sexta-feira, 11 de março de 2011

Animal de companhia: qual escolher?

Uma vez decidida a aquisição de um animal de companhia, surgem as dúvidas... Que animal escolher? Que doenças nos podem transmitir? Quais são as exigências de um animal de companhia?

http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif

Actualmente existe alguma variedade de espécies que podem ser adotadas como animais de estimação.

Os
cães são os nossos favoritos. São inteligentes, leais, felizes e obedientes. São os melhores companheiros. São animais que precisam de muito do nosso tempo para serem felizes e saudáveis. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é necessário ter uma casa grande ou um jardim enorme, pois há muitas raças que se adaptam perfeitamente à vida em apartamento. Já a falta de companhia, essa sim, é um problema considerável para os cães. Cada raça tem a sua personalidade, capacidades e necessidades distintas.

Os
gatos são animais mais independentes que os cães e toleram bem melhor o tempo que passam sozinhos. São animais que também são muito mais subtis, sendo mais difícil interagir com eles.

Os
coelhos, hamsters e ratos podem ser dóceis, mas também se podem tornar agressivos. À medida que crescem as suas necessidades aumentam, e se as suas gaiolas não forem limpas com frequência podem libertar maus cheiros.

Os
papagaios, canários e periquitos são os mais afetuosos de todas as aves, mas normalmente criam laços com apenas um elemento da família. Podem ser muito ruidosos.

Tartarugas, lagartos e cobras são animais de observação, ou seja, até se pode pegar neles mas não há retribuição de carinho. Para além disto, podem ser fonte de contágio de algumas doenças, especialmente de salmonelose, pelo que o seu manuseio por parte de crianças deve ser evitado.

Os
peixes são muito bonitos mas são também pouco interactivos.

Tendo em consideração todas as características anteriormente descritas, a nossa escolha recai preferencialmente nos cães, logo seguidos pelos gatos, por serem animais que conseguem estabelecer uma melhor relação com uma criança.

Mas a verdade é que os animais de companhia podem transmitir doenças:

Raiva: transmitida pela mordedura ou contacto da saliva de qualquer mamífero infetado com as mucosas. Previne-se pela vacinação massiva dos animais domésticos.

Sarna
: transmitida pelo cão ou pelo gato, é uma patologia caracterizada por prurido intenso (comichão). Tem tratamento eficaz, com cura completa.

Micoses: transmitidas pelo contacto direto com cão, gato ou coelho infetados, normalmente cursam com zonas de alopécia (zonas sem pelo) de aspeto circular. Os gatos podem ser portadores sem doença. Tem tratamento eficaz, com cura completa.

Leptospirose: transmitida pelo contacto com urina de ratos, cães, gatos infetados ou águas contaminadas. A prevenção passa por vacinação dos cães e controle da população de ratos.

Toxoplasmose: transmitida a humanos pelo contacto com fezes de gatos. Os cães não transmitem toxoplasmose. O principal risco desta doença é para grávidas, doentes imunocomprometidos e crianças até aos 6 meses de idade. A prevenção, relativamente ao contacto com animais, passa por evitar a limpeza dos caixotes das fezes pelas pessoas inseridas nestes grupos de risco.


Parasitoses: há dois tipos de parasitas, os externos (pulgas e carraças) e os internos (ténias e lombrigas). Ambos podem ser transmitidos pelos animais de estimação. A prevenção passa pela desparasitação interna (de 4 em 4 meses) e externa (mensal) dos animais e a desparasitação de toda a família anualmente.

Alergias: há adultos e crianças que tem alergia intrínseca ao pelo de animais. Existem vacinas de dessensibilização e, segundo alguns autores, não é pelo facto de ter o animal em casa que as pessoas têm mais crises alérgicas, porque o teor de alergénios animais é semelhante em casas com e sem animais.

Por tudo isto é importante:
- seguir um programa preventivo de saúde para o seu animal de estimação que inclui: alimentação adequada, exercício regular, proteção do frio, vacinação recomendada, desparasitação,
check-ups regulares junto do seu veterinário.

- garantir que o seu animal de estimação tem a sua própria cama e que os recipientes da comida são mantidos limpos e afastados do local onde ocorrem as refeições familiares.

(Dária Rezende (Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga),
Jorge Ribeiro (Veterinário, Clínica de Animais de Companhia do ICBAS - Universidade do Porto)

in educare

segunda-feira, 7 de março de 2011

Autismo - Programa Son-Rise

sábado, 5 de março de 2011

Tricotilomania, a mania de arrancar os cabelos

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um mano mais novo

O David tinha um irmão mais novo que o seguia para todo o lado.

No início era muito engraçado, ver o mano sempre atrás dele quando ia da sala para o quarto, do quarto para a cozinha, … mas ao fim de algum tempo, o David estava a ficar cansado de ter sempre o seu mano atrás de si. Quando o David estava a estudar, o mano trazia os carros e fazia barulho; quando estava a lavar os dentes, o mano ia buscar a sua escova de dentes e colocava-se ao seu lado a lavar os dentes; até quando estava a brincar com os seus amigos, o mano andava atrás dele.

O David nunca pensou que o seu pedido tivesse este resultado; é que ele tinha pedido muito aos pais para ter um mano, mas… não era isto que ele tinha pensado. Na verdade, ele queria um irmão mais velho que jogasse à bola com ele (o mano não conseguia dar grandes pontapés na bola), que lhe fizesse companhia na escola (o mano ainda estava a aprender as cores), que dividisse os castigos com ele (os pais diziam que o mano era muito pequeno e não sabia o que fazia).

Não, não era nada disto que ele tinha pensado! E agora não podia fazer nada. Não havia nenhuma loja onde se conseguisse trocar um mano mais novo por outro, mais velho, a estrear.

