesmo com provas dadas de que a recompensa não é merecida. “Resolvi atribuir-lhe uma mesada para ver se sobe as negativas.” “Instalei-lhe uma televisão no quarto, para ver se o seu mau comportamento na escola se altera.” Estas são afirmações verídicas de pais que sempre deram tudo aos filhos e que quase nunca exigiram algo em troca. Geralmente estes jovens têm grandes dificuldades de auto controlo e de gerir a frustração! Estes filhos vão crescendo e os pais comentam: “Como é possível que este meu filho, que sempre teve tudo, me dá cada vez mais problemas?”.

Terminei o último artigo, comportamentos autolesivos na adolescência, afirmando que retomaria o tema, com o objetivo de dar sugestões de prevenção deste tipo de comportamentos. Uma vez que refletir sobre uma etapa de desenvolvimento implica quase obrigatoriamente pensar nas anteriores, fui “obrigada” a fazer esta longa introdução inicial, porque prevenir comportamentos de risco na adolescência implica que o trabalho comece logo nos primeiros anos de vida. Na adolescência há também aspetos muito importantes a ter em consideração, que passarei a referir.

Os adolescentes deixaram de ser crianças. Por este motivo, a relação e a comunicação devem ajustar-se a esta mudança. Quando o adulto não concorda com o adolescente, podem ocorrer situações de grande conflito e uma comunicação tensa. Como agressividade gera agressividade, é fundamental evitar que as discussões entrem em escalada. Remeter para mais tarde a continuação da conversa pode ser muito mais ajustado, pois a zanga diminuiu e os argumentos poderão estar mais claros e definidos. Os adultos devem sempre ouvir a opinião dos mais jovens, cedendo em questões secundárias, mas nunca em questões que se relacionem com a saúde e a segurança.

Conhecer os amigos dos filhos e ajudá-los a selecioná-los cuidadosamente é outro aspeto importante. O grupo de pares é determinante nesta faixa etária e por isso toda a atenção é pouca! Os pais devem promover uma relação de cumplicidade com os filhos adolescentes, mantendo-se atentos aos seus interesses e à sua vida e tentando manter uma ligação de proximidade que ultrapasse o período da noite, quando há o reencontro familiar. Esta ligação pode ser mantida através de telefonemas, e-mails, convites para almoçar ou para outros “programas”.

Termino com muito ainda por dizer, mas não posso alongar-me mais. Acrescento apenas e pegando na definição de medo com que iniciei: o medo de impor limite aos filhos, com medo de os perder, leva a que aumente exponencialmente o risco de isto vir a acontecer.
"Adriana Campos" in
Educare 

sábado, 29 de março de 2014

Texto Dramático


sexta-feira, 28 de março de 2014

Diz-me quem sou... e eu sê-lo-ei

As crenças dos jovens relativamente à sua capacidade para aprender, a sua motivação para a escola e para a aprendizagem e as suas expetativas no domínio académico podem ser influenciadas positiva ou negativamente pelos pais e pelos professores.

Quando as crianças têm expetativas positivas face à escola, a si próprias e à aprendizagem, poderão integrar-se melhor e aprender com mais facilidade. Tanto as escolas como as famílias têm grandes responsabilidades na promoção dessas expetativas.
No que à integração na escola diz respeito, se os estabelecimentos de ensino têm um papel central a desempenhar, criando um ambiente acolhedor, o papel dos pais não é menos importante.
"Na escola é que te vão ensinar a andar na linha!"
"A professora tem lá uma régua para quem se porta mal."
Frases como estas, ao invés de gerarem expetativas positivas, dão lugar ao medo.
Expetativas negativas face à aprendizagem e crenças negativas relativamente à capacidade pessoal podem ser desenvolvidas através de frases também muito comuns. Por parte dos pais ou de outros familiares, ouvem-se com frequência afirmações idênticas às seguintes:
"Matemática? Eu nunca dei nada e tu sais a mim, de certezinha."
"Trata de te portar em condições na escola. Já bem basta não seres esperto para aprender."
Os professores também deixam escapar alguns comentários menos felizes, sem sequer disso se aperceberem. Alunos que, fruto de esforço pessoal, obtêm resultados melhores num trabalho ou num teste são "recompensados", com alguma frequência, com observações como estas:
"Fizeste este trabalho sozinho ou alguém te ajudou?"
"Copiaste no teste?"
À força de tanto ouvir coisas destas, as crianças acabam por acreditar nelas e a profecia realiza-se. Convencem-se da sua falta de capacidades e é meio caminho andado para notas más a Matemática ou a outras disciplinas.
As crenças dos jovens relativamente à sua capacidade para aprender, a sua motivação para a escola e para a aprendizagem e as suas expetativas no domínio académico podem ser influenciadas positiva ou negativamente pelos pais e pelos professores. Se eles tiverem consciência disso, poderão ajudar muito os seus educandos, contribuindo para que eles acreditem em si próprios e se sintam capazes de aprender e com vontade de o fazer.
Armanda Zenhas in Educare 

