domingo, 14 de novembro de 2010

O meu filho é diferente...será autista?

As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.


Desde os primeiros tempos de vida, a maioria das crianças são sociáveis e procuram activamente o contacto com os outros: jogam ao "faz-de-conta", brincam com os seus pares, gostam de dar e receber mimos.

No entanto, em certos casos, os pais notam que o seu filho não interage com os outros desta forma. É o que acontece com a criança autista, na qual existe problemas em três domínios: socialização, comunicação e comportamento.

Leo Kanner descreveu esta patologia em 1943 e cerca de um ano mais tarde, um grupo de crianças com características semelhantes foi descrito por Asperger.

Em que idade aparece?
As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.

Tipicamente não existe um período de desenvolvimento normal, embora em cerca de 20% dos casos os pais tenham descrito um desenvolvimento relativamente normal durante um ou dois anos.

É uma doença frequente?
Não. Segundo os estudos mais recentes, para uma população de 10 000 indivíduos há 10 pessoas com autismo. Transpondo para o nosso país, haverá cerca de 10 000 pessoas com esta doença.

O autismo pode ocorrer em qualquer família, independentemente do seu grupo racial, étnico, socio-económico ou cultural.

Sabe-se que é mais frequente no sexo masculino, numa proporção de 4 a 5 rapazes para 1 rapariga.

Quais as causas desta doença?
Foram propostas diversas teorias para tentar explicar o autismo.

Trata-se de uma perturbação biológica, com forte componente genético; contudo, a sua etiologia é desconhecida, parecendo ser multifactorial.

Nas décadas de 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo residia nos problemas de interacção da criança com os pais/família. Hoje sabe-se que esta ligação não tem qualquer fundamento.

A partir dos anos 60, com investigações baseadas em estudos de casos de gémeos e doenças genéticas associadas ao autismo (X frágil, esclerose tuberosa, fenilcetonúria, entre outras), descobriu-se a existência de um factor genético multifactorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem. Factores pré-natais (como a rubéola materna) e durante o parto (prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções graves neonatais) também parecem ter influência no aparecimento das perturbações do espectro do autismo.

Quais as manifestações a que os pais devem estar atentos?
O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade.

Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente ou ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono.

Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.

Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro).

Ao brincar não utiliza o jogo social nem o jogo de faz-de-conta.

Tem grande dificuldade de interagir com as outras crianças.

Não utiliza os brinquedos na sua função própria: um carro pode servir como objecto de arremesso e uma boneca para desmanchar.

Que outras características têm estas crianças?
Partindo do que se denomina a tríade de perturbações do autismo, com manifestações nos já citados três domínios, podemos agrupar as características:

Domínio social

Parecem viver no seu próprio mundo, desligadas, alheadas, desinteressadas e insensíveis aos outros.

Grande dificuldade em interagir com outras crianças: partilhar, cooperar ou jogar à vez são para eles tarefas muito difíceis.

Seres humanos, animais e objectos poderão ser tratados da mesma forma.

Relativa incapacidade de partilha de alegrias ou procura de ajuda/conforto em situações de stress.

Domínio da comunicação

Evitam o contacto ocular e podem resistir ou mostrar desagrado ao serem pegados ou tocados.

Têm perturbações da linguagem (tanto da compreensão como da expressão), por vezes mesmo uma ausência de linguagem que faz pensar em surdez. Se existe linguagem, o vocabulário é pobre. É frequente não usarem o eu e repetirem de modo estranho, como que em eco, o que acabaram de ouvir (ecolalia).

Problemas na comunicação não-verbal: mantêm-se muito próximas ou muito afastadas dos interlocutores e olham para os lábios em vez de para os olhos durante a comunicação. Fazem um uso muito pobre da mímica facial ou dos gestos.

Domínio do comportamento

Tendem a entregar-se a jogos e rotinas repetitivas, de forma isolada, como por exemplo fazer girar objectos. Têm com frequência, em particular em situações de angústia e excitação, movimentos repetitivos das mãos, dedos, etc. (por exemplo abanar as mãos como a imitar um passarinho).

Grande rigidez do pensamento e comportamento, por vezes com crises de auto e heteroagressividade face às mudanças das rotinas ou do meio que as rodeia ou quando são contrariadas.

Ligações bizarras a certos objectos ou partes destes.

Por vezes são extremamente sensíveis a cheiros, sabores e sensações tácteis.

A hiperactividade é um problema comum.

Em certos casos existem talentos especiais, por exemplo para o cálculo, a música ou o desenho.

Todas as crianças com autismo têm atraso mental?
O défice cognitivo (atraso mental) ocorre em 65-88% dos casos. Algumas destas crianças têm inteligência normal ou até superior, como pode acontecer na síndrome de Asperger.

Há tratamento para esta doença?
É muito importante que a criança seja orientada o mais precocemente possível para uma consulta de Pediatria de Desenvolvimento, onde, no caso de se concluir por este diagnóstico, se irá traçar um programa de intervenção específico. Este envolve vários tipos de terapia (psicológica, de linguagem, ocupacional) e estratégias educativas. O tratamento pode também envolver psicofármacos em situações de agressividade, autodestruição ou convulsões. É fundamental a participação activa da família.

Qual a evolução destas situações?
O prognóstico do autismo tem vindo a melhorar. De acordo com estudos recentes, 5% a 10% destas crianças tornam-se adultos autónomos.

É importante relembrar que nesta doença há uma ampla variedade, quer na qualidade quer na gravidade das manifestações da doença e que cada caso é único e tem que ser abordado de modo individualizado.

