sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
UM FELIZ 2016!
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terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Felicidade - Dicionário de Valores
Urge converter as nossas escolas em espaços de bem-estar, onde não se fragmente a realidade nem se banalizem os gestos de humanidade. Um ambiente caracterizado pela serenidade, pelo cuidar da relação.
O Guardian publicou um estudo da London School of Economics no qual se defende que o principal objetivo das escolas deverá ser o de ajudar a criar pessoas bondosas e felizes. O estudo recomenda que se intensifique a educação moral dos jovens, mostrando-lhes que a felicidade não se alcança quando se concebe o mundo como objeto de satisfação pessoal, mas quando existe preocupação pelo bem-estar do próximo.
Um recente inquérito, realizado junto de pais de alunos de Belo Horizonte, confirma a conclusão do estudo. Inquiridos sobre aquilo que mais desejavam que a escola desse aos seus filhos, os pais responderam: mais do que aprender conteúdos, que também é preciso aprender, queremos que os nossos filhos sejam felizes na escola.
A resposta maioritária só surpreenderá quem não conheça, por dentro, as escolas que ainda temos. Nelas reina a obsessão por uma competitividade que deteriora a relação e produz solidão, que o mesmo é dizer: infelicidade.
Em contraste com o desejo explicitado pelos pais dos alunos, os projetos político-pedagógicos (PPP) raramente se referem à felicidade como valor ou objetivo a alcançar. E as práticas predominantes vão em contramão relativamente a esse desiderato. Diz-nos Ortenila Sopelsa que “dificilmente encontramos uma criança com idade escolar que não anseie em entrar na escola, cheia de sonhos e fantasias. Mas a grande maioria das crianças sente a escola como algo que oprime, ridiculariza e discrimina”.
Urge, pois, converter as nossas escolas em espaços de bem-estar, onde não se fragmente a realidade nem se banalize os gestos de humanidade. Um ambiente caracterizado pela serenidade, pelo cuidar da relação. Numa relação de um Eu com um Tu, na qual o professor seja aquilo que é, seja tão autêntico quanto for possível e o Tu não seja tomado por mero objeto. Infelizmente, muitos pais agravam ainda mais os efeitos de uma escola desumanizada, quando convencem a prole de que a felicidade é um direito adquirido e de que os filhos de tudo são merecedores sem esforço, quando a felicidade não depende daquilo a que, apenas por estarmos vivos, temos direito e nos falta, mas do bom uso que fazemos daquilo que temos. Num tempo de inflação hedonista, torna-se premente a tarefa de aprender a saber lidar com as frustrações pessoais.
Atingimos um estado de espírito, que pode ser considerado de felicidade, quando aliamos realização pessoal à aprendizagem das coisas, em comum concretizadas – a minha realização é realização com os outros.
Felicidade é fazer amigos, dar-se sem medida, aceitar e ser aceite, viver em harmonia consigo e com os outros.
“Vamos fazer uma escola feliz” foi o nome que as crianças deram ao primeiro jornal escolar da Escola da Ponte.
Com os alunos, compreendemos que há muitos modos de fazer escolas felizes. O Nélson chegava à escola pontualmente atrasado. Mas, naquele dia, somente se dignou a chegar no fim da manhã. Quis saber a razão de tamanho atraso. O Nélson esclareceu:
— Olha, professor, esta noite, ninguém conseguiu dormir lá em casa. Os ratos roeram uma orelha do meu irmão mais pequenino. Ele estava cheio de sangue, gritou muito, e a minha mãe foi com ele para o hospital. Eu tive de cuidar dos meus irmãos, até ela voltar...
— Mas porque não ficaste em casa, a descansar? Porque vieste para a escola, amigo Nélson? – perguntei.
— Olha, professor, eu vim para a escola porque quando venho para a escola, pelo caminho, sinto uma coisa aqui dentro... Olha, professor, o que eu sinto aqui dentro parece mesmo... alegria!