Então um dia, enquanto remexia no sótão (escondido lá, para o mano não o encontrar), encontrou uma arca cheia de velharias; lá dentro estava uma caixa com uma fechadura. O David procurou a chave por todo o lado até a descobrir. Quando abriu a caixa, depois de espirrar por causa do pó, saiu de lá de dentro um homenzinho muito pequeno (do tamanho de uma mão aberta), vestido de uma forma engraçada e, imaginem só, azul! Mesmo azul, da cabeça aos pés (e não falo da roupa). O homenzinho agradeceu ao David e perguntou-lhe se o podia ajudar em troca do favor que o David lhe tinha acabado de fazer. O David disse logo que sim, claro que podia. E se ele pedisse ao homenzinho para que o irmão deixasse de andar atrás dele o dia todo? O homenzinho respondeu-lhe que sim, que amanhã o irmão já não andaria o dia inteiro a segui-lo. O David mal podia esperar pelo próximo dia.

Quando acordou no dia seguinte viu que o irmão não estava na cama dele. Espreitou pela casa todo e nada. Uau! Não tinha mais o irmão atrás dele, nem a derrubar as suas construções, nem a atrapalhar os seus jogos.

O dia foi passando para o David, mas havia qualquer coisa estranha: ele não conseguia perceber porquê, mas não conseguia entreter-se com nada: o computador não tinha piada, fartava-se rapidamente dos carros e nem à bola lhe apetecia jogar.

Bem, a verdade é que sentia algumas saudades do mano, porque às vezes ele até tinha graça; estava sempre pronto para brincar ao que o David queria, ria sempre das suas palhaçadas e até era engraçado ensiná-lo a jogar (mesmo porque o David ganhava sempre os jogos, a não ser que quisesse mesmo perder).

Ao fim do dia, o David já estava arrependido; se calhar era melhor ter um irmão pequeno atrás dele do que nenhum; e depois ele haveria de crescer e deixar de ser trapalhão e começar a ir para a escola (e a ter trabalhos de casa). Voltou ao sótão para ter uma nova conversa com o homenzinho azul. Mas a caixa estava vazia e não estava lá mais ninguém. E agora? Se não encontrasse o homenzinho nunca mais veria o irmão. E os pais? Iam ficar tristes. Como é que ele ia resolver isto?

Pensou, pensou e tornou a pensar. Mas nada! Por mais voltas que desse não conseguia encontrar uma solução. Estava tão concentrado que chegou rapidamente a hora do jantar e a mãe foi chamá-lo para a mesa. Sem saber como ia dizer aos pais que o mano nunca mais voltava, muito triste, lá desceu para jantar.

Quando estava a chegar à porta, sentiu algo a agarrá-lo; qual não era o seu espanto quando viu o mano de volta dele. Então o que tinha acontecido? Como é que o mano voltou a aparecer? Que grande confusão!

Afinal o mano tinha ido de manhã muito cedo levar as vacinas e depois tinha ido passear com o avô. Só tinham voltado à tarde, mas o David estava no sótão tão concentrado que não os tinha ouvido chegar.

O David ficou tão contente e tão aliviado! Nunca mais voltava a pedir que o mano fosse embora (por mais chato que o mano pudesse ser).

Aos pais:

É habitual existirem atritos entre irmãos, em particular quando os interesses de cada idade não são os mesmos. Normalmente não é preocupante e mais tarde ou mais cedo eles acabam por ultrapassar as divergências. Os pais podem ajudar ao bom entendimento descobrindo actividades que todos gostem de fazer em família, com oportunidade para todos participarem (jogos de equipa, jogos de tabuleiro, passeios a museus ou bibliotecas). Aproveitem o tempo para se divertirem (e tirem fotos para mostrar).

in manual da criança

quarta-feira, 2 de março de 2011

As crianças podem tomar café?

A história que vou contar passou-se comigo numa consulta e é apenas um exemplo entre milhares. Um exemplo de como os pais desconhecem ou ignoram os efeitos de alguns produtos no organismo dos seus filhos. E digo ignoram porque, muitas vezes, apesar de serem por mim informados, continuam a permitir que as crianças os ingiram.

http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif

Há uns tempos atrás, apareceu no meu consultório um indivíduo de trinta e muitos anos, funcionário de quadro técnico bancário (para se perceber que não era um iletrado), cujo objectivo era perder peso.

Na história alimentar que lhe fiz, interroguei-o acerca do número de cafés que tomava, não porque este contribua significativamente com calorias, mas para saber a quantidade de açúcar que eventualmente poderia contribuir para a ingestão calórica diária. Embora me tenha respondido que o não usava no café, referiu que tomava sete a oito por dia. Sabendo que esta bebida pode trazer alguns benefícios para a saúde se forem tomadas duas ou três chávenas por dia, mas que em quantidade superior pode causar agitação, irritabilidade e insónias, disso informei o paciente e aconselhei-o a reduzir a dose diária.


Disse-me que se o fizesse teria que substituir o café por uma bebida de cola (cujo nome omito para não criar mal-entendidos), uma vez que era completamente dependente da cafeína. Perante tal inflexibilidade em mudar de hábitos, sugeri que então ao menos usasse a versão light ou diet que pouco ou nada influenciariam o plano alimentar para perda de peso.


Rematou convictamente desta forma: "Não, não! Não vou deixar de ter essa bebida em casa porque tanto eu como o meu filho somos viciados!..." Ao que eu, já a imaginar algo, perguntei: Que idade tem o seu filho? A resposta veio pronta e surpreendente: "Dois anos e meio". Fiquei atónita , embora na realidade, não fosse uma surpresa total. Perguntei então: Tem noção do que acabou de me dizer? Há pouco referiu-me que se não tomasse sete ou oito cafés por dia, teria que os substituir por cola para "funcionar". Percebe agora o que está a dar ao seu filho?


Infelizmente, este caso não é a excepção que confirma a regra, é mesmo a regra! Nos festivais aéreos da Red.Bull vi inúmeras crianças a beberem esta bebida como água, apesar de conter mais do dobro da cafeína de uma cola e tanta como alguns cafés! Efectivamente, raros são os lares onde colas ou ice-teas não existem no frigorífico e despensa, como bebida que faz a vezes da água ou mesmo do leite. Além de contribuírem para o aumento de peso por serem calorias líquidas e de muitas vezes substituírem o leite ou os iogurtes privando o organismo de proteínas, cálcio, fósforo e outros nutrientes, estas bebidas contêm cafeína ou teína, substâncias estimulantes com acção a nível do sistema nervoso central e com efeitos deletérios na saúde das crianças.