domingo, 23 de março de 2014

Cadeia Alimentar Simples


   No exemplo acima podemos observar que o produtor é um organismo autótrofo, o consumidor primário é um organismo que se alimenta somente de vegetais, que neste exemplo é a borboleta e o consumidor secundário é o sapo que se alimenta da borboleta.


        Na imagem acima temos o exemplo de outra cadeia alimentar, na qual o produtor é a cenoura, o consumidor primário é o coelho que se alimenta da cenoura e o consumidor terciário é o lobo, que se alimenta do coelho.

sábado, 15 de março de 2014

Como incentivar o seu filho a estudar

Acompanhe de perto o percurso escolar dos seus filhos.
Sem "exagerar", comunique regularmente com o professor, não apenas para falar do rendimento escolar, mas também da sua integração e motivação, entre outros temas.
Não se esqueça que a tarefa de formar uma criança é uma tarefa repartida entre a família, a escola e os outros elementos que com ela interagem.

No processo de aprendizagem o sujeito é o aluno. Por isso, não basta que os professores expliquem e exijam, é preciso que os alunos realizem o trabalho correspondente de aprender.

Neste "trabalho", estudar é uma acção necessária para a educação intelectual que inclui:
- aprender a pensar;
- adquirir a capacidade de discernimento para ser um adulto que saiba, conscientemente, fazer as suas escolhas;
- obter a cultura que, se é autêntica, é uma forma de viver, entre outros.

Um dos objectivos fundamentais da acção de estudar é conseguir a educação para o trabalho, que as crianças e jovens reconheçam o papel do trabalho nas suas (e nossas) vidas.
É, portanto, necessário saber motivar os seus filhos para o estudo e conseguir que eles queiram e saibam fazê-lo.
Como? Os factores primordiais são um bom ambiente de trabalho e a harmonia familiar.

Quando na família se respira um clima de trabalho equilibrado, quando os pais tornam os filhos participantes das suas aspirações profissionais, na medida em que as podem entender, quando o trabalho ocupa um lugar objectivo e é aceite numa atitude de serviço, então, o ambiente familiar é uma motivação muito grande para os estudos.

Não reduza a educação ao êxito escolar como primeiro passo do futuro êxito social. O mais importante não é, exclusivamente, ter excelentes notas. Há que - mais uma vez, racionalmente, sem excessos - ter em conta os motivos, as convicções e as preferências de cada criança/jovem.

Para que o estudo seja um trabalho educativo devem colocar-se em jogo as faculdades pessoais, ou seja:
- estudar deve ser uma acção feita de livre vontade;
- o estudante deverá assumir a responsabilidade da própria tarefa.

É importante indicar aos seus filhos os objectivos (a curto, médio e, por vezes, a longo prazo) do seu trabalho, sem reduzir as tarefas escolares ao cumprimento de uma obrigação, à qual não é possível escapar enquanto não chegam as férias.

Portanto, recomenda-se que os pais, do ponto de vista educativo, quanto ao estudo dos seus filhos, dêem prioridade ao trabalho e ao esforço que estes desenvolvem e, só depois, às notas ou classificações escolares.
Uma boa medida a tomar será seguir quotidianamente, de maneira prudente mas real, os estudos dos seus filhos, ajudando-os discretamente a manter a exigência de um plano diário de estudos.

