domingo, 31 de janeiro de 2016

Lengalenga_sola, sapato...


Adivinha


" Hino dos Mineiros-Aljustrel "

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A Dezena




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Semana da Preguiçosa


sábado, 23 de janeiro de 2016

Bom fim de semana!!!

23% dos profissionais da educação já viveram situações de stress agudo


Federação Nacional da Educação quer que a lista nacional de doenças profissionais seja atualizada e que as escolas tenham delegados de saúde. Depois de uma campanha e de um diagnóstico, defende que o stress e os problemas de voz devem fazer parte dessa lista.

O stress deve ou não integrar a lista de doenças profissionais dos professores? A Federação Nacional da Educação (FNE) diz que sim e defende essa inclusão com todas as letras num caderno reivindicativo que enviou ao Ministério da Educação (ME), no mês passado. Problemas na voz e lesões musculoesqueléticas também preocupam a classe docente no exercício das suas funções. Estudos recentes indicam que 30% dos docentes portugueses têm níveis elevados de burnout, 20% apresentam níveis médios, e que o impacto económico dos problemas da voz é muito significativo.

Durante sete meses, a FNE desenvolveu a Campanha Nacional da Saúde para chamar a atenção para questões críticas relativas ao dia a dia dos profissionais da educação. “Partimos para esta ação na convicção de que se torna necessário que todos os atores disponham do máximo de conhecimentos indispensáveis para agirem sobre as condições de trabalho e melhorarem a proteção da saúde nos seus locais de trabalho”, explicou, na altura, a FNE. As sessões passaram por Lisboa, Mafra, Viseu, Coimbra, Aveiro, Porto, Faro, Évora, Santarém, Funchal, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta.

Nesses encontros, foram feitos questionários. Os dados estão compilados e as situações de stress agudo nas escolas saltam à vista em 223 questionários validados. Nesta área, 23,3% dos profissionais que trabalham nas escolas revelam que já experienciaram situações agudas de stress profissional, 17,4% afirmam desconhecer os fatores de risco a nível profissional que podem gerar stress e 38,5% dizem desconhecer a síndrome de burnout - 43,9% admitem mesmo ignorar os sintomas de burnout.

Uma percentagem significativa de 85% admite que até à campanha promovida pela FNE não tinham tido qualquer formação sobre a questão do stress em educação. Os fatores de risco, a nível profissional, que podem gerar stress estão identificados. Turmas com muitos alunos, elevada carga horária, alterações permanentes na organização do sistema educativo, incerteza profissional, indisciplina, burocracia, competição, mau relacionamento profissional, excessiva extensão dos programas, são alguns desses fatores.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP) e diretor do Agrupamento de Escolas Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, garante que o stress se sente nas escolas. “A profissão docente é uma profissão muito específica e o stress sente-se perfeitamente, não tanto por parte dos mais velhos, mas daqueles que dão aulas há alguns anos”, refere ao EDUCARE.PT. “Stress na docência sente-se cada vez mais, as turmas são maiores, os alunos e os pais são mais exigentes, a burocracia é cada vez maior, e o horário escolar vai muito para além das 40 horas”, sublinha.

Delegados de saúde nas escolas
No questionário da FNE relativamente aos problemas de voz, a maioria dos inquiridos respondem que, por vezes, sentem que a voz piora à noite e um número significativo conta que têm passado por situações em que tem dificuldade de se fazer ouvir em ambientes ruidosos. Em relação às lesões musculoesqueléticas, 50% dos inquiridos revelam que já faltaram ao trabalho por esse tipo de problemas e 95% afirmam que os problemas de saúde estão frequentemente relacionados com as condições de trabalho.

Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), concorda com a FNE e defende que os problemas de voz que afetam os professores devem voltar a ser considerados doença profissional. “A voz é um instrumento de trabalho dos professores”, diz ao EDUCARE.PT. Há fatores que contribuem para o desgaste nesta profissão. “A instabilidade profissional, o ambiente, a idade da reforma que foi aumentada”, enumera. E as constantes mudanças desestabilizam projetos de vida dos professores. Por outro lado, Paula Carqueja alerta para a situação dos educadores de infância que têm de se adaptar ao mobiliário que, muitas vezes, é feito à medida dos mais novos. Mesas, cadeiras, e móveis mais pequenos obrigam as costas a dobrarem-se mais do que deviam, obrigam a ter o corpo à altura das crianças. Posições que podem originar complicações de saúde a quem tem de se mover alguns centímetros mais abaixo.

Informação disponibilizada, sensibilização feita, trabalho de diagnóstico terminado, a FNE defende que elevados níveis de stress docente exigem alterações na lista de doenças e apresenta várias sugestões à tutela. Além dessa atualização, sugere uma entrevista médica anual gratuita a todos os trabalhadores da educação para deteção de problemas de saúde, particularmente os que decorrem do exercício da atividade profissional. A FNE defende que todas as escolas devem eleger delegados de saúde e segurança no trabalho com efetiva capacidade de intervenção para, desta forma, denunciarem e corrigirem condições de trabalho que ponham em risco os profissionais.

A FNE pretende que haja um novo paradigma de prevenção centrado nas doenças profissionais e não só nas lesões no trabalho. A inclusão dos temas saúde e segurança no trabalho na formação inicial dos professores e uma formação contínua nessas áreas para todos os profissionais da educação são outras sugestões que apresenta. Envolver pais e alunos na promoção de uma cultura de saúde e segurança na comunidade escolar é outro aspeto que valoriza.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) vai abordar o stress na profissão docente a 2 de fevereiro no anfiteatro do edifício novo da Assembleia da República, das 14h30 às 18h. Ivone Patrão e Marcelino Mota, psicólogos clínicos, falarão sobre causas e consequências desse stress e medidas a tomar. Os grupos parlamentares estão convidados a assistir e a participar. A FENPROF quer que o stress e o burnout de quem trabalha nas escolas sejam esmiuçados por quem estuda e percebe a matéria. Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, lembra que cerca de 30 mil pessoas assinaram uma petição que defende um regime excecional de aposentação para a classe docente. “Hoje os professores não têm qualquer tipo de proteção por causa das doenças profissionais”, refere ao EDUCARE.PT. “Não há uma lista de doenças profissionais”, acrescenta.

Sara R. Oliveira
in educare 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

UM FELIZ 2016!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Felicidade - Dicionário de Valores


Urge converter as nossas escolas em espaços de bem-estar, onde não se fragmente a realidade nem se banalizem os gestos de humanidade. Um ambiente caracterizado pela serenidade, pelo cuidar da relação.


O Guardian publicou um estudo da London School of Economics no qual se defende que o principal objetivo das escolas deverá ser o de ajudar a criar pessoas bondosas e felizes. O estudo recomenda que se intensifique a educação moral dos jovens, mostrando-lhes que a felicidade não se alcança quando se concebe o mundo como objeto de satisfação pessoal, mas quando existe preocupação pelo bem-estar do próximo.
Um recente inquérito, realizado junto de pais de alunos de Belo Horizonte, confirma a conclusão do estudo. Inquiridos sobre aquilo que mais desejavam que a escola desse aos seus filhos, os pais responderam: mais do que aprender conteúdos, que também é preciso aprender, queremos que os nossos filhos sejam felizes na escola.

A resposta maioritária só surpreenderá quem não conheça, por dentro, as escolas que ainda temos. Nelas reina a obsessão por uma competitividade que deteriora a relação e produz solidão, que o mesmo é dizer: infelicidade.

Em contraste com o desejo explicitado pelos pais dos alunos, os projetos político-pedagógicos (PPP) raramente se referem à felicidade como valor ou objetivo a alcançar. E as práticas predominantes vão em contramão relativamente a esse desiderato. Diz-nos Ortenila Sopelsa que “dificilmente encontramos uma criança com idade escolar que não anseie em entrar na escola, cheia de sonhos e fantasias. Mas a grande maioria das crianças sente a escola como algo que oprime, ridiculariza e discrimina”.