É natural que as crianças pareçam ansiosas, irritadas, hiperactivas ou tenham insónias se consumirem este tipo de bebidas. Não pode é parecer natural que os pais o permitam!

Paula Veloso

in Educare

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Viagem de Maria

domingo, 16 de janeiro de 2011

Divisão por um número de 2 algarismos

Alienação Parental

Fala-se ultimamente em “Síndrome de Alienação Parental; embora este termo não seja o correcto, a alienação parental existe quando um dos progenitores tenta repetidamente denegrir o outro progenitor junto da criança, habitualmente durante uma situação de divórcio; contudo não deixa de ser uma situação de maus-tratos emocionais para as crianças.

O divórcio é o 2.º acontecimento de vida mais gerador de stress, que nem sempre é fácil de gerir; aceitar o final de uma relação e adaptar-se a novas realidades é difícil e leva tempo. Por vezes o conflito que surge entre os pais afecta os filhos sem que estes o percebam. E isto acarreta consequências:

- Relações interpessoais: dificuldade em estabelecer relações de confiança com outras pessoas e em relações de maior intimidade;

- Baixa tolerância à raiva e hostilidade: dificuldades em lidar com situações que despertem emoções fortes como a raiva (“ferver em pouca água”), em aceitar o “não”.

- Problemas no sono e na alimentação: dificuldades em adormecer, pesadelos, sono inquieto; pode também existir falta de apetite.

- Maior conflitualidade com figuras de autoridade: dificuldades em segui ordens e orientações de figuras de autoridade (professores, polícias, superiores hierárquicos, …)

- Maior vulnerabilidade e dependência psicológica: auto-estima e auto-confiança mais baixas.

- Sentimento de culpa: a criança é constantemente forçada a escolher um lado e tomar partido, crescendo com um sentimento de culpa e de impotência.

- Doenças psicossomáticas: dores de cabeça, dores de barriga e outras são muito comuns de surgirem, em particular nas situações de stress.

Cada um reage à dor de uma separação da sua própria maneira, sendo que uma maneira construtiva é aceitando o fim da relação a nível emocional e cognitivo, reorganizar e redefinir a família. E isso leva tempo e energia, mas o resultado final é positivo para todos.

in manual da criança

sábado, 8 de janeiro de 2011

"Autoritarismo" nas Crianças

Enfrente o autoritarismo dos seus filhos com determinação, pois só desta maneira estará a ajudá-los a crescer de uma forma saudável.

http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif

O autoritarismo é um estilo de educação parental em que as regras são impostas pelos pais de uma forma rígida, não havendo margem para qualquer negociação. Quando aqui é referido o autoritarismo das crianças, penso que o que está em questão é precisamente o facto de também elas quererem impor os seus desejos e reagirem negativamente quando são contrariadas. As birras são manifestações típicas das crianças quando são confrontadas com comportamentos de oposição por parte dos adultos.

Por volta dos oito meses, sobretudo se a criança já começou a gatinhar, tendo por isso mais autonomia, vai começar a testar os limites. Se os pais disserem 'não', a criança vai sentir-se ainda mais aliciada a repetir o comportamento que foi alvo de repressão. Esta atitude das crianças gera frequentemente sentimentos de frustração e de desânimo nos pais porque, por um lado, é abalada a imagem de inocência que estes tinham delas e, por outro, passam a ter de supportar a irritação dos filhos, o que não é uma tarefa agradável.

A grande questão que se coloca é perceber porque todas as crianças tentarem testar os pais. Na verdade, o que os mais pequenos procuram compreender com este comportamento é se os pais dirão sempre "não" ou se só dirão "não" em determinados contextos; se utilizarão o "não" apenas quando a criança está só ou se o farão quando esta estiver com alguém; se um "não" será sempre "não" ou se passará a "sim" ao fim de alguma insistência.

Apesar de impor limites ser uma tarefa por vezes desgastante e cansativa, já que exige repetição e paciência, é fundamental para promover a capacidade de autocontrolo da criança, na medida em que a ajuda a estabelecer os seus próprios limites. Se os pais estabelecerem limites firmes mas carinhosos desde os primeiros anos de vida, ajudarão também a criança a reconhecer os seus sentimentos e aquilo que lhes está subjacente, a ter a percepção dos sentimentos dos outros, a desenvolver um sentido de justiça e ainda a descobrir a alegria de dar e até de fazer sacrifício em prol do bem-estar dos outros.

Para que todo este processo seja simplificado, é fundamental que as regras sejam claras e consistentes e que se adaptem às capacidades e necessidades de cada criança. É também importante que ambos os pais estejam de acordo com as regras estabelecidas e que façam avaliações e revisões regulares dessas mesmas regras e expectativas, uma vez que, à medida que a criança cresce, será necessário ajustar algumas delas.

Segundo Selma Fraiberg, perita em desenvolvimento infantil, "uma criança sem disciplina é uma criança que não se sente amada". Por esta razão, enfrente o autoritarismo dos seus filhos com determinação, pois só desta maneira estará a ajudá-los a crescer de uma forma saudável.

Autora: Adriana Campos

In Educare

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A importância das TIC na promoção de uma escola inclusiva

Tornando nosso um "velho" sonho de Tom Stonier, um dos precursores das TIC na educação, "gostaria de assegurar que todas as crianças do mundo tivessem direito a um sistema computacional em rede... e a uma avó".

http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif

A designada "escola inclusiva" ou "escola para todos" tem, nos últimos anos, merecido a atenção de muitos organismos, entidades e personalidades nacionais e internacionais que, à luz de crescentes "movimentos" socioeducativos, teceram inúmeras (e importantes) reflexões e recomendações que visam, por um lado, adequar o processo de ensino e aprendizagem às características e singularidade de cada criança ou jovem, e, por outro, criar condições humanas, físicas e materiais que permitam uma participação efectiva e plena de todos os indivíduos na escola e na sociedade. Deste modo, e tendo em consideração, entre outras, as recomendações da Comissão das Comunidades Europeias no que diz respeito à info-inclusão, o enfoque é tanto maior quanto mais acentuadas são as dificuldades e/ou deficiências de que o indivíduo é portador.