Gabriela Marques Pereira

(Serviço de Pediatria do Hospital de Braga)

in educare

sábado, 13 de novembro de 2010

Autismo - Raun Kaufman

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Abuso Sexual

O que teria feito Violeta se os seus amigos não tivessem testemunhado a violência de que estava a ser alvo? Muito provavelmente calar-se-ia ou a mãe obrigá-la-ia a que se calasse porque era o violador quem garantia a subsistência da família.

"Sem Gonçalves e o rendimento da sua loja, a família de Violeta ficou na miséria em poucas semanas e todas as crianças foram obrigadas a ir trabalhar. Violeta tornou-se cortadora de pavios numa oficina logo a seguir à Rua dos Ingleses. Trabalhava do nascer ao pôr-do-sol no interior daquela fábrica cavernosa e todo o seu salário era entregue directamente à mãe, de modo que não tinha nem um real seu.
Os sábados e os domingos deveriam ser os seus dias de liberdade e luz, mas, como castigo pelas suas "mentiras", que tinham feito a família perder o seu protector, a mãe mantinha-a fechada em casa. Por vezes, chegava a acorrentar-lhe o tornozelo à cama (...)."

Meia-Noite ou o Princípio do Mundo. Richard Zimler. D. Quixote.


Violeta, a personagem feminina a que se refere este extracto do livro de Richard Zimler, fora violada pelo tio, o Gonçalves. Quando tal foi descoberto por elementos exteriores à família, a situação de abuso foi cessada através do afastamento do agressor para bem longe. O problema é que, com a ausência do violador, a família caiu na miséria, tendo a vítima de abuso sexual, a Violeta, sido culpabilizada pela desgraça que sobre todos se abateu.


Quando há já algum tempo li esta história, fiquei a pensar nela durante muito tempo, mesmo tratando-se de ficção. Agora que uma situação provavelmente real me veio parar às mãos, a Violeta e a sua dupla pena voltou a assaltar-me os pensamentos.

No que se refere ao abuso sexual, tudo seria bem mais fácil se o abusador fosse alguém que não tivesse relação directa com a família. O problema é que, segundo os estudos, 40% das vítimas são abusadas por pessoas conhecidas ou próximas, 30% a 50% são-no por elementos da própria família e somente 10% a 30% são abusadas por desconhecidos. A habitual proximidade do agressor gera silêncio, que habitualmente se perpetua anos e anos a fio. O que teria feito Violeta se os seus amigos não tivessem testemunhado a violência de que estava a ser alvo? Muito provavelmente calar-se-ia ou a mãe obrigá-la-ia a que se calasse porque era o violador quem garantia a subsistência da família.


O drama associado a este tipo de violência, nomeadamente o incesto, é ainda mais grave, porque geralmente ocorre em famílias que apresentam comunicação pobre, afectividade negativa, isolamento e intimidação. Um aspecto que também é frequente nestes contextos familiares é o facto de a figura materna apresentar alguma(s) característica(s) que lhe dificulta(m) a protecção dos filhos (por exemplo, ser muito jovem, ter problemas de saúde física ou mental, ter problemas emocionais, usar drogas). Assim, a criança não vê na mãe um elemento que a possa proteger, até porque considera que se revelar algo sobre o abuso ela não vai acreditar. Nestas situações a vítima sente uma vergonha terrível, uma culpa imensa e uma solidão do tamanho do mundo. O problema é de tal forma grave que, tal como no caso da Violeta, pôr fim ao abuso sexual, se bem que inquestionavelmente necessário, não põe fim a feridas que se foram abrindo e não encontram forma de cicatrizar...


Quando um técnico é confrontado com esta realidade, sente que cada passo terá de ser dado com um cuidado extremo, pois mexer na pedra errada poderá significar o derrube de toda uma estrutura profundamente frágil...

Quando, perante a menina real a que me referi, lavada em lágrimas, a questionei sobre se não haveria algum adulto de referência a quem pudesse revelar o seu segredo, a sua resposta foi um aceno negativo com a cabeça. Percebi ainda melhor a dimensão da sua profunda dor e solidão.

Autora: Psicóloga Adriana Campos

in Educare

sábado, 6 de novembro de 2010

Susana Félix - O mesmo olhar


Susana Félix-canção da Associação Raríssimas
www.rarissimas.pt

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Recuperação parcial da visão através de chips oculares

Investigadores alemães, da Universidade de Tuebingen, em colaboração com a empresa Retina Implant devolveram a visão parcial a cegos através da instalação de chips oculares.

Segundo o artigo do jornal Proceedings of the Royal Society B, a investigação pressupõe a instalação de chips, ou implantes, na área da sub-retina. Os chips têm a função de converter a luz em impulsos eléctricos que são encaminhados para o nervo óptico, permitindo a devida interpretação pelo cérebro.

Os implantes foram testados 11 cegos, dois dos quais sofriam de rinitose pigmentar; os restantes padeciam de Coroideremia (ambas doenças têm origens hereditárias e levam à cegueira.

De acordo com a BBC, os resultados da investigação indicaram que a maioria dos pacientes implantados readquiriram a capacidade de identificar letras e objectos, ou ver as horas num relógio.

Apesar da tecnologia apenas permitir recuperar parte da visão, os estímulos visuais readquiridos podem ser bastante importantes para promover a orientação e o ganho de autonomia.


sábado, 23 de outubro de 2010

O Principezinho

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O que é a Paralisia Cerebral?