JOSÉ PACHECOMestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, foi professor da Escola da Ponte. Foi também docente na Escola Superior de Educação do IPP e membro do Conselho Nacional de Educação.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Uma criança sem limites
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Os trabalhos de casa são necessários?
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
BOAS FESTAS!!!
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sábado, 15 de novembro de 2014
Goodlying
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Alunos portugueses têm das mais pesadas cargas horárias no 1.º ciclo
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sexta-feira, 25 de julho de 2014
A ditadura dos mais pequenos
Não obrigue a criança a comer nada: se não quiser comer a sopa, passar ao prato feito com tudo o que é necessário, goste ou não goste. Se não comer tudo, retirar o prato sem comentários e passar à fruta. Se também não quiser comer, proceder do mesmo modo, sem críticas nem alusões ao facto. Ninguém faz uma guerra sozinho...
Na semana passada, mais uma vez, fiz uma consulta a uma senhora que, assim que entrou, frisou que a consulta seria para ela, mas que começaria por falar do filho de 3 anos com quem estava seriamente preocupada, uma vez que tinha feito umas análises que indicavam vários parâmetros baixos que ela atribuía a uma alimentação deficiente. Lá me foi relatando que a criança não comia carne, nem peixe, nem ovos, nem pão, nem batatas, nem leguminosas, nem hortícolas, nem fruta, etc., etc.. Não gostava de nada a não ser de bolachas (mas não Maria ou de água e sal), leite, iogurtes e chocolate.
Como é invulgar uma criança não gostar de tantas coisas em simultâneo, lá fui, diplomaticamente, fazendo perguntas que nos permitissem chegar a alguma conclusão. E, simultanemente, falando de algumas generalidades sem as particularizar:
- da tendência de obrigar as crianças a comerem as quantidades de comida que as mães idealizam como as ideais - as mães mais gordas põem mais comida no prato dos filhos porque normalmente calculam “a olho” em função do que elas próprias comem...;
- de quererem incutir nas crianças hábitos como o de comer sopa, que os próprios pais não praticam;
- de usarem a comida como castigo ou recompensa: “Se não comeres sopa, não comes sobremesa”;
- de permitirem que as crianças não comam, mas cedam facilmente a dar-lhes bolachas logo a seguir à refeição com a chantagem do “mãe, tenho fome” e com o medo de que morram por isso;
-de vincarem os seus gostos pessoais e moldarem o comportamento das crianças em função deles. Quando a criança não gosta de um alimento e o pai gosta, obriga-a a comer até ao fim. Mas se o pai não gostar, discute com a mãe para que ela não o obrigue. E vice-versa. E, de repente, a criança está fora de toda a discussão, conseguindo aquilo que queria, que era chamar a atenção sobre a sua pessoa;
- de se focar excessivamente sobre a comida, o que torna as refeições sofridas e desgastantes. Quando chega a hora de ir para a mesa, a criança já sabe que vai passar um mau bocado, em vez de um momento agradável em família;
- de haver muitas distrações como televisão ou jogos de ipad, que impedem conversas e um convívio normal e salutar entre os membros da família.
Sem que sequer adivinhasse o que se passava naquela casa, percebi pelos movimentos afirmativos de cabeça com que anuía à minha dissertação, que muito do que eu dizia se confirmava naquele caso particular.
Soube também que a dita criança só iria para o infantário no próximo mês de setembro, tendo estado até lá e durante a semana, sob a guarda de uma avó que, tal como a mãe, receia que ela morra à fome - apesar do pediatra lhe dizer vezes sem conta que uma criança só morre de fome se não tiver acesso aos alimentos - e que por isso lhe dá todas as guloseimas que exige. Se não come às refeições, dão-lhe bolachas ou chocolate e por isso volta a não comer na refeição seguinte.
E como contornar o problema, perguntarão?