Sendo certo que é hoje perfeitamente consensual que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) se constituem como uma "mais-valia", nos mais variados níveis de todo o processo de ensino e aprendizagem, não podemos deixar de parafrasear Radabaugh (1993) quando refere que, "para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis; para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis". Por conseguinte, e perante alunos com necessidades educativas especiais, com limitações em variados domínios, uma das questões fundamentais a ter em conta, consiste em perspectivar o valor das tecnologias no seu processo educativo, como ferramentas que facilitam a comunicação e o acesso à informação, e que permitem, igualmente, o desenvolvimento de capacidades e competências funcionais.

Tornando nosso um "velho" sonho de Tom Stonier (1988), um dos precursores das TIC na educação, que "gostaria de assegurar que todas as crianças do mundo tivessem direito a um sistema computacional em rede... e a uma avó", desenvolvemos uma investigação sobre a importância das TIC na promoção de uma escola inclusiva.

O estudo realizado baseou-se no desenvolvimento e aplicação de um questionário, respondido por cento e treze docentes de educação especial a leccionar em escolas/agrupamentos de escolas do distrito de Coimbra no ano lectivo de 2008/2009, onde se pretendeu averiguar as opiniões dos docentes face aos princípios da educação inclusiva; conhecer a utilização pessoal que os docentes fazem das TIC e identificar a frequência, o tipo de equipamentos e tipo de software que os docentes utilizam com alunos; percepcionar as opiniões dos docentes face às vantagens e dificuldades na utilização das TIC em contextos educativos; identificar o tipo, forma e duração da formação obtida em TIC e em contexto da educação especial; e auscultar os docentes de educação especial sobre medidas que visem melhorar a utilização das TIC na escola inclusiva.


A análise dos dados obtidos permitiu-nos obter resultados favoráveis aos princípios da escola inclusiva e à utilização das TIC em contextos educativos. Dentre outros aspectos, pudemos constatar que os docentes, de uma maneira geral, "utilizam o computador com muita frequência, para realizar múltiplas tarefas" da sua vida pessoal e profissional (93,8%) e que a sua utilização com alunos é feita "algumas vezes" e "quase sempre", por 45,0% e por 38,7%, respectivamente, dos docentes da amostra. No entanto, pudemos verificar que a utilização de equipamentos periféricos ao computador (hardware adaptado e específico) e de "software de educação especial" é ainda muito baixa, aspecto que poderá estar relacionado com o facto de a larga maioria dos docentes possuir "nenhuma" (49,6%) ou "pouca" (28,3%) formação em TIC aplicadas à educação especial.


Por último, é importante referir que os resultados alcançados nos permitiram validar as nossas hipóteses de investigação, contribuindo assim para determinar a importância das TIC na promoção de uma escola inclusiva. Assim, e entre outros aspectos, para além de subscrevermos as principais conclusões e recomendações de organismos nacionais e internacionais no âmbito da educação inclusiva e da utilização das TIC na escola inclusiva, a nossa investigação permitiu-nos concluir que, os docentes de educação especial do distrito de Coimbra com melhor opinião face à educação inclusiva, que atribuem maior importância às TIC na promoção de uma escola inclusiva, mais novos e com menos tempo de serviço tendem a evidenciar melhor opinião perante a utilização das TIC em contextos educativos. Paralelamente a estas conclusões, foram tecidas algumas recomendações que se traduziram em sugestões/respostas dadas pelos docentes, as quais, pela sua pertinência, consideramos importante divulgar:

  • Mais formação em TIC, sobretudo em TIC aplicada à educação especial;
  • Mais e melhores equipamentos informáticos e mais material adaptado e adequado às crianças e jovens com NEE;
  • Mais software específico para o trabalho com alunos com NEE de carácter permanente;
  • Melhoria no acesso à Internet;
  • Melhores condições de funcionalidade;
  • Existência de planos de acção das TIC na educação especial;
  • Mais equipas de apoio/centros de recursos no âmbito das TIC na educação especial ou existência de centros de recursos na própria escola;
  • Melhorar a motivação dos docentes;
  • Melhorar a actualização/manutenção do material informático;
  • Maior produção de conteúdos didácticos.

Por último, e numa perspectiva de assunção das responsabilidades, foi ainda sugerido que houvesse uma "maior aceitação da responsabilidade do professor pela sua própria aprendizagem e desenvolvimento em TIC" e que se verificasse "maior sensibilidade por parte das estruturas organizacionais e de liderança do nosso sistema educativo".

(José António Rêgo)

in educare

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Poder do Amor!

Para amar há-de sempre faltar-nos a eloquência e a perspicácia, porque o amor já é eloquentemente forte e apenas a perspicácia de um bom coração o pode receber como inquilino.

Vivemos num mundo amorfo, sem forma de amar. Um mundo em que as pessoas são catalogadas como objectos. Um mundo egoísta, egocentrista e tão excêntrico, que exclui todos Aqueles, cuja forma de amar é mais profunda e incondicional. Vivemos num mundo de anões, não na altura, mas nos sentimentos, são curtos de emoções e são Baixotes na entrega. Mas neste mundo ainda há uma réstia de cor, de alegria, de simpatia, moras em alguns poucos que foram Abençoados com o Poder do Amor.

Segue fazendo o Bem, provavelmente não te faltarão espinhos e pedras. Pedras, no entanto servem nas construções e espinhos lembram Rosas. Não gastes tempo medindo obstáculos ou lastimando ocorrências infelizes. Se a coragem dos que esmorecem e a consolação dos que perdem a esperança. Onde encontrares a sombra acende a luz da esperança. Onde encontrares a sombra acende a luz da renovação. Ama apenas por Amar!

Será que nunca ninguém entenderá que o Mundo sem Amor não é Mundo, apenas um deserto desprovido de Vida! O que sempre nos dará alento, a nós pessoas que cultivam o Amor, será os Oásis que por este deserto fora vamos encontrando. Bem-haja aqueles que nos vão matando a sede!