A Paralisia Cerebral é uma perturbação do controlo da postura e movimento que resulta de uma anomalia ou lesão não progressiva que atinge o cérebro em desenvolvimento.

Em cada 1000 bebés, em média dois serão afectados por Paralisia Cerebral.

Há um enorme espectro de gravidade. Algumas crianças terão perturbações ligeiras, quase imperceptíveis. Outras terão grave incapacidade, sendo totalmente dependentes nas actividades da vida diária.

A Paralisia Cerebral pode ser classificada de acordo com a natureza da perturbação do movimento que predomina:

Espástica – Caracterizada por um aumento do tónus muscular com limitação da capacidade de relaxamento muscular da região envolvida. De acordo com as partes do corpo envolvidas a Paralisia Cerebral espástica é classificada como: hemiparésia- afectando o membro superior e inferior do mesmo lado do corpo (hemiparésia esquerda ou hemiparésia direita); diplegia - Ambos os membros inferiores estão predominantemente envolvidos; tetraparésia - Em que são atingidos os quatro membros e o tronco.

Atetose/Distonia – Caracterizada pela presença de movimentos e posturas involuntários.

Ataxia – O quadro clínico é dominado pela perturbação da coordenação e do equilíbrio.

Problemas associados

Para além das perturbações motoras, são frequentes nas pessoas com Paralisia Cerebral: atraso cognitivo, perturbações visuais e auditivas, epilepsia, dificuldades de aprendizagem e défice de atenção. Nas formas tetraparéticas são ainda comuns dificuldades alimentares, perturbações nutricionais e infecções respiratórias.

As alterações motoras da Paralisia Cerebral aumentam ainda o risco de patologia ortopédica secundária.

Quais são as causas de Paralisia Cerebral?

Numa grande parte dos casos as causas estarão presentes antes do nascimento da criança (causa pré-natal). Destas, algumas crianças nascem com malformações cerebrais que podem ser o resultado de exposição a tóxicos ou infecções durante a gravidez.

As lesões cerebrais podem instalar-se durante ou pouco tempo após o nascimento (causa peri-natal). Em maior risco destas lesões encontram-se os prematuros (principalmente grandes prematuros), os recém-nascidos de muito baixo peso de nascimento, os que têm asfixia grave ao nascer, os que sofreram hemorragias cerebrais.

As principais causas de Paralisia Cerebral após o nascimento (pós-natal) são a asfixia, os traumatismos cranianos, e as sequelas de infecções afectando o cérebro.

Num grande número de casos não é possível, actualmente, determinar a causa da Paralisia Cerebral.

O diagnóstico e o prognóstico da Paralisia Cerebral

O diagnóstico de Paralisia Cerebral é habitualmente suspeitado pela associação de atraso na aquisição das competências motoras e alterações do tónus muscular, reflexos e padrões de movimento.

Nos primeiros meses de vida é por vezes difícil estabelecer o diagnóstico e o prognóstico (previsão das limitações que a criança terá no futuro), sendo por vezes necessário aguardar alguns meses até que possam ser assumidos com segurança.

A Paralisia Cerebral resulta de perturbações cerebrais de natureza não progressiva pelo que a perda de capacidades (regressão) não é característica da Paralisia Cerebral.

sábado, 16 de outubro de 2010

Gaguez

De acordo com vários autores, a ocorrência da gaguez dá-se a partir das dificuldades de articulação normais comuns a todas as crianças por volta dos três anos de idade.

A maior parte das crianças atravessa esta fase sem problemas. Mas em algumas esta dificuldade normal pode transformar-se em gaguez.

Não há uma causa específica e nenhuma gaguez é absolutamente igual à outra.

Muitos dos sintomas manifestam-se em função do esforço excessivo do gago em evitar gaguejar. Essa repressão resulta numa fala repleta de falhas de ritmo, pausas silenciosas, frases incompletas, esforço físico, alteração na sincronização entre a respiração e a produção da fala.

Algumas sugestões para pais e professores:


Não "cole" ao seu filho o rótulo de gago.


Aceite as falhas ou quebras de ritmo no discurso da criança; elas fazem parte do processo de aquisição da linguagem.


Não diga à criança para não ter medo de falar, para ficar calma ou para respirar antes de falar.


Quando a criança falar olhe directamente para o seu rosto. Toda a sua atenção deve estar focada nela.


Crie e mantenha rotinas - horários para comer, para dormir, para ir para a escola, etc. Por vezes, a alteração de rotinas pode aumentar o estado de ansiedade liagada à gaguez.


Evite discutir na frente da criança. Mas não esconda dela factos importantes que possam mudar a rotina.


Ouça com atenção e paciência o que o(a) seu(ua) filho(a) tem para dizer.


Não seja impaciente. Sobretudo não traduza essa impaciência terminando as frases que a criança iniciou.


Leia histórias à criança antes de esta adormecer.


Promova situações em que a criança tenha que contar acontecimentos ou relatar histórias do seu dia.


Melhore a auto-estima da criança, elogiando-a sempre que tal se proporcione.


Transforme os momentos em que fala com o seu filho em momentos agradáveis.

Esteja consciente de que a família pode influir muito na prevenção e correcção da gaguez.


No entanto, nas situações mais "graves" é conveniente procurar sempre um terapeuta.


in Ajudas.com





quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Educação é única forma de acabar com a ignorância que ameaça a democracia

O filósofo espanhol Fernando Savater defende que a educação, entendida como educação cívica, é a única forma de terminar com a "ignorância" que impede os cidadãos de contribuírem para a democracia e ajudarem a melhorá-la.