A conclusão a que ambas chegámos é que é urgente mudar de estratégia! E que técnica usar?
- Não falar de comida às refeições;
- Não obrigar a criança a comer nada: se não quiser comer a sopa, passar ao prato feito com tudo o que é necessário, goste ou não goste. Se não comer tudo, retirar o prato sem comentários e passar à fruta. Se também não quiser comer, proceder do mesmo modo, sem críticas nem alusões ao facto. Ninguém faz uma guerra sozinho...
Persistir ao longo dos dias e resistir às bolachas, ao leite ou aos iogurtes. Esta criança ingeria um litro de leite por dia e mais dois iogurtes, quando a porção para a sua idade seria o equivalente a um copo de leite (250 ml) e dois iogurtes...
Recomendei sobretudo que não vacilasse, e que pedisse ajuda ao marido nesse sentido. A resposta foi que o marido era muito condescendente e que se o filho não quisesse comer ele anuía. Ela é que era obcecada com o assunto. Aconselhei-a, em primeiro lugar, a aceitar junto do marido, com humildade e sem orgulho, que ele sempre tinha alguma razão e que juntos podiam melhorar o comportamento deste seu “difícil” rebento.
Sugeri mais atividades em conjunto como dançar com ele em casa durante a semana em vez de ir ao ginásio, andar de bicicleta, ir ao parque da cidade ao fim de semana. Enfim, focar a atenção noutra coisa que não seja a comida.
Após quase hora e meia de consulta e porque tinha já uma outra cliente à espera há algum tempo, disse-me que viria noutra altura para ela própria perder um pouco de peso. Vai ficar admirada comigo doutora, é que eu também sou muito esquisitinha. A minha mãe diz que eu estou agora a pagar o que a fiz sofrer...
PAULA VELOSO Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso
in Educare
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domingo, 20 de julho de 2014
Momentos #1
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
BOAS FÉRIAS!!!!
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terça-feira, 27 de maio de 2014
Pedro Strecht: "As crianças precisam de paz"
"Cândida Santos Silva"
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domingo, 25 de maio de 2014
Topo Gigio - Oh Sole Mio
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As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.
1.As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.
2. As regras da mãe e do pai, para serem saudáveis, não podem ser (milimetricamente) iguais. Precisam de zonas de tensão, climas duma certa aragenzinha do género: “Querem lá ver que me está a desautorizar...” e de muita manha das crianças: quer quando falam para dentro e, duma forma angélica, presumem que se o pai não disse que não (mesmo que não tenha conseguido discernir a pergunta) é porque está de acordo com ela, quer quando dizem à mãe (tipo cachorro abandonado): “Eu queria uma coisa... mas tu não vais deixar...” (que, depois de repetida três vezes, faz com que qualquer mãe diga “Sim!!!!!!” seja ao que for). Para serem saudáveis, as regras da mãe e do pai não têm que ser um exemplo de unicidade. Precisamente, unicamente, de encontrar nos gestos de um e do outro um mínimo denominador comum.
3. As regras dos pais, ao pé das dos avós, têm sempre “voto de qualidade”. Que as regras dos avós sejam açucaradas é bom; até porque traz contraditório a alguns excessos dos pais. Que em presença de um dos pais, valham as regras dos avós, não há melhor incentivo à confusão.
4. Para as regras dos pais serem apuradas, eles precisam de esgotar, de vez em quando, as quotas de parvoíce a que todas as pessoas têm direito. Pais que nunca se enganam podem ter como aspiração ser bons governantes... Mas são maus pais.
5. Todos os pais, de coração grande, têm (por isso mesmo) a cabeça quente. Exageram, portanto, algumas vezes. Mesmo quando, duma forma ternurenta, mandam as crianças de quarentena para o quarto para pensarem nas asneiras que fizeram (que, à escala do crime económico, vale tanto como desterrar um infrator nas Ilhas Caimão para reconsiderar sobre tudo aquilo que subtraiu à margem da Lei).