ASA e SUNRISE

in ajudas

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Presentes de Natal para Crianças

Estamos tão perto do Natal que pensámos em falar sobre presentes. Embora na maioria das vezes está escrito na embalagem dos brinquedos qual a faixa etária mais adequada, nem sempre é fácil escolhermos entre tanta oferta. Vamos dar uma pequena ajuda, mostrando quais as capacidades que as crianças têm em cada faixa etária e como podemos ajudar a estimular e a adquirir novas capacidades.

Ficam algumas ideias para alegrar o Natal da criançada. Vamos começar hoje pela faixa etária até aos 12meses.

Aos 6 meses a criança já consegue

· Responder activamente às solicitações do adulto: ri, olha, emite sons,…

· Alcançar e segurar objectos e brinquedos.

· Levar objectos a boca.

· Emitir e localizar sons.

· Rolar.

Os melhores presentes para esta idade são os que desenvolvem a comunicação e audição, que emitam sons, músicas, tais como rocas, mobiles, projectores; brinquedos que promovam a estimulação dos sentido táctil (e não só), com várias cores, macios e com texturas diferentes, como os ginásios, os peluches e livros com texturas; brinquedos de causa e efeito, como aqueles onde a criança quando carrega num botão e este emite som. Brinquedos que estimulem o movimento, como o agarrar e o gatinhar também são importantes.

Aos 9 meses a criança já é capaz de:

· Procurar objectos escondidos.

· Transferir objectos de uma mão para outra.

· Emitir sílabas.

· Sentar-se sem apoio.

Além de alguns presentes da faixa anterior (como os brinquedos de causa e efeito, peluches), podemos começar a estimular novas áreas, tais como a coordenação olho-mão com jogos de encaixe e de empilhar; continuamos a estimular a comunicação com jogos de música tais como pianos, telefones, …

Os triciclos (sem pedais) começam a ser utilizados a partir desta idade.

Aos 12 meses já podemos observar que a criança consegue:

· Imitar gestos.

· Fazer a pinça: segura com o polegar e indicador

· Emitir palavras

· Andar com apoio.

Agora, os presentes já estimulam o movimento autónomo e começamos a utilizar o andador. Brinquedos como os carrinhos, os aviões, as bonecas, com acessórios (como garagens para os carros) são adequados; contudo é necessário ter em atenção os tamanhos dos brinquedos não podem ser demasiado pequenos para a criança não os engolir por acidente. Isto aplica-se a brinquedos que se desmontem em partes mais pequenas. Jogos interactivos com sons e palavras para estimular a fala, agora que a criança precisa de adquirir palavras.

Estas sugestões não dispensam nunca a presença do adulto para envolver a criança na brincadeira, até porque este pode estimular o interesse e atenção da criança, ajuda a desenvolver a comunicação e a aquisição das palavras e a relação com o outro.

Boas compras e boas ideias…

in manual da criança

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ser D(EFICIENTE)...

Ser deficiente...
Não é ser deficiência física ou psicológica
É deficiência de ideias incessantemente
De raciocínios sem lógica.
Amar e ser amado por quem somos
Deficiências todos temos
De ideias e preconceitos
Todos humanos, todos com defeitos
Amar e ser amado
Lutar e ser lutador
Vencer a luta duma dor inesquecida.
Um amor verdadeiro
Uma inocência na deficiência
Lutadores e vencedores
Lutar contra o vencedor da partida
Mas vencedores da vida.
Conhecedores da sobrevivência
Todos lutadores
Contra a luta e contra as dores.
Um viver e renascer
Na luta vida vencer.

in http://olhares.aeiou.pt/ser_deficiente


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Concerto de Solidariedade

A Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família- CrescerSer, está a organizar um Concerto de Solidariedade, para o próximo dia 22 de Dezembro, pelas 18h30m, no Museu do Oriente. Este concerto, visa angariar fundos para a instituição, no sentido de ajudar a colmatar as muitas necessidades sentidas.
http://www.crescerser.org/space.gif
A APDMF - CrescerSer dedica-se à problemática das crianças e jovens em perigo, vítimas de negligência, abandono, maus tratos físicos e psicológicos, acolhendo-os, na sequência de uma decisão judicial e definindo em equipa multidisciplinar os Projectos de Vida de cada criança ou jovem acolhido.

in
CrescerSer

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Crianças em risco: afectos e protecção

Protecção de crianças e jovens em risco, despiste de factores familiares prejudiciais ao desenvolvimento afectivo e físico e a problemática da vinculação afectiva foram alguns dos temas que encerraram um curso de formação parental promovido em parceria entre a CrescerSer - Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família e o Serviço de Pediatria do Hospital São João, no Porto.

http://www.educare.pt/educare/images/transparent.gif

A vinculação é a origem do afecto. Trata-se de uma ligação particular a uma figura próxima que cuida da criança. Desenvolve-se, principalmente, entre os 6 meses e os 3 anos e serve de base a todo o desenvolvimento. Logo, as crianças que são abandonadas ou perdem as figuras a quem estão vinculadas, dentro desta fase, podem ter uma paragem, ou um certo atraso, no desenvolvimento emocional e da linguagem. Mas podem surgir outros sintomas: depressão, apatia. E, mais tarde: ansiedade perante as perdas.

O medo de voltar a perder as pessoas que encontra origina que a criança não estabeleça laços profundos para não voltar a sofrer. A criança torna-se mais superficial com as pessoas que a rodeiam. E até mais materialista. Vai achar que gostar é satisfazerem-lhe as vontades. Estabelece então relações de "tudo ou nada". Do género "ou fazes tudo o que eu quero e gostas de mim, ou se me contrarias és meu inimigo". E são este tipo de relações perigosas que podem levar a comportamentos de risco.

Todas estas questões foram abordadas por Alda Mira Coelho, pedopsiquiatra, no Serviço de Pediatria do Hospital São João, durante uma sessão de informação sobre "Crianças em risco" que decorreu no passado sábado. Foi a última de um conjunto de acções de formação parental, promovidas em parceria entre a associação Crescer Ser e aquela instituição hospitalar do Porto.