Na conferência "Questões-Chave da Educação", organizada na segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), na Universidade do Algarve, em Faro, Savater explicou que a educação cívica "não se refere à instrução básica ou à mera preparação para realizar tarefas laborais em qualquer campo, por mais que seja essencial a aquisição de tais conhecimentos e aptidões", mas está relacionada com o sistema democrático.

No âmbito do ciclo de conferências promovido pela FFMS, Fernando Savater também intervém hoje num encontro sobre "O Valor de Educar", na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A "ignorância" que o filósofo teme é "a incapacidade de expressar exigências sociais inteligíveis para a comunidade ou entender as exigências formuladas por outros".

"Este tipo de ignorantes, todos eles com direito de voto, opor-se-ão provavelmente às reformas necessárias que envolvem algum sacrifício e apoiarão os demagogos que lhes prometem paraísos gratuitos ou a vingança brutal das suas frustrações à custa de qualquer bode expiatório", acrescentou.

Fernando Savater frisou que o grande problema da democracia é "a predominância generalizada da maré de ignorância" e a educação cívica é única melhor forma de a combater.

"Na democracia, toda a educação cívica é uma escola de príncipes, embora destinada a formar príncipes que, paradoxalmente, devem saber-se interpares e não acima deles", afirmou.

O filósofo e professor jubilado da Universidade Complutense de Madrid defende, por isso, que a educação cívica deve "formar governantes e legisladores para evitar, nas nossas sociedades, a influência letal dos ignorantes, cujo predomínio é alarmante".

"Nas nossas sociedades pluralistas, a questão da educação cívica está directamente ligada ao tema da tolerância. Não há educação cívica que não fomente a tolerância democrática", afirmou, sublinhando que "devemos educar para prevenir tanto o fanatismo como o relativismo".

Savater considerou que o "fanático é aquele que não suporta viver com os que pensam de forma diferente por medo de descobrir que também ele não está seguro daquilo em que diz acreditar".

O ciclo de conferências promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos visa fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais, contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica e proporcionar o debate entre especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.

in Lusa / EDUCARE

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ser Diferente...

“ A única diferença entre vocês e nós,

é que vocês podem ver as nossas diferenças e nós não

podemos ver as vossas. Todos nós as temos.”


(Jack Canfield)

domingo, 10 de outubro de 2010

DIVERSIDADES_HISTÓRIA INFANTIL

sexta-feira, 2 de abril de 2010

FALTA DE TEMPO

Uma das angústias que os pais frequentemente partilham no atendimento prende-se com a falta de tempo para estar com os filhos. Profissões extremamente exigentes, com horários muito preenchidos, roubam quase todo o tempo de que os pais poderiam usufruir para partilhar com os filhos. Esta questão do tempo dá que pensar e não é tão objectiva quanto à primeira vista possa parecer. O relato verídico de duas mães com vidas profissionais muito exigentes poderá ajudar a clarificar a afirmação anterior.

Uma destas mães dizia que sempre fizera questão em passar férias com o marido durante um período de tempo, sem a presença do filho, e que, aos 9 meses, fez o desmame do seu bebé e foi para Paris passar algum tempo com uma familiar. Com este tipo de atitudes pretendia contribuir para a autonomia do filho e ajudá-lo a adaptar-se a diferentes situações e contextos. Curiosamente, este filho, antes de entrar no 1.º ciclo, pelo facto de ser uma criança muito precoce, foi avaliado por um psicólogo, tendo caracterizado a mãe como sendo 'muito disponível'.

A outra mãe afirmava que ficou muito triste porque as filhas se lamentavam por ela ter uma profissão que lhe ocupava demasiado tempo. Segundo esta mãe, era sempre a primeira a sair do local de trabalho (17h30) e faz questão de estar com as filhas após a saída deste local. O seu TPC é feito só quando as filhas se vão deitar e também não pega nele ao fim-de-semana.

Estas duas histórias podem levantar-nos imensas questões, nomeadamente a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos. Os estudos têm demonstrado que o mais importante não é passar muito tempo com eles, mas que esse tempo tenha qualidade. Às vezes estamos sem estar e o pouco tempo que estamos é tão pobre que é quase como se estivéssemos ausentes... Quando não conseguimos deixar o trabalho, mesmo tendo saído do seu local, acabamos por ter a cabeça tão cheia que pouca disponibilidade temos para lhes darmos alguma atenção.

Quando penso na mãe que passa algum tempo das suas férias sem o filho, parece-me que esta poderá, de certa forma, dar um tempo a si própria, para depois ter disponibilidade mental para estar com o filho. A falta de tempo para nós próprios absorve a paciência que é necessário ter para estarmos verdadeiramente com eles. Como arranjar um pouco de tempo para a própria pessoa e até para o casal é algo que, apesar de ser uma missão quase impossível, será importante equacionar...

Estes é de facto um tema que, como diz o povo, 'dá pano para mangas', sobretudo porque encontrar a dose e a qualidade certa não é fácil. Óptimo seria se também para esta difícil questão fosse possível encontrar uma receita. Como ela não existe, resta-nos apenas ir gerindo da melhor maneira o tempo que temos, de forma a que, apesar de pouco, tenha os ingredientes adequados para ajudamos os filhos a crescerem equilibradamente.

Adriana Campos in educare

segunda-feira, 29 de março de 2010

DE QUEM É A CULPA?