Tente evitar as reacções despropositadas perante as notas. O esforço que os seus filhos despendem é, frequentemente, mais importante que os resultados alcançados.
Dependendo do contexto, uma nota média conseguida com esforço e empenho merece uma recompensa normalmente reservada a uma nota elevada.

As classificações escolares devem servir para reflectir e dialogar com os seus filhos, procurando soluções que melhorem a sua capacidade de trabalho e de aprendizagem.

Para ajudar os seus filhos nos estudos, é importante que em casa sejam asseguradas condições favoráveis para que estes possam trabalhar todos os dias.

Eis algumas sugestões:
- um lugar tranquilo para estudar;
- um ambiente familiar que ajude a estudar;
- um horário de estudo respeitado por todos, sem interrupções;
- uma hora de estudo não muito tardia;
- no mínimo, oito horas de sono;
- um regime alimentar saudável, equilibrado;
- controlo sobre a televisão e navegação na internet, entre outros.

O mais importante, é que o seu filho aprenda a gostar de estudar e se sinta valorizado pela sua prática.


Fonte: Educom - Associação Portuguesa de Telemática Educativa (adaptado) 


  

quarta-feira, 5 de março de 2014

Brincadeiras entre amigos


Matias, espera por miiiiiim...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Simetrias de Rotação e de Reflexão Deslizante


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Maior Flor do Mundo - José Saramago


Problemas com Subtrações


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os Planetas do Sistema Solar


Continentes e Oceanos



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Movimento de Rotação e de Translação da Terra


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Frações Equivalentes


O Alfabeto em português


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Arredondar números até aos Milhares


Arredondar números até às dezenas


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Diagrama de Caule e Folhas




"Os bons pais fazem uma asneira de 8 em 8 horas"