Urge, pois, converter as nossas escolas em espaços de bem-estar, onde não se fragmente a realidade nem se banalize os gestos de humanidade. Um ambiente caracterizado pela serenidade, pelo cuidar da relação. Numa relação de um Eu com um Tu, na qual o professor seja aquilo que é, seja tão autêntico quanto for possível e o Tu não seja tomado por mero objeto. Infelizmente, muitos pais agravam ainda mais os efeitos de uma escola desumanizada, quando convencem a prole de que a felicidade é um direito adquirido e de que os filhos de tudo são merecedores sem esforço, quando a felicidade não depende daquilo a que, apenas por estarmos vivos, temos direito e nos falta, mas do bom uso que fazemos daquilo que temos. Num tempo de inflação hedonista, torna-se premente a tarefa de aprender a saber lidar com as frustrações pessoais.

Atingimos um estado de espírito, que pode ser considerado de felicidade, quando aliamos realização pessoal à aprendizagem das coisas, em comum concretizadas – a minha realização é realização com os outros.

Felicidade é fazer amigos, dar-se sem medida, aceitar e ser aceite, viver em harmonia consigo e com os outros.

“Vamos fazer uma escola feliz” foi o nome que as crianças deram ao primeiro jornal escolar da Escola da Ponte.

Com os alunos, compreendemos que há muitos modos de fazer escolas felizes. O Nélson chegava à escola pontualmente atrasado. Mas, naquele dia, somente se dignou a chegar no fim da manhã. Quis saber a razão de tamanho atraso. O Nélson esclareceu:
— Olha, professor, esta noite, ninguém conseguiu dormir lá em casa. Os ratos roeram uma orelha do meu irmão mais pequenino. Ele estava cheio de sangue, gritou muito, e a minha mãe foi com ele para o hospital. Eu tive de cuidar dos meus irmãos, até ela voltar...
— Mas porque não ficaste em casa, a descansar? Porque vieste para a escola, amigo Nélson? – perguntei.
— Olha, professor, eu vim para a escola porque quando venho para a escola, pelo caminho, sinto uma coisa aqui dentro... Olha, professor, o que eu sinto aqui dentro parece mesmo... alegria!

JOSÉ PACHECOMestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, foi professor da Escola da Ponte. Foi também docente na Escola Superior de Educação do IPP e membro do Conselho Nacional de Educação.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Uma criança sem limites


                      Pediatra Mário Cordeiro
                      in Pais&Filhos

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Os trabalhos de casa são necessários?



                       Psicólogo Eduardo Sá   
                       in Pais & Filhos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

BOAS FESTAS!!!


sábado, 15 de novembro de 2014

Goodlying

O Goodlying, de uma forma muito sucinta, é a prática do BEM em cadeia.
Algo que deveríamos praticar e incentivar nos nossos alunos, e não só.
Trata-se de uma questão de atitude e valores, onde todos ficaríamos,
certamente, a ganhar. Basta tentarmos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Alunos portugueses têm das mais pesadas cargas horárias no 1.º ciclo

Tal como se passa com os adultos na sua vida profissional, os nossos miúdos estão mais tempo na escola que os alunos da maioria dos países europeus. Estamos no tempo da "escola a tempo inteiro".
No entanto, ainda há quem insista que os miúdos trabalham pouco, não devem brincar.
O tempo passado na escola é apenas uma variável entre muitas que influenciam a qualidade do trabalho. Assim sendo, mais tempo na escola não significa melhores resultados escolares.
Por isso, a mais séria reserva com a ideia de uma "escola a tempo inteiro" que deveria transformar-se num objectivo de educação a tempo inteiro na qual o trabalho no tempo "escolar" fosse potenciado com os recursos necessários, com currículos e apoios adequados, com autonomia escolar a sério, etc.
Não seria preciso mais tempo global se tivéssemos melhor tempo e melhor distribuído, no ensino da Língua Portuguesa, por exemplo, a mãe de todas aprendizagens.