Até onde devem os pais proteger os filhos? Qual é a fronteira entre a protecção, o apoio e o carinho, por um lado, e a inibição do desenvolvimento do sentido de responsabilidade e da autonomia, por outro? Até onde devem os pais ajudar nas tarefas relacionadas com a escola e onde é que essa ajuda passa a ser limitativa do desenvolvimento da tal autonomia e do tal sentido de responsabilidade? Reformulando a pergunta: como podem os pais ajudar eficazmente os filhos?

- Por que não vieste à aula ontem?

- Porque não trouxe material.

- E isso é razão para faltares? E já agora, por que não trazias material?

- A culpa não foi minha! Quem me faz a pasta é o meu pai.

- O teu pai? A um aluno de 6.º ano?

- Pois, de manhã eu tenho sono e ele faz-me a pasta para eu não me atrasar.

- E por que não a fazes de véspera?

- Era só o que faltava. Trabalho tinha eu!

Este é um diálogo real, passado recentemente numa sala de aula de uma escola EB 2.3. O diálogo com o aluno prosseguiu, mas mentalmente a professora reconhecia a 'culpa' do pai. Para mais tarde estava já decidida uma conversa com a directora de turma, pedindo-lhe que marcasse uma entrevista com o encarregado de educação, a fim de analisar a situação.

Acompanhar a vida escolar dos filhos e procurar desenvolver hábitos de estudo e de organização é muito importante. Diariamente os alunos precisam de fazer revisões rápidas da matéria dada nesse dia e os trabalhos de casa. Terminado este trabalho, há que preparar o material para o dia seguinte. Só assim se pode verificar se não falta nada. Só assim vai ser possível procurar algo que não se encontra no sítio esperado. Só assim vai ser possível ter tempo para anotar a leitura do contador da luz, pedida pela professora de Matemática, procurar as revistas coloridas, pedidas pela professora de Educação Visual, ou pôr na pasta a folha de teste necessária para Português.

Nem sempre é fácil convencer um jovem, especialmente um adolescente, a adiar um pouco o jogo de computador, para fazer tarefas menos agradáveis, como a preparação da pasta. Mas há que saber resistir às acusações de sermos os piores pais do mundo e os únicos que escravizam tão indecentemente os seus rebentos. Afinal, preparar uma pasta não é uma tarefa tão demorada assim. Sê-lo-á, se surgirem imprevistos; e esses não poderão ser resolvidos, se o autocarro escolar estiver quase a chegar à paragem ou se a campainha da escola estivar a preparar-se para dar o "toque de alvorada".

De quem é a culpa da falta do menino? É ele que cumpre as suas tarefas? Costuma ser responsabilizado pelas suas falhas e ter que assumir as consequências dos seus actos ou da falta deles? Como professora e como mãe, sei o quanto é difícil, por vezes, encontrar firmeza para levar os jovens a cumprir determinadas regras. Mas sei também o quanto isso é importante para os nossos filhos aprenderem a ser autónomos e responsáveis.

Autora: Armanda Zenhas in educare



sexta-feira, 19 de março de 2010

QUANDO A CRIANÇA TEM UM AMIGO IMAGINÁRIO

As crianças que criam amigos imaginários não têm qualquer problema em distinguir a fantasia da realidade, simplesmente brincam de uma forma mais imaginativa do que as outras crianças.


Muitas crianças entre os 3 e os 10 anos têm um ou vários amigos imaginários, sendo comum os pais encontrarem os filhos a falar e a brincar sozinhos como se estivessem acompanhados. Nesta idade, as crianças vivem uma fase da vida que se apresenta cheia de encantos. Todos os dias nos surpreendem com novas conquistas, novas proezas. E é também a idade da chegada dos amigos imaginários.

Normalmente os pais acham que apenas os filhos únicos têm o "amigo invisível" ou "imaginário", mas isso é um mito. As crianças, quando brincam sozinhas, gostam de imaginar um amigo invisível, e para isso falam com ele, riem e até chegam a ficar zangadas! Frequentemente estes amigos têm nomes verdadeiros e assumem uma grande importância na vida da criança.

Muitos pais já devem ter sido confrontados com a obrigação de mudar de cadeira à mesa, porque naquele lugar se vai sentar o Joãozinho, um amigo imaginário do seu filho. Outras crianças interagem animadamente com um objecto como, por exemplo, a almofada que usaram quando eram bebés, ou mesmo uma fralda ou um cobertor, são as brincadeiras do "faz-de-conta". Elas também ajudam a antecipar os acontecimentos, por exemplo, brincar ao "ir dormir" para conseguirem dormir bem, brincarem de "papá e mamã" para depois elaborarem a vida familiar, a sexualidade e assim por diante.

Estes amigos também podem ter um papel importante a um nível mais subconsciente: servem para exprimir desejos (a criança quer algo, mas atribui essa vontade ao amigo imaginário), "expiar" a culpa (foi o "amigo" que partiu a jarra, não a criança) ou deslocar o medo (é o "amigo" que sente medo ao ver um filme assustador, não a criança). Ou seja, em geral, os mais pequenos usam os amigos imaginários como uma ajuda para lidarem melhor com o mundo real.

As crianças que criam amigos imaginários não têm qualquer problema em distinguir a fantasia da realidade, simplesmente brincam de uma forma mais imaginativa do que as outras crianças.