Queremos Melhores Pais!’, somos assim tão maus... é um mote para uma manif de filhos?
Foi uma provocação (risos). Incomoda-me que os pais se desperdicem tanto. Os pais têm a seu favor variadíssimas coisas: têm um imenso bom senso, regra geral, e têm um sexto sentido, absolutamente notável. Repare, há 40 diferentes tipos de choro, e uma mãe não precisa de aulas de compensação para discernir por que é que o bebé está a chorar. Este sexto sentido é o equipamento base da natureza humana. Além disso, os pais tiveram uma infância. E por mais que a infância dos pais não tenha sido cor-de-rosa, deu-lhes um conjunto de competências. Diz-se muitas vezes que os pais não têm tempo, são maus pais. A ideia deste título provocatório é dar-lhes um safanão e dizer-lhes ‘vejam bem o que são capazes! Percam de vez o medo de errar, porque os bons pais para serem bons pais precisam de fazer uma asneira de 8 em 8 horas’, enquanto não chegarem lá não devem perder a esperança. (risos)
Mas os pais não têm medo de traumatizar os filhos com os seus erros?
Pois têm, mas sabe, a psicanálise trouxe para a opinião pública a noção de traumatismo mas não podemos perder de vista que estávamos a falar nas crianças dos finais do século XIX, crianças exploradas durante a Revolução Industrial, com famílias descuidadas, que viviam todas num quarto, com falta de privacidade aos mais diversos níveis. Eram crianças muitas vezes iniciadas sexualmente de forma absurda, precoce, e muitas vezes por alguém da família, por isso quando se falou de traumatismo a questão punha-se neste contexto.
O que os pais têm de perceber é que não é possível crescer sem dor. Receio que muitos pais tenham crescido de tal forma num mundo de autoritarismo, que de repente dizer ‘não’ a uma criança é quase sinónimo de traumatismo. E é precisamente ao contrário. Às vezes, a função de um técnico de saúde mental é dar uns safanões aos pais e dizer ‘deixem-se de tolices, magoem um bocadinho se tiver de ser’. Se magoarmos as crianças dizendo ‘não’, são dores que nos empurram para a frente. Muitos pais querem tanto proteger os filhos das dores, que fazem pior.
Confundimos mimo com sobreproteção?
Sim, o mimo faz muito bem à saúde e ninguém se estraga com mimo, muito pelo contrário. Já perdi a conta às pessoas que por falta de mimo se estragam pela vida fora, o mimo faz melhor que a vitamina do crescimento. Mas mimar não é dar a comida na boca dos filhos quando têm 6 anos, não é adormecer os filhos todas as noites na cama dos pais, não é levar a mochila até à porta da escola como se fossem mordomos... e não é dizer ‘sim’ a tudo.
Fala muitas vezes de jardins de infância tendencialmente gratuitos, de necessidade de bons recreios... Entre o país que desejava ter e o país real vai uma grande diferença?
Enorme. É verdade que somos a melhor civilização que existiu para as crianças, damos-lhes os cuidados e a atenção que seguramente os nossos pais, por melhores que tenham sido, não nos deram, e tenho até medo que em algumas circunstâncias sejamos um bocadinho exagerados nos cuidados que temos com elas, como se de repente, em vez dos pais serem a Entidade Reguladora das Crianças, elas parecessem a Entidade Reguladora dos Pais. Mas, ainda assim, acho que falta muito para nós sermos um país amigo das crianças. Há estudos que dizem que um filho pode custar, a um casal de classe média, até 75 euros por dia, tendo em consideração tudo: educação, vestuário, saúde, atividades extracurriculares... Por isso gostava que os governantes e políticos explicassem aos cidadãos como é possível um casal ter vários filhos até aos 6 anos, sendo os jardins de infância em Portugal mais caros que as universidades privadas. Nunca houve uma perspetiva séria de darmos às crianças a devida importância que elas têm. Só começaram a ser importantes quando começaram a ser vistas como conta poupança reforma, quando se fez contas ao sistema que sustenta a segurança social e se viu que, sem elas, entrava em rotura.
E também não somos um país amigo dos pais!
Não, de todo. Preocupa-me, por exemplo, que não haja um código de direito do trabalho que preveja que as consultas de obstetrícia devam ser tendencialmente obrigatórias para todos os homens que estão a ser pais. Muitas entidades patronais funcionam ainda segundo regras muito próximas da Revolução Industrial. Ainda não perceberam o óbvio, que não é preciso trabalhar muito para se produzir mais, e não fazem aquilo que muitas multinacionais fazem, que é perguntar aos seus novos empregados se têm vida própria, vida familiar, valorizando esses aspetos, porque percebem que essas pessoas que se dividem por mais desafios são pessoas mais competentes. Ou seja, a relação com o trabalho é importante mas a relação amorosa ou com os filhos é muito mais importante e, entretanto, as transformações sociais que são feitas são contra as pessoas...
A necessidade de brincadeira é outro dos seus cavalos de batalha...