Para Alda Mira Coelho, são as crianças e jovens que passaram por muitas perdas afectivas, tiveram vinculações perturbadas ou disfuncionais, e sofreram muitas rupturas acabando por não estabelecer um vínculo estável e seguro "que, mais tarde, podem com mais facilidade entregar-se a comportamentos de risco". Desenvolvem relações de "tudo ou nada", não aceitam as frustrações facilmente e revoltam-se de forma impulsiva, podendo até tornar-se anti-sociais, refere a pedopsiquiatra. "Não quer dizer que isto aconteça sempre assim, mas as perturbações de vinculação podem ser factores de risco bastante grandes que levem mais tarde a comportamentos anti-sociais."

Estas "rupturas afectivas", constata diariamente no serviço de Pediatria, "deixam marcas na história pessoal destas crianças". "Daí a nossa preocupação em tentar evitar que elas sejam feitas." Uma dessas tentativas está no evitar a institucionalização "sempre que possível". Mas se não for: "É preciso tentar uma reparação dessas perdas afectivas, o mais precocemente possível, isto é, promovendo relações afectivas substitutas para aquela criança, que lhe dêem a estabilidade necessária para crescer segura e ser capaz de desenvolver a capacidade de amar e efectuar as etapas de crescimento sem cair em comportamentos de risco."

Sem essa reparação, ou essa "segurança nas relações afectivas", "as crianças não são completamente autónomas, acabam por tornar-se dependentes de outras pessoas, com relações doentias e patológicas, ou dependentes de substâncias, como as drogas", conclui.

O que é estar em risco?
"As situações de risco mais habituais são aquelas em que a criança é vítima de maus tratos físicos, psicológicos ou de negligência grave", responde Alda Mira Coelho. Bater é a forma mais visível deste triângulo de risco. Menos visíveis são a "crítica permanente, a falta de carinho e protecção, a humilhação pública, que também constituem maus tratos e podem perturbar o desenvolvimento da criança", alerta. "A negligência grave acontece quando os pais não são capazes de dar à criança os cuidados de saúde, higiene, alimentação que precisa." Os motivos para esta incapacidade podem ser vários: perturbações psiquiátricas, depressões graves, abuso de álcool, drogas. Há ainda os casos de abandono, em que as crianças são deixadas nos hospitais ou na rua.

"O abuso sexual intrafamiliar, na maioria dos casos, também é frequente entre as situações de risco", salienta Alda Mira Coelho, explicando que "muitas vezes, a criança, quando é pequena, nem se apercebe do que lhe está a acontecer, outras vezes sente-se ameaçada pelo abusador que a impede assim de contar, ou então a própria criança tem uma ligação afectiva ao abusador e não quer contar para não criar problemas dentro da família". "Isto é um peso muito grande para as crianças e leva-as a ter sentimentos de culpa muito marcados. Tudo isto são situações em que a criança está em risco e deve ser protegida."


Sinais de alarme

"Não é obrigatório que as crianças com estes sinais estejam em risco, mas quando se verificam em conjunto, devemos, pelo menos, perceber que alguma coisa não está bem e tentar investigar o que se passa", alerta Alda Mira Coelho. Súbita perda de rendimento escolar, dificuldade de concentração, instabilidade emocional (ora chora, ora ri), tristeza, agressividade, alienação, marcas frequentes no corpo, "são sinais que têm de fazer pensar quem os vê".

A estes juntam-se outros: manifestações de insegurança e inibição; dificuldades de relacionamento; ansiedade ligada a estados de vigilância, "como se a criança tivesse medo de alguma coisa, de se expor ou de que alguém lhe faça mal"; falta de vontade ou medo em voltar para casa; apresentação de comportamentos erotizados. "Podem-nos indicar que a criança está a ser sujeita ou a presenciar situações que não são próprias para a sua idade."

Sintomas de carência excessiva também devem alertar educadores e professores. "Uma criança que está constantemente a agarrar-se a toda a gente, de modo indiferencial e a pedir mimos e abraços a todas as pessoas que lhe aparecem, deve fazer-nos pensar que algo não está bem com ela."

Como orientar? É a questão que se coloca depois de sinalizada a situação de risco. Alda Mira Coelho esclarece: "Situações onde existem fortes suspeitas de que alguma coisa não está bem devem ser comunicadas às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens." "Mas há que ter muito cuidado, antes de levantar essas suspeitas", avisa a profissional de pediatria, "todos os factos têm de ser analisados com rigor".

Alda Mira Coelho defende que "uma boa maneira de trabalhar estas situações seria através da nomeação de um gestor de caso para acompanhar cada família que esteja em risco, ou seja, sinalizada". Mas isto pode não ser tão linear. "Obviamente, não pode haver um gestor por família, por falta de recursos, mas também não pode haver um com cem famílias, porque assim o trabalho não pode ser feito da maneira adequada", critica.

Na sua opinião, "o ideal era que o gestor de caso não tivesse mais de dez situações, para poder transformar-se numa espécie de vínculo para a família e a criança". A pedopsiquiatra insistiu ainda na importância da formação destes técnicos, nas áreas da mediação familiar e da comunicação. "Sem preparação, o gestor de caso não vai conseguir ganhar a criança nem trabalhar a família para tentar uma nova vinculação. A família precisa de sentir que o gestor de caso está ali para a apoiar e não para lhe retirar a criança e a culpabilizar." Até porque, nas situações em que se verifique que a institucionalização é a única alternativa, o gestor de caso é quem deverá dar as devidas explicações à família e à criança.

Institucionalização

Trata-se de um perfil comum às crianças e jovens institucionalizados. "Passaram quase sempre por perdas, assistiram a coisas que não deviam em relação às pessoas de quem gostavam, não tiveram laços afectivos seguros ou controlados, ou tiveram, mas perderam-nos porque foram retiradas à sua família, por factores de risco, então são vulneráveis, carentes e muito revoltadas".

E se a tal ruptura for prolongada, sem que se faça a tal reparação afectiva, de que Alda Mira Coelho falava, ou "se houver sucessiva ruptura, como passar de uma família para um colégio, daí para uma instituição e depois para uma família de acolhimento, isto só vai levar a que a criança fique ainda mais insegura e incapaz de estabelecer laços". Por isso, uma das preocupações de quem trabalha no sistema de protecção deve ser evitar que todas estas rupturas aconteçam.