O "fazer de conta" permite à criança sentir-se dona da situação, pois ela é que dá ordens ao amigo invisível, sendo o responsável ou o chefe: ela pode ensinar, falar, mandar nos seus amigos imaginários de uma maneira impensável, em relação aos seus amigos ou aos membros da sua família.

Há vários factores que podem influenciar o aparecimento destes "amigos imaginários". Eles podem aparecer quando a criança passa por momentos de stress ou de ansiedade, como, por exemplo, quando um amigo muda de escola, falecimento de um familiar, separação dos pais...

Numa situação onde a criança sinta saudade de alguém querido, poderá substituí-lo, durante algum tempo, por um amigo imaginário, que contribuirá para que a angústia da separação não seja tão brusca e traumática.

Estes amigos também ajudam a criança a lidar com a solidão. O "amigo", ou um objecto de conforto, ajuda-a a fazer face aos seus medos, que são as situações que a angustiam, como o escuro, a solidão e o abandono. Nessas situações, este amigo torna-se uma companhia, preenchendo um pouco o vazio que se instala na sua vida, reduzindo a ansiedade. Assim, pode fazer com que não perca o controlo, uma vez que vai conversando com o amigo e ouvindo a sua própria voz, a qual, entre outras coisas, o acalma.

Os amigos imaginários podem fazer uma grande companhia às crianças mas também podem ajudar no desenvolvimento da linguagem. Alguns estudos indicam que estas crianças acabam por desenvolver uma linguagem mais fluente, vêem menos televisão e revelam maior curiosidade, entusiasmo e persistência nas brincadeiras.

Estudos que compararam crianças com e sem amigos imaginários chegaram à conclusão que os primeiros contavam histórias fictícias e reais com mais pormenores. Esta capacidade para contar histórias pode ser indicador de uma futura capacidade de leitura e, por essa razão, as diferenças encontradas nestes estudos são importantes indicadores de um futuro desempenho escolar positivo.

Por isso, se o seu filho tem um amigo imaginário não se preocupe, porque não tem nenhum problema, é apenas uma criança criativa.

Orientações para os pais

  • Não dar muita importância a esta situação. Caso persista até à pré-adolescência, recomenda-se a consulta de um profissional de saúde.
  • Comprar brinquedos e materiais versáteis, que possam ser usados de maneiras variadas. Proporcionar-lhes material para desenvolverem as suas fantasias. Por exemplo, quando brincam "de cozinhar" ou de ser o "dono de um mercado", precisam de ter sacos e algumas caixas de comida vazias.
  • Encorajá-los a brincar com plasticinas, argila e areia. Estes materiais maleáveis têm um efeito calmante. As crianças podem usá-los todos os dias, de modo diferente, para criarem e controlarem as suas brincadeiras de "faz-de-conta".
  • Não controlar as brincadeiras, deixar que sejam crianças. Não insistir em intervir nas brincadeiras das construções infantis.
  • Não comprar muitos brinquedos. Comprá-los na presença da criança, perguntando-lhe do que ela gosta. Quando as crianças têm de procurar objectos para as suas brincadeiras a imaginação voa. Compre brinquedos em datas especiais, como no aniversário, no dia da criança ou no Natal. O abuso na compra gera consumismo e o valor educativo do brinquedo perde o efeito.
  • Recorrer à ajuda de um psicólogo quando a criança só quer estar sozinha com o seu amigo imaginário e evita o contacto com os outros, ou se as conversas com o amigo imaginário são em tom negativo, denotando baixa auto-estima ou tristeza.

Clara Machado, com a colaboração de Albina Silva, pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

in educare

sexta-feira, 12 de março de 2010

PARES DE PALAVRAS


Esta actividade foi elaborada segundo as directrizes do PNEP, tendo em conta os seguintes objectivos:

- Avaliar a leitura dos alunos

- Experimentar múltiplas situações que despertem e desenvolvam o gosto pela leitura

quinta-feira, 4 de março de 2010

VIOLÊNCIA ENTRE PARES

O bullying não é uma "coisa de miúdos" a ser desvalorizada por pais e professores. Quando insultar, gozar e bater no colega se tornou a rotina preferida do grupo há que saber parar com a agressão.

O Manuel era conhecido por "mijão", a Ana por "rata sábia", o António por "monte de banha". As alcunhas são reais, as crianças também. Os testemunhos foram recolhidos por Margarida Gaspar Matos, psicóloga e docente na Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Chamar nomes, gozar, fazer troça, excluir de brincadeiras, humilhar e ridicularizar são comportamentos que fazem parte da rotina de um número significativo de adolescentes em idade escolar.

Por certo que, num percurso, mesmo que distraído, pela realidade escolar portuguesa iríamos encontrar outros "monte de banha", ou "bola-bola", ou "cheira mal", numa lista interminável de atributos que mais ou menos toda a gente já ouviu ou até disse pela vida fora. A banalização destes jogos de poder entre as crianças e jovens leva, frequentemente, a reacções de indiferença, quer por parte dos pais, quer por parte dos professores. No léxico nacional, no entanto, o termo bullying tem vindo a tornar-se cada vez mais familiar, alertando as consciências para uma prática continuada e persistente de agressão entre os mais jovens e trazendo para a ordem do dia a violência entre pares na escola.

Tanto Margarida Gaspar Matos como Ana Tomás Almeida, professora no Instituto de Estudos da Criança (IEC) da Universidade do Minho, convergem na ideia de que o termobullying não é mais do que um conceito novo para um comportamento antigo e não a expressão do aumento dos casos de provocação. "Os maus tratos contra aquele que é diferente sempre existiram, existe é um conceito novo para identificar o fenómeno", esclarece Ana Tomás Almeida. "É claramente um termo recente, para um fenómeno antigo. A informação do cidadão e o interesse dos media poderá, se bem canalizado, ajudar a prevenir esta prática e as suas consequências", confirma Margarida Matos.