A brincadeira das crianças é um património da Humanidade. Brincar devia ser uma atividade obrigatória para todas as crianças, todos os dias. Muitas crianças neste país têm uma agenda laboral que vai para além do razoável. Faz agora anos que eu lancei com uns amigos o Sindicato das Crianças, uma forma caricatural de chamar a atenção para a importância de lutar pela semana de 40 horas para as crianças. Há crianças que passam 55h por semana na escola, desde que abre até fechar, sem contar com atividades extracurriculares e os trabalhos de casa. 
O ranking das escolas foi publicado recentemente, qual é a sua opinião?
Sou contra, e até para tentar ser provocatório costumo dizer se querem rankings então levem isso às últimas consequências. Devia haver nas escolas, logo à entrada de preferência, o ranking dos alunos faladores, por exemplo (risos). Porque falar é um bem precioso. E já agora peguem naquelas crianças a quem morreu o pai, ou que tiveram um transplante ou passaram pelo divórcio dos pais e ponham-nas no quadro de honra, porque elas merecem. Passaram por grandes dificuldades mas no ano seguinte comeram a relva e fizeram um esforço terrível para ter um nível 3 ou nível 4.
Mas vamos lá ver, eu não tenho nada contra as crianças terem boas notas, isso é muito bom, mas também ter boas notas como filho, porque já vi muitas crianças que têm boas notas mas depois são de uma arrogância com os pais... as pessoas estão a dar importância única e exclusivamente às notas das disciplinas e esquecem-se de tudo o resto.
E estamos a pôr todos os alunos no mesmo saco, os privilegiados e os que nada têm, não será injusto?
Comparar escolas públicas com privadas é batota, comparar escolas de meninos com pedigree com escolas do interior onde não há aquecimento nas salas, em que os professores pagam o material escolar, isto é uma maneira de andarmos a mentir uns aos outros. Atualmente, se uma criança tirar uma negativa é um pecado, então errar também não é aprender? Há tantas condicionantes no dia a dia, um mau professor, a vida familiar que é de tal modo um inferno que não há cabeça para aprender as coisas na escola...
Vemos os nossos filhos como um reflexo do nosso sucesso... ou falhanço?
Mas isso é mau, eu costumo dizer que nós começamos a ser pais ali por volta do terceiro filho, o primeiro é sempre uma criança em perigo, porque se mistura a nossa história de vida, porque se mistura os pais que nós tivemos, muitas das coisas que não gostámos dos nossos pais, misturamos os nossos sonhos no sentido de construir um filho tão perfeito que às vezes são mais os nossos enredos do que a singularidade do nosso filho. No primeiro filho somos todos muito frágeis, ingénuos, e suscetíveis a fazer erros... e precisamos de os fazer para conseguirmos ser pais. Por isso é que os avós fazem um figurão, já fizeram tantas asneiras que agora brilham facilmente. Tudo fica mais fácil quando os pais erram e percebem que podem fazê-lo. Porque quando os pais erram de uma forma quase tímida e querem ser tão perfeitos para os proteger e dar-lhes o sucesso que eles próprios não tiveram, estão, sem se darem conta, a transformá-los num troféu... muito mais do que criar as condições para que as crianças tenham uma vida de acordo com os sonhos delas próprias.
E por isso há tantos pais a ‘estudar’ com os filhos, a fazer os TPC com eles?
Para já sou contra os TPC, eles já estão muito tempo na escola e não vão aprender em casa o que não aprenderam na escola. Se o TPC for ir ao supermercado aprender a fazer trocos, tudo bem, se for 20-30 minutos tudo bem, mais do que isso nunca... E sempre com autonomia, sozinhos, de outra forma estamos a dar a mensagem errada.
A crise económica não nos tornou piores pais? Discutimos mais, perdemos as estribeiras mais facilmente, andamos preocupados stressados...
Sim, claro sim, mas, eu peço desculpa pelo que vou dizer, é quase humor negro, mas acho que há um lado bom na crise, porque vai tirar megalomania onde ela antes existia, a euforia era tão grande, tudo parecia ter um preço. A crise vai criar sofrimento nas famílias, é certo, mas vai ajudar-nos a perceber se temos ou não temos família e a impor a verdade nas relações. E pode trazer a noção às crianças de que viver não é fácil, e não é no sentido trágico do termo, é aprender a resolver problemas.
Qual é o melhor presente de natal que se pode dar a uma criança?
O pai ou a mãe adivinharem os seus sonhos sem que elas precisem de escrever ao pai natal. Aqui entre nós, vale para as crianças como para os pais. As crianças escrevem ao pai natal porque é uma forma de dizer aos pais ‘orientem-se’, e os pais gostam de ver o brilhozinho nos olhos porque gostam de dar os presentes que eles gostariam de ter quando eram pequenos. Mas os crescidos não escrevem ao pai natal mas estão sempre a espera que os outros adivinhem aquilo que querem ter ou sonham.
O que ainda o surpreende?
A maneira comovente como os filhos e os pais estão à espera de se surpreenderem uns aos outros. Pais, que são crianças crescidas, e que às vezes parecem ter uma parede de vidro a impedir os seus bons gestos de pais. Isto é absolutamente comovente, por mais kms que eu tenha disto, continua a surpreender-me todos os dias.

"Eduardo Sá" in Activa  


 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Leitura e escrita de números por CLASSES, ORDENS e por EXTENSO