Texto de José Morgado

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A ditadura dos mais pequenos

Não obrigue a criança a comer nada: se não quiser comer a sopa, passar ao prato feito com tudo o que é necessário, goste ou não goste. Se não comer tudo, retirar o prato sem comentários e passar à fruta. Se também não quiser comer, proceder do mesmo modo, sem críticas nem alusões ao facto. Ninguém faz uma guerra sozinho...

Na semana passada, mais uma vez, fiz uma consulta a uma senhora que, assim que entrou, frisou que a consulta seria para ela, mas que começaria por falar do filho de 3 anos com quem estava seriamente preocupada, uma vez que tinha feito umas análises que indicavam vários parâmetros baixos que ela atribuía a uma alimentação deficiente. Lá me foi relatando que a criança não comia carne, nem peixe, nem ovos, nem pão, nem batatas, nem leguminosas, nem hortícolas, nem fruta, etc., etc.. Não gostava de nada a não ser de bolachas (mas não Maria ou de água e sal), leite, iogurtes e chocolate.
Como é invulgar uma criança não gostar de tantas coisas em simultâneo, lá fui, diplomaticamente, fazendo perguntas que nos permitissem chegar a alguma conclusão. E, simultanemente, falando de algumas generalidades sem as particularizar:

- da tendência de obrigar as crianças a comerem as quantidades de comida que as mães idealizam como as ideais - as mães mais gordas põem mais comida no prato dos filhos porque normalmente calculam “a olho” em função do que elas próprias comem...;

- de quererem incutir nas crianças hábitos como o de comer sopa, que os próprios pais não praticam;

- de usarem a comida como castigo ou recompensa: “Se não comeres sopa, não comes sobremesa”;

- de permitirem que as crianças não comam, mas cedam facilmente a dar-lhes bolachas logo a seguir à refeição com a chantagem do “mãe, tenho fome” e com o medo de que morram por isso;

-de vincarem os seus gostos pessoais e moldarem o comportamento das crianças em função deles. Quando a criança não gosta de um alimento e o pai gosta, obriga-a a comer até ao fim. Mas se o pai não gostar, discute com a mãe para que ela não o obrigue. E vice-versa. E, de repente, a criança está fora de toda a discussão, conseguindo aquilo que queria, que era chamar a atenção sobre a sua pessoa;

- de se focar excessivamente sobre a comida, o que torna as refeições sofridas e desgastantes. Quando chega a hora de ir para a mesa, a criança já sabe que vai passar um mau bocado, em vez de um momento agradável em família;

- de haver muitas distrações como televisão ou jogos de ipad, que impedem conversas e um convívio normal e salutar entre os membros da família.

Sem que sequer adivinhasse o que se passava naquela casa, percebi pelos movimentos afirmativos de cabeça com que anuía à minha dissertação, que muito do que eu dizia se confirmava naquele caso particular.

Soube também que a dita criança só iria para o infantário no próximo mês de setembro, tendo estado até lá e durante a semana, sob a guarda de uma avó que, tal como a mãe, receia que ela morra à fome - apesar do pediatra lhe dizer vezes sem conta que uma criança só morre de fome se não tiver acesso aos alimentos - e que por isso lhe dá todas as guloseimas que exige. Se não come às refeições, dão-lhe bolachas ou chocolate e por isso volta a não comer na refeição seguinte.

E como contornar o problema, perguntarão?

A conclusão a que ambas chegámos é que é urgente mudar de estratégia! E que técnica usar?

- Não falar de comida às refeições;

- Não obrigar a criança a comer nada: se não quiser comer a sopa, passar ao prato feito com tudo o que é necessário, goste ou não goste. Se não comer tudo, retirar o prato sem comentários e passar à fruta. Se também não quiser comer, proceder do mesmo modo, sem críticas nem alusões ao facto. Ninguém faz uma guerra sozinho...