Importado da raiz anglo-saxónica, o conceito de bullying equivale ao português bulhão, zaragateiro e está associado às crianças e jovens. Algo que, na idade adulta, se passa a designar por assédio. Em todo o caso, o que distingue claramente o bullying da provocação ocasional é o seu carácter repetitivo e intencional, que faz com que a vítima não tenha um discurso coerente sobre o que se está a passar e sofra em silêncio.

A normalidade das brigas entre crianças gera, amiúde, a desvalorização do que está a acontecer. "Em muitas situações de violência há uma tolerância, o adulto acaba por considerar que é algo normal e natural", explica Ana Tomás.

De acordo com o relatório nacional "Os adolescentes portugueses (quatro anos depois)", coordenado por Margarida Gaspar Matos, metade dos jovens inquiridos afirma ter sido provocado na escola, nos últimos dois meses, enquanto que um terço afirma ser provocador.

O estudo recolheu dados sobre mais de seis mil adolescentes de escolas públicas portuguesas em 1998 e em 2002, dos 11, 13 e 15 anos. Neste trabalho, concluiu-se que os rapazes se envolvem mais frequentemente em actos de violência na escola, quer enquanto vítimas, quer enquanto provocadores. Este comportamento atinge o pico aos 13 anos, sendo que os adolescentes são sobretudo vítimas aos 11 anos, de duplo envolvimento (simultaneamente agressores e vítimas), aos 13 e mais agressores aos 15 anos - o que significa que as vítimas de hoje poderão ser os agressores de amanhã. Gozar, insultar e fazer troça é o tipo mais usual de bullying (34,1%). Mas também há espaço para os boatos, dar empurrões, deixar de fora das brincadeiras.

A simples diferença do outro - a Ana tirava boas notas a Ciências, o Manuel urinava nas calças e o António tinha um peso acima da média - está associada ao comportamento de provocação. Ana Tomás alerta especialmente para o caso das crianças com deficiência, que, ao contrário do que se poderia julgar, não estão a salvo destes tormentos. Bem pelo contrário, já que a deficiência pode servir como motivo de chacota ou provocação entre pares.

À medida que a agressão se prolonga no tempo, os rombos na auto-estima vão sendo maiores, as vítimas isolam-se, começam a ter comportamentos agressivos em casa, perante o desnorte dos pais, sentem-se perdidas.

Mazelas que ficam para a vida

Apesar de este ser um fenómeno típico da adolescência, as consequências acabam por estender-se à vida adulta. Como explica a docente do IEC, "não é por acaso que os estudos referem que as relações entre pares na idade escolar são os aspectos da nossa vida que podem ajudar a prever a nossa satisfação na idade adulta".

Rui é hoje um jovem adulto que não apagou da memória os casos de provocação a que foi sujeito, durante o Ensino Básico. Perante um grupo de professores, alunos e pais, numa sessão de formação sobre as relações entre pares na idade escolar, na Escola EB 2,3 de Lamaçães (Braga), conduzida por Ana Tomás Almeida e organizada pela Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS) - Rui contou como foi com ele. Primeiro na escola primária: os meninos com melhor aproveitamento eram postos de parte no recreio. Depois no 2.º ciclo: era sempre o último a ser escolhido para os jogos em Educação Física, continuava a ser posto de parte pelos que tinham piores notas e por aí foi, até à agressão em plena sala de aula e à espera que os mais velhos do 9.º ano fizeram no recreio para o agredirem. "Sempre achei que podia aguentar, até um dia em que desabafei tudo com a minha mãe", testemunha. Hoje, os episódios de bullying são mais do que uma má recordação. "Estou sempre com um pé atrás nas relações entre as pessoas", desabafa Rui. Para concluir: "Reconheço que, actualmente, tenho, por vezes, reacções irracionais e que não sei lidar com certas situações".

O papel dos pais e dos educadores

Em meio escolar, os grupos são fechados e a hierarquização é muito grande, o que favorece este grau de desigualdade entre os mais fracos e os mais fortes. Não só os pais devem estar atentos, tentando perceber se as provocações são ou não intencionais e persistentes, como os próprios professores devem estabelecer estratégias de destruição das atitudes de discriminação entre pares. "A atitude dos pais deve ir no sentido de descobrir que outras actividades pode realizar o filho, que amizades alternativas podem ter e não encorajá-los, por proteccionismo, a não ter outros amigos", aconselha Ana Tomás Almeida.

Na escola, a solução poderá passar por criar gabinetes de mediação de conflitos e, por exemplo, por pôr em evidência as qualidades dos adolescentes afectados. Se nem todos gostam de jogar futebol, que muitas vezes pode servir de motivos de exclusão do grupo, a comunidade escolar pode, em alternativa, organizar um campeonato de xadrez ou de literatura.

Ana Almeida recorda-se do caso de um grupo de alunos que, num jogo na sala de aula, colocou o aluno mais fraco com funções de redactor do grupo, precisamente para que ele pudesse treinar uma competência em que não se sentia tão capaz, estimulando-o a ensinando a desempenhar a tarefa. "No final, ele estava feliz porque os outros lhe tinham dado essa oportunidade", exemplifica.