O impacto da institucionalização deixa sintomas nas crianças. Sobretudo naquelas que passam longos períodos nas instituições. Alda Mira Coelho traça um quadro geral das problemáticas mais comuns: "Ansiedade difusa, ou seja, medo sem saber de quê, nem porquê, podendo reflectir-se em alterações de sono, pesadelos, perdas de controlo da urina ou das fezes durante a noite; estagnação no desenvolvimento da linguagem e dos pensamentos abstractos, o que se vai reflectir no aproveitamento escolar; falta de autocontrolar, são muito instáveis e desorganizadas, com um comportamento caótico." E "como têm muitas vezes um desenvolvimento emocional pobre, e dificuldade em reflectir e expressar as suas emoções, estas crianças falam mais através do corpo. As queixas somáticas são frequentes, como as dores de barriga, de cabeça...", conclui.

Já nos adolescentes, "são frequentes as alterações de comportamento, a agressividade e o furto, ligado à carência afectiva precoce". Alda Mira Coelho explica este comportamento: "É como se o jovem tivesse um vazio lá dentro que não consegue preencher e por isso tem de ir buscar coisas que lhe dão prazer." A busca pela satisfação pode ainda gerar um apetite excessivo por guloseimas, ou a sensação de estar sempre com fome. "As crianças que tiveram perdas afectivas precocemente estão constantemente a pedir guloseimas ou prendas, ou sempre a pedir coisas, porque estão permanentemente insatisfeitas."

Mais tarde, salienta Alda Mira Coelho, "se não houver reparação afectiva nem modelos adequados que ajudem estas crianças a recuperar, este tipo de comportamentos pode levá-las a estabelecer relações superficiais, muitas vezes com uma ausência de culpabilidade, em que se preocupam apenas em obter o prazer imediato e que pode levá-las a situações de risco, nomeadamente delinquentes".

Alguns procedimentos por parte dos envolvidos na protecção podem minimizar os danos emocionais nas crianças e jovens. Segundo Alda Mira Coelho, isto passa por "evitar retirar a criança à família de forma violenta ou traumática, sendo já este um último recurso; não dizer mal dos progenitores, protegendo a imagem que elas têm; nunca dizer à criança que os pais a abandonaram, até porque muitas vezes não foi mesmo um abandono, mas circunstâncias da vida ou factores de risco que originaram a que tivessem de ser protegidas; desde que haja garantias de segurança para a criança, manter os contactos com os pais ou familiares; nunca culpabilizar a criança pela sua situação; e, para que a criança institucionalizada consiga estabelecer alguns vínculos, deve-se evitar a mudança de espaços".

Ao longo de 7 meses, o projecto de formação de famílias "Ajudar a Educar" levou a várias juntas de freguesia da cidade do Porto especialistas em pedopsiquiatria, psicologia, pediatria, obstetrícia e serviço social para fornecer às famílias informações nestas áreas. Alda Mira Coelho, pedopsiquiatra do serviço de Pediatria do Hospital São João, no Porto, e mentora do projecto salienta a importância de formar os pais para lidar com situações que perturbam a sua função de progenitores.

Em retrospectiva, as sessões abordaram o desenvolvimento psicoafectivo e físico da criança; cuidados durante a gestação e planeamento familiar; insucesso escolar, violência e comportamentos de risco na adolescência; comunicação intrafamiliar, equipamentos sociais para problemáticas de risco, e, por último, as problemáticas que podem surgir em crianças institucionalizadas.

"Ao longo de todas as sessões foi dado algum material aos pais, os textos em Word das apresentações realizadas pelos especialistas, com o objectivo de fornecer uma espécie de curso", refere Alda Mira Coelho. Os pais que seguiram todas as sessões tiveram um diploma "para poderem dizer que frequentaram um curso de Educação Parental", acrescenta. "Muitos destes pais são carenciados e esta foi uma forma de os motivar e melhorar a sua auto-estima e a relação com as suas crianças."

No entanto, o nível de participação das famílias nas sessões ficou aquém das expectativas dos organizadores. Ana Moutinho, directora da Casa de Cedofeita, um centro de acolhimento da associação CrescerSer, acredita que a mensagem talvez não tivesse chegado aos destinatários. Ainda assim, a directora salienta a importância de acções deste género. "Não vamos deixar de investir na capacitação das famílias, mas vamos pensar fazê-lo num outro formato."

Autora: Andreia Lobo

in Educare

domingo, 21 de novembro de 2010

Somos o que aprendemos

Frequentemente esquecemo-nos de que nós somos os heróis dos nossos filhos e que eles olham para nós como modelo a seguir; adoptam os nossos comportamentos, os nossos conceitos, os nossos valores.

Quanto mais nos esforçarmos para sermos melhores pessoas, mais eles nos imitarão. E porque uma imagem vale mais do que 1000 palavras, fica aqui a chamada de atenção:

in manual da criança

domingo, 14 de novembro de 2010

O meu filho é diferente...será autista?

As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.


Desde os primeiros tempos de vida, a maioria das crianças são sociáveis e procuram activamente o contacto com os outros: jogam ao "faz-de-conta", brincam com os seus pares, gostam de dar e receber mimos.

No entanto, em certos casos, os pais notam que o seu filho não interage com os outros desta forma. É o que acontece com a criança autista, na qual existe problemas em três domínios: socialização, comunicação e comportamento.

Leo Kanner descreveu esta patologia em 1943 e cerca de um ano mais tarde, um grupo de crianças com características semelhantes foi descrito por Asperger.

Em que idade aparece?
As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.

Tipicamente não existe um período de desenvolvimento normal, embora em cerca de 20% dos casos os pais tenham descrito um desenvolvimento relativamente normal durante um ou dois anos.

É uma doença frequente?
Não. Segundo os estudos mais recentes, para uma população de 10 000 indivíduos há 10 pessoas com autismo. Transpondo para o nosso país, haverá cerca de 10 000 pessoas com esta doença.