Persistir ao longo dos dias e resistir às bolachas, ao leite ou aos iogurtes. Esta criança ingeria um litro de leite por dia e mais dois iogurtes, quando a porção para a sua idade seria o equivalente a um copo de leite (250 ml) e dois iogurtes...

Recomendei sobretudo que não vacilasse, e que pedisse ajuda ao marido nesse sentido. A resposta foi que o marido era muito condescendente e que se o filho não quisesse comer ele anuía. Ela é que era obcecada com o assunto. Aconselhei-a, em primeiro lugar, a aceitar junto do marido, com humildade e sem orgulho, que ele sempre tinha alguma razão e que juntos podiam melhorar o comportamento deste seu “difícil” rebento.

Sugeri mais atividades em conjunto como dançar com ele em casa durante a semana em vez de ir ao ginásio, andar de bicicleta, ir ao parque da cidade ao fim de semana. Enfim, focar a atenção noutra coisa que não seja a comida.

Após quase hora e meia de consulta e porque tinha já uma outra cliente à espera há algum tempo, disse-me que viria noutra altura para ela própria perder um pouco de peso. Vai ficar admirada comigo doutora, é que eu também sou muito esquisitinha. A minha mãe diz que eu estou agora a pagar o que a fiz sofrer...
 

PAULA VELOSO Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso
in Educare

domingo, 20 de julho de 2014

Momentos #1


segunda-feira, 30 de junho de 2014

BOAS FÉRIAS!!!!



terça-feira, 27 de maio de 2014

Pedro Strecht: "As crianças precisam de paz"

Preservar os mais novos das discussões e dos conflitos é bom para toda a família. Saiba como actuar.

O número de casais portugueses que se separa tem vindo a aumentar de ano para ano. Com a última alteração à lei do divórcio as estatísticas registaram mais divórcios que casamentos. Pedro Strecht, pedopsiquiatra, diz que no seu consultório recebe muitos pedidos de ajuda e de aconselhamento. Por isso decidiu escrever um livro, a que chamou 'Dá-nos a Paz', publicado pela Assírio & Alvim, onde responde às principais dúvidas dos casais que passam por um divórcio onde existem filhos. Aqui ficam algumas das dúvidas que com mais frequência lhe chegam.

É melhor evitar a todo o custo uma separação só para se manter a imagem de uma família unida? Há pais que prolongam demasiado situações irreversíveis para as suas vidas, atingindo, por vezes, o limiar do insuportável, só para manter uma ideia de família nuclear, não importa a que preço. Nunca é bom prosseguir situações que não são verdadeiras e que fragilizam emocionalmente.

Mesmo quando se julga estar a actuar no superior interesse das crianças? É sempre negativo viver cenários de mentira e fachada. Isso pode deixar os mais novos desprotegidos perante a possibilidade de interiorização de modelos de relação patológicos, existindo o risco de se desenvolver a imagem de um pai ou uma mãe demasiado impulsivo ou agressivo ou, pelo oposto, excessivamente frágil e indefeso. Se os pais não estão bem na relação mútua, também não estão suficientemente fortes e disponíveis para os filhos. É útil lembrar que os filhos não são almofadas psíquicas que sirvam para amparar episódios repetidos de mal-estar, agressividade ou conflito entre os pais. As crianças não devem ser pretextos para desculpas ou inexistência de decisões que competem aos adultos tomar. Em casos de vivências diárias muito complexas ou negativas para o equilíbrio dos mais novos, uma separação pode ser, potencialmente, um alívio ou solução do problema.

Qual a melhor altura para comunicar a separação? Não existe o momento ideal. A questão do tempo é algo que deve dizer respeito à vida dos adultos e à sua capacidade para sentirem que são capazes de o fazer.

Há alturas em que as crianças e adolescentes podem ser poupados à revelação da situação? Por exemplo, momentos que estão muito próximos de etapas ou vivências importantes para os filhos, como a proximidade da época de exames, a perda ou morte próxima de um familiar, a recente entrada para a escola.