6. As regras não se explicam, não se negoceiam nem se justificam. Muito menos, constantemente. Explicação será exceção. A baliza de referência para todas as regras serão os comportamentos dos pais: não é credível que os pais exijam aquilo que eles próprios, um com o outro ou com terceiros, não façam, regularmente.
7. As regras exigem-se. Não se solicitam. E essa exigência deve fazer-se de forma firme e serena.
8. Às regras não se pode chegar depois de muitas ameaças, admoestações ou avisos. E, muito menos, com decibéis em excesso ou na companhia dum olhar assustado por parte dos pais. Se fosse assim, os pais exigiriam serenidade e bom senso com a boca e alarmismo, inflamação e ira, com o seu olhar (ora hostil ora assustado). E, num caso desses, as crianças assustar-se-iam e, em função disso, tenderiam a reagir como um animal encurralado...
9. Autoridade é um exercício de bondade. Exercê-la a medo é pedir desculpa por ser bondoso.
10. Depois duma criança ser avisada duas vezes, as regras dos pais têm de se cumprir. Isto é, têm mesmo de ser levadas a efeito. Ora, se os pais avisam e não cumprem, se avisam e reagem a uma falha com mais avisos, ou se avisam e, de seguida, são desmedidos no exercício da sua justiça, tudo fica confuso e inconsequente.
11. Os pais não podem zangar-se como quem promove pagamentos por conta. Na versão do velho Oeste isso significaria: dispara primeiro e pergunta depois. Isto é: não podem zangar-se por antecipação, na esperança de que isso promova a justiça. E não podem, diante duma mesma infração, hoje, zangarem-se e, amanhã, nem por isso. Porque, ao acumularem zanga, deixam passar situações que precisariam de ser claramente repreendidas para que reajam, mais tarde, diante doutras quase insignificantes. À escala da política tributária, isso significaria zangas com juros de mora. E ninguém consegue ser justo cobrando juros sobre juros a quem quer que seja...
12. Sempre que os pais se sentem muito magoados diante dum qualquer ato dum filho, estão proibidos de reagir num impulso. É melhor parecerem vacilar em tempo real e, depois da mãe e do pai conferenciarem, mais logo, ao jantar, a coima ser clara e inequívoca.
13. A regra será: sempre que o comportamento dos filhos magoe os pais eles estão obrigados a reagir. Sempre! Magoar os pais e não ter − numa repreensão, num castigo, ou numa palmada no rabo, excecional − uma forma de sinalizar o mal que se faz aos pais, através, da dor, como um interdito, é acarinhá-lo, por omissão. No entanto, nenhuma criança se torna má sem que os pais - por aflição, por exemplo - não promovam, sem querer, várias maldades.
14. Atribuir-se a culpa dos atos duma criança ao outro dos pais ou aos avós, por exemplo, é uma forma de fugir à responsabilidade. Em caso de dúvida em relação às regras da mãe e do pai, ou dos pais e dos avós, todas as crianças elevam a fasquia das asneiras, na ânsia de verem os pais, sempre que elas passam por um nível seguinte, a conseguirem ser justos.
15. Diante das asneiras das crianças, vale pouco que os pais abusem nos castigos. Se os castigos forem ocasionais e adequados à infração, nada se perde. Se forem desmedidos ou repetidos são insensatos. Na verdade, sempre que os pais dominam a situação, em tempo real, os castigos deixam de ser precisos logo que os pais passam de verde para amarelo.
16. Se os pais exercem a autoridade a medo, assustam. Pais assustados, tornam as crianças assustadiças. Isto é, capazes de reagir de forma desafiante sempre que se sentem encurraladas entre os seus medos e os medos dos pais.
17. Se os pais exercem a autoridade de forma pesada e deprimida, assustam, também. Porque à tristeza contida dos pais chama-se hostilidade. E essa hostilidade, associada a um ralhete, onera uma repreensão com sobretaxas que se tornam enigmáticas (e injustas) para as crianças.