O autismo pode ocorrer em qualquer família, independentemente do seu grupo racial, étnico, socio-económico ou cultural.

Sabe-se que é mais frequente no sexo masculino, numa proporção de 4 a 5 rapazes para 1 rapariga.

Quais as causas desta doença?
Foram propostas diversas teorias para tentar explicar o autismo.

Trata-se de uma perturbação biológica, com forte componente genético; contudo, a sua etiologia é desconhecida, parecendo ser multifactorial.

Nas décadas de 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo residia nos problemas de interacção da criança com os pais/família. Hoje sabe-se que esta ligação não tem qualquer fundamento.

A partir dos anos 60, com investigações baseadas em estudos de casos de gémeos e doenças genéticas associadas ao autismo (X frágil, esclerose tuberosa, fenilcetonúria, entre outras), descobriu-se a existência de um factor genético multifactorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem. Factores pré-natais (como a rubéola materna) e durante o parto (prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções graves neonatais) também parecem ter influência no aparecimento das perturbações do espectro do autismo.

Quais as manifestações a que os pais devem estar atentos?
O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade.

Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente ou ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono.

Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.

Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro).

Ao brincar não utiliza o jogo social nem o jogo de faz-de-conta.

Tem grande dificuldade de interagir com as outras crianças.

Não utiliza os brinquedos na sua função própria: um carro pode servir como objecto de arremesso e uma boneca para desmanchar.

Que outras características têm estas crianças?
Partindo do que se denomina a tríade de perturbações do autismo, com manifestações nos já citados três domínios, podemos agrupar as características:

Domínio social

Parecem viver no seu próprio mundo, desligadas, alheadas, desinteressadas e insensíveis aos outros.

Grande dificuldade em interagir com outras crianças: partilhar, cooperar ou jogar à vez são para eles tarefas muito difíceis.

Seres humanos, animais e objectos poderão ser tratados da mesma forma.

Relativa incapacidade de partilha de alegrias ou procura de ajuda/conforto em situações de stress.

Domínio da comunicação

Evitam o contacto ocular e podem resistir ou mostrar desagrado ao serem pegados ou tocados.

Têm perturbações da linguagem (tanto da compreensão como da expressão), por vezes mesmo uma ausência de linguagem que faz pensar em surdez. Se existe linguagem, o vocabulário é pobre. É frequente não usarem o eu e repetirem de modo estranho, como que em eco, o que acabaram de ouvir (ecolalia).

Problemas na comunicação não-verbal: mantêm-se muito próximas ou muito afastadas dos interlocutores e olham para os lábios em vez de para os olhos durante a comunicação. Fazem um uso muito pobre da mímica facial ou dos gestos.

Domínio do comportamento

Tendem a entregar-se a jogos e rotinas repetitivas, de forma isolada, como por exemplo fazer girar objectos. Têm com frequência, em particular em situações de angústia e excitação, movimentos repetitivos das mãos, dedos, etc. (por exemplo abanar as mãos como a imitar um passarinho).

Grande rigidez do pensamento e comportamento, por vezes com crises de auto e heteroagressividade face às mudanças das rotinas ou do meio que as rodeia ou quando são contrariadas.

Ligações bizarras a certos objectos ou partes destes.

Por vezes são extremamente sensíveis a cheiros, sabores e sensações tácteis.

A hiperactividade é um problema comum.

Em certos casos existem talentos especiais, por exemplo para o cálculo, a música ou o desenho.

Todas as crianças com autismo têm atraso mental?
O défice cognitivo (atraso mental) ocorre em 65-88% dos casos. Algumas destas crianças têm inteligência normal ou até superior, como pode acontecer na síndrome de Asperger.

Há tratamento para esta doença?
É muito importante que a criança seja orientada o mais precocemente possível para uma consulta de Pediatria de Desenvolvimento, onde, no caso de se concluir por este diagnóstico, se irá traçar um programa de intervenção específico. Este envolve vários tipos de terapia (psicológica, de linguagem, ocupacional) e estratégias educativas. O tratamento pode também envolver psicofármacos em situações de agressividade, autodestruição ou convulsões. É fundamental a participação activa da família.

Qual a evolução destas situações?
O prognóstico do autismo tem vindo a melhorar. De acordo com estudos recentes, 5% a 10% destas crianças tornam-se adultos autónomos.

É importante relembrar que nesta doença há uma ampla variedade, quer na qualidade quer na gravidade das manifestações da doença e que cada caso é único e tem que ser abordado de modo individualizado.

Gabriela Marques Pereira

(Serviço de Pediatria do Hospital de Braga)

in educare

sábado, 13 de novembro de 2010

Autismo - Raun Kaufman

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Abuso Sexual

O que teria feito Violeta se os seus amigos não tivessem testemunhado a violência de que estava a ser alvo? Muito provavelmente calar-se-ia ou a mãe obrigá-la-ia a que se calasse porque era o violador quem garantia a subsistência da família.

"Sem Gonçalves e o rendimento da sua loja, a família de Violeta ficou na miséria em poucas semanas e todas as crianças foram obrigadas a ir trabalhar. Violeta tornou-se cortadora de pavios numa oficina logo a seguir à Rua dos Ingleses. Trabalhava do nascer ao pôr-do-sol no interior daquela fábrica cavernosa e todo o seu salário era entregue directamente à mãe, de modo que não tinha nem um real seu.
Os sábados e os domingos deveriam ser os seus dias de liberdade e luz, mas, como castigo pelas suas "mentiras", que tinham feito a família perder o seu protector, a mãe mantinha-a fechada em casa. Por vezes, chegava a acorrentar-lhe o tornozelo à cama (...)."

Meia-Noite ou o Princípio do Mundo. Richard Zimler. D. Quixote.


Violeta, a personagem feminina a que se refere este extracto do livro de Richard Zimler, fora violada pelo tio, o Gonçalves. Quando tal foi descoberto por elementos exteriores à família, a situação de abuso foi cessada através do afastamento do agressor para bem longe. O problema é que, com a ausência do violador, a família caiu na miséria, tendo a vítima de abuso sexual, a