Há alguma maneira especial de comunicar uma separação aos filhos? A melhor maneira é ir directo ao assunto. As palavras devem ser simples, mas francas. De início, as explicações não precisam de ser muito elaboradas. Deve-se sempre assegurar que o amor dos pais pelos filhos não cessa ou termina por acabar a relação. É fundamental transmitir a ideia de que as crianças não têm que tomar parte do conflito. Para além de tudo isto é importante ouvir o que os filhos têm para dizer, responder às suas dúvidas e deixá-las expressar livremente os seus sentimentos.

Quem o deve fazer? Devem ser sempre os pais a comunicar a separação. Se possível é importante que os dois possam estar presentes. Se, de início, a decisão for unilateral, deve ser o progenitor que assumiu a situação fazê-lo. No entanto, há pais que nunca assumem a quebra da relação, mesmo quando esta implica a sua saída de casa ou o início de novas relações. Nesses casos, cabe a quem fica mais perto comunicar a separação.

A separação provoca sempre sofrimento emocional nos filhos? Qualquer separação implica a necessidade de um longo trabalho emocional de adaptação a uma nova realidade, com perdas, ausências, reajustes, que nem sempre são fáceis para quem os vive. Mesmo quando os filhos se apercebem de um clima anterior de zanga, conflito, frieza ou indiferença entre os pais, é vulgar existir uma expectativa de mudança, de regresso a um qualquer ponto anterior ou quase original do relacionamento dos pais. No entanto, quando a relação do casal é tão abertamente conflitual ou agressiva, quando um dos pais é reconhecido pelos filhos pela perturbação da qualidade de relação é que o sofrimento provocado por uma separação é minorado. Não só pela sensação de protecção e alívio como pela diminuição ou mesmo desaparecimento desse foco de mal-estar diário. Um sofrimento não resolvido pode ser a base de perturbações importantes e duradouras na infância e adolescência.

Há separações que deixam marcas para sempre? A forma como uma separação pode deixar marcas duradouras nos filhos depende sempre da maneira como os adultos souberam preservar os mais novos do impacto negativo da situação.

Devem os filhos saber todas as razões da separação? É útil e necessário existir uma distinção de gerações, de estatuto e de papéis entre os mais novos e os mais velhos. Pais e filhos podem e devem partilhar entre si múltiplas áreas das suas vidas, mas deve também manter-se sempre uma diferença entre partes que são específicas de cada um. Pais e filhos não devem ser companheiros, nem confidentes uns dos outros. Das razões que levam a uma separação haverá sempre algumas que se podem transmitir aos filhos, mas haverá outras que só ao casal importam.

A custódia partilhada é o modelo ideal? Simboliza, acima de tudo, uma responsabilidade conjunta no exercício das responsabilidades parentais. Representa a possibilidade de, com em igual peso, ambos os pais poderem decidir sobre o que desejam para os filhos. Mas também exige uma boa capacidade de comunicação e diálogo entre os pais, mesmo quando há conflitualidade e distância.

Hoje em dia, existe a tendência para se ligar a ideia de custódia partilhada à divisão igualitária de tempos de contacto com o pai e com a mãe. Não é verdade e muito menos representa sempre o modelo ideal. Para muitas crianças e adolescentes, repartir a casa do pai e da mãe implica uma certa maturidade emocional, uma boa segurança e autonomia em relação às figuras principais de vinculação e, muitas vezes, a capacidade de gestão autónoma de questões de organização diária, como roupa e material escolar, entre outras. Esse modelo não é aconselhável em crianças de muito baixa idade, sobretudo nos primeiros três a seis anos de vida, pois são muito dependentes e autolimitados nas suas tarefas de autonomia, nas referências espaciais e temporais, na linguagem e até na própria relação, mesmo quando ela passa pela comunicação verbal.