18. Se os pais, em vez de se zangarem, ameaçam que ficam tristes, estão a dizer às crianças que elas os magoam (e isso, regra geral, elas já sabem). E, claro, que são de porcelana, quando se trata de as proteger e reagir. Pais deprimidos são, por isso mesmo, mais abandónicos do que parecem. São amigos do queixume, mas pouco pais, portanto.
19. Se os pais não se zangam mas amuam, estão a fazer duma família uma escola de rancores. Rancor é ressentimento e ira, numa relação de dois em um. E isso torna os pais mais assustadores do que quando se esganiçam e exageram.
20. Por tudo isto, é claro que por trás duma criança difícil está um adulto em dificuldades. Mas por trás duma outra exemplar estão pais mais ou menos tirânicos. Da mesma forma, por trás duma criança certinha está alguém mais ou menos assustado que, por exigências exageradas, ainda não pôde experimentar que a função fundamental dum filho é pôr problemas aos pais.
21. A autoridade é um exercício de bondade. Aceita-se quando nos chega pela mão de quem nos ama ou das pessoas que admiramos. Mesmo que as crianças, num primeiro momento, a desafiem, que é uma forma de, por cada não (“não me doeu”, “não ouvi”, e assim sucessivamente) afirmarem (que ela só tem sentido) duas vezes. Seja como for, a autoridade pressupõe sabedoria, bondade e sentido de justiça. E nenhuma criança, nenhuma mesmo, a rejeita. Mesmo que ela chegue mediada por alguma dor. Ninguém aprende sem alguma dor.
Como eu gosto dizer, a dor é o sal da sabedoria.
Autor: Eduardo Sá
in pais&filhos
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sexta-feira, 23 de maio de 2014
As Crianças e os seus Segredos
Trabalhar com emoções e sentimentos da arte-terapia ainda é pouco comum nas escolas. Técnicos realçam potencialidades do método para identificar problemas.
O lápis e o papel branco. A arte-terapeuta Mónica Mariano começa com o material mais familiar para se dar a conhecer ao grupo de seis crianças do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico. Os mais pequenos desenham e são estimulados a falar do que lhes vai na alma. Do papel para o barro, do barro para pinturas em papel cenário. Constroem-se casas em cartão, usam-se aguarelas para controlar as tintas mais líquidas. Há berlindes colocados na folha no momento do desenho para que se lide com a frustração de não se conseguir pintar o que se quer. Neste momento, a arte-terapeuta trabalha com marionetas numa das EB1 de Loulé, no Algarve. Mónica Mariano está a realizar o estágio do curso de arte-terapia. Pediu à escola de Loulé que indicasse quais os alunos que tinham problemas ao nível da aprendizagem e do comportamento. Entrevistou as crianças e os pais e selecionou o grupo com o qual trabalha algumas horas por semana.
É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mónica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mónica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui.
Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."
Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percecionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspetiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão recetivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande recetividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.
Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projeto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projeto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma.
Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afetos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas atividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas atividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta.
O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projeto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta.
A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objeto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objeto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.
Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a atuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A receção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objetivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."
No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal", remata.
Sara R. Oliveira
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domingo, 18 de maio de 2014
A Turma do Balão Mágico e Djavan
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Divisão com um algarismo no divisor
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
O Planeta Limpo - Vamos Reciclar
Publicada por Unknown à(s) sexta-feira, maio 16, 2014 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
domingo, 11 de maio de 2014
Bom Domingo na companhia do Topo Gigio!!!
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sábado, 10 de maio de 2014
A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
José Morgado
Publicada por Unknown à(s) sábado, maio 10, 2014 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, 9 de maio de 2014
A piscina do Popeye
Publicada por Unknown à(s) sexta-feira, maio 09, 2014 0 comentários Hiperligações para esta mensagem