Sendo a violência entre os pares algo que surge espontaneamente num grupo fortalecido, a melhor forma de a deixar crescer e solidificar é menosprezando as atitudes de provocação, considerando-as "coisas de miúdos". É que, lembra Ana Almeida, "a violência não existe porque existem opressores e vítimas, mas porque nós deixamos".

in educare

domingo, 28 de fevereiro de 2010

FICHAS DE TRABALHO





Elaborei estas fichas de trabalho com base no PNEP.

DÁ QUE PENSAR...

Segundo um estudo da DECO, quase um terço das crianças portuguesas passam mais de nove horas por dia nas creches e a esmagadora maioria ocupa parte do tempo a ver televisão em jardins-de-infância.

O inquérito feito a pais de crianças entre um e cinco anos, publicado na revista Proteste, mostra que para a maioria dos progenitores o horário dos estabelecimentos é adequado, embora um em cada cinco deseje que as suas portas fechem mais tarde.
Mesmo com 32% das crianças a passarem mais de nove horas nas creches, há 27% de pais com filhos entre um e dois anos (creches) e 10% com crianças nos jardins-de-infância (entre três e cinco anos) a afirmarem que
gostariam que as instituições abrissem ao sábado.
De acordo com o inquérito, feito com base em 2884 questionários, a esmagadora maioria (90%) das crianças entre os três e os cinco anos ocupa parte do seu tempo a ver televisão em jardins-de-infância e para 42% esta rotina é quase diária.

in educare

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Despacho Normativo nº 6/2010


Para consultar o Despacho normativo nº 6/2010, pode clicar aqui.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

VEÍCULO CONCEBIDO EM PORTUGAL PARA AJUDAR CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ALUNOS ESTUDAM PRIMATAS NO BADOCA PARK

O Badoca Safari Park, no litoral alentejano, implementa programa pedagógico que proporciona uma aula baseada na observação dos animais e exploração dos seus habitats. http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif

O Badoca Safari Park, visitado anualmente por 25 mil estudantes, está a lançar o seu programa pedagógico, proporcionando este ano aos jovens uma aula na "savana alentejana" dedicada ao "Grande Mundo dos Primatas".

O objectivo do programa pedagógico de 2010 passa por "aumentar o conhecimento e o empenho de todos na conservação das espécies e na preservação da biodiversidade", segundo explicou hoje à agência
Lusa a monitora pedagógica do parque temático, Liliana Gomes.

Este é o oitavo ano em que o Badoca Safari Park, situado no concelho de Santiago do Cacém, no litoral alentejano, implementa um programa pedagógico, que proporciona uma aula "na selva", baseada na observação dos animais e exploração dos seus habitats.

"Todos os anos, há actividades que se mantêm e outras que são novas", disse a responsável, tendo avançado que, em geral, as novidades são direccionadas para cada ciclo de ensino, desde o pré-escolar ao 3.º ciclo do ensino básico e até do secundário.

A "hora do conto" para o pré-escolar, o "
peddy paper selvagem" para o 1.º ciclo ou ir "à descoberta do mundo dos primatas", para o 2.º e 3.º ciclos, são algumas das actividades preparadas para receber alunos das escolas de todo o país disponíveis para uma aventura na "savana alentejana".

O Safari Aventura, a sessão de alimentação de lémures ou a demonstração de aves de rapina são outras das actividades que se desenvolvem regularmente neste parque, onde residem cerca de 300 animais de 45 espécies diferentes.

Entre zebras, girafas, orixes, gnus, lémures, flamingos, tucanos e coatis, os estudantes têm uma aula de "sensibilização ambiental", em contacto com a natureza.

Segundo Liliana Gomes, o que praticamente todas as crianças e adolescentes que visitam o Badoca têm em comum é o gosto pelo contacto próximo com os animais e é essa a parte preferida da visita.

"No Badoca eles conseguem ver animais que normalmente só vêm na televisão e isso deixa-os fascinados", disse, dando um exemplo: "a alimentação de lémures é uma sessão de que eles gostam porque alguns alunos entram na ilha com os tratadores".

"Têm um contacto muito próximo com os animais e isso é o que eles mais gostam e procuram no Badoca", sublinhou.

O programa pedagógico não se fica pelas visitas guiadas pelo parque, tendo o Badoca desenvolvido um concurso interescolar que já está a decorrer com perto de 90 escolas inscritas, este ano dedicado a uma "missão em busca do habitat".

Aqui o objectivo é que os alunos conheçam melhor os habitats das várias espécies, escolhendo um animal e construindo o seu habitat, com um
kit enviado pelo Badoca para as escolas inscritas.

A "formação de cidadãos ambientalmente conscientes" e "a conservação e preservação das espécies", bem como "a sensibilização ambiental" são alguns dos objectivos assumidos pelo Badoca Safari Park, para o que contribui o programa pedagógico desenvolvido pelo parque natural.

in educare

LENGALENGA DOS NÚMEROS


domingo, 21 de fevereiro de 2010

FÁBULA DA RAPOSA E DA CEGONHA

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

LENGALENGA DOS ANIMAIS

domingo, 7 de fevereiro de 2010

PARA MELHOR ENTENDERMOS A DISLEXIA

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

AJUDE a Missão da AMI no Haiti

Ajude a Missão da AMI no Haiti
Contribuam para esta missão através do NIB: 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20909 Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços

http://www.ami.org.pt/

ou outra

sábado, 9 de janeiro de 2010

BARREIRAS ARQUITECTÓNICAS