Depois da separação, é proveitoso continuarem a estar todos juntos em fins-de-semana, férias ou noutras ocasiões? Se existe uma separação, então não é bom falsear a situação perante os filhos. Eles esperam dos pais uma posição de clareza e honestidade que lhes reforce a confiança e a segurança relacional e que, mesmo sendo difícil de assumir ou transmitir, é mais positiva do que a falsidade, a omissão ou a distorção. Há situações em que os pais podem e devem comparecer em conjunto, como nos aniversários, reuniões ou festas escolares ou outras que as crianças solicitarem.

"Cândida Santos Silva"

domingo, 25 de maio de 2014

Topo Gigio - Oh Sole Mio


As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.


1.As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.

2. As regras da mãe e do pai, para serem saudáveis, não podem ser (milimetricamente) iguais. Precisam de zonas de tensão, climas duma certa aragenzinha do género: “Querem lá ver que me está a desautorizar...” e de muita manha das crianças: quer quando falam para dentro e, duma forma angélica, presumem que se o pai não disse que não (mesmo que não tenha conseguido discernir a pergunta) é porque está de acordo com ela, quer quando dizem à mãe (tipo cachorro abandonado): “Eu queria uma coisa... mas tu não vais deixar...” (que, depois de repetida três vezes, faz com que qualquer mãe diga “Sim!!!!!!” seja ao que for). Para serem saudáveis, as regras da mãe e do pai não têm que ser um exemplo de unicidade. Precisamente, unicamente, de encontrar nos gestos de um e do outro um mínimo denominador comum.

3. As regras dos pais, ao pé das dos avós, têm sempre “voto de qualidade”. Que as regras dos avós sejam açucaradas é bom; até porque traz contraditório a alguns excessos dos pais. Que em presença de um dos pais, valham as regras dos avós, não há melhor incentivo à confusão.

4. Para as regras dos pais serem apuradas, eles precisam de esgotar, de vez em quando, as quotas de parvoíce a que todas as pessoas têm direito. Pais que nunca se enganam podem ter como aspiração ser bons governantes... Mas são maus pais.

5. Todos os pais, de coração grande, têm (por isso mesmo) a cabeça quente. Exageram, portanto, algumas vezes. Mesmo quando, duma forma ternurenta, mandam as crianças de quarentena para o quarto para pensarem nas asneiras que fizeram (que, à escala do crime económico, vale tanto como desterrar um infrator nas Ilhas Caimão para reconsiderar sobre tudo aquilo que subtraiu à margem da Lei).

6. As regras não se explicam, não se negoceiam nem se justificam. Muito menos, constantemente. Explicação será exceção. A baliza de referência para todas as regras serão os comportamentos dos pais: não é credível que os pais exijam aquilo que eles próprios, um com o outro ou com terceiros, não façam, regularmente.

7. As regras exigem-se. Não se solicitam. E essa exigência deve fazer-se de forma firme e serena.

8. Às regras não se pode chegar depois de muitas ameaças, admoestações ou avisos. E, muito menos, com decibéis em excesso ou na companhia dum olhar assustado por parte dos pais. Se fosse assim, os pais exigiriam serenidade e bom senso com a boca e alarmismo, inflamação e ira, com o seu olhar (ora hostil ora assustado). E, num caso desses, as crianças assustar-se-iam e, em função disso, tenderiam a reagir como um animal encurralado...

9. Autoridade é um exercício de bondade. Exercê-la a medo é pedir desculpa por ser bondoso.

10. Depois duma criança ser avisada duas vezes, as regras dos pais têm de se cumprir. Isto é, têm mesmo de ser levadas a efeito. Ora, se os pais avisam e não cumprem, se avisam e reagem a uma falha com mais avisos, ou se avisam e, de seguida, são desmedidos no exercício da sua justiça, tudo fica confuso e inconsequente.

11. Os pais não podem zangar-se como quem promove pagamentos por conta. Na versão do velho Oeste isso significaria: dispara primeiro e pergunta depois. Isto é: não podem zangar-se por antecipação, na esperança de que isso promova a justiça. E não podem, diante duma mesma infração, hoje, zangarem-se e, amanhã, nem por isso. Porque, ao acumularem zanga, deixam passar situações que precisariam de ser claramente repreendidas para que reajam, mais tarde, diante doutras quase insignificantes. À escala da política tributária, isso significaria zangas com juros de mora. E ninguém consegue ser justo cobrando juros sobre juros a quem quer que seja...

12. Sempre que os pais se sentem muito magoados diante dum qualquer ato dum filho, estão proibidos de reagir num impulso. É melhor parecerem vacilar em tempo real e, depois da mãe e do pai conferenciarem, mais logo, ao jantar, a coima ser clara e inequívoca.

13. A regra será: sempre que o comportamento dos filhos magoe os pais eles estão obrigados a reagir. Sempre! Magoar os pais e não ter − numa repreensão, num castigo, ou numa palmada no rabo, excecional − uma forma de sinalizar o mal que se faz aos pais, através, da dor, como um interdito, é acarinhá-lo, por omissão. No entanto, nenhuma criança se torna má sem que os pais - por aflição, por exemplo - não promovam, sem querer, várias maldades.

14. Atribuir-se a culpa dos atos duma criança ao outro dos pais ou aos avós, por exemplo, é uma forma de fugir à responsabilidade. Em caso de dúvida em relação às regras da mãe e do pai, ou dos pais e dos avós, todas as crianças elevam a fasquia das asneiras, na ânsia de verem os pais, sempre que elas passam por um nível seguinte, a conseguirem ser justos.

15. Diante das asneiras das crianças, vale pouco que os pais abusem nos castigos. Se os castigos forem ocasionais e adequados à infração, nada se perde. Se forem desmedidos ou repetidos são insensatos. Na verdade, sempre que os pais dominam a situação, em tempo real, os castigos deixam de ser precisos logo que os pais passam de verde para amarelo.

16. Se os pais exercem a autoridade a medo, assustam. Pais assustados, tornam as crianças assustadiças. Isto é, capazes de reagir de forma desafiante sempre que se sentem encurraladas entre os seus medos e os medos dos pais.

17. Se os pais exercem a autoridade de forma pesada e deprimida, assustam, também. Porque à tristeza contida dos pais chama-se hostilidade. E essa hostilidade, associada a um ralhete, onera uma repreensão com sobretaxas que se tornam enigmáticas (e injustas) para as crianças.

18. Se os pais, em vez de se zangarem, ameaçam que ficam tristes, estão a dizer às crianças que elas os magoam (e isso, regra geral, elas já sabem). E, claro, que são de porcelana, quando se trata de as proteger e reagir. Pais deprimidos são, por isso mesmo, mais abandónicos do que parecem. São amigos do queixume, mas pouco pais, portanto.

19. Se os pais não se zangam mas amuam, estão a fazer duma família uma escola de rancores. Rancor é ressentimento e ira, numa relação de dois em um. E isso torna os pais mais assustadores do que quando se esganiçam e exageram.

20. Por tudo isto, é claro que por trás duma criança difícil está um adulto em dificuldades. Mas por trás duma outra exemplar estão pais mais ou menos tirânicos. Da mesma forma, por trás duma criança certinha está alguém mais ou menos assustado que, por exigências exageradas, ainda não pôde experimentar que a função fundamental dum filho é pôr problemas aos pais.

21. A autoridade é um exercício de bondade. Aceita-se quando nos chega pela mão de quem nos ama ou das pessoas que admiramos. Mesmo que as crianças, num primeiro momento, a desafiem, que é uma forma de, por cada não (“não me doeu”, “não ouvi”, e assim sucessivamente) afirmarem (que ela só tem sentido) duas vezes. Seja como for, a autoridade pressupõe sabedoria, bondade e sentido de justiça. E nenhuma criança, nenhuma mesmo, a rejeita. Mesmo que ela chegue mediada por alguma dor. Ninguém aprende sem alguma dor.
Como eu gosto dizer, a dor é o sal da sabedoria.

Autor: Eduardo Sá
in pais&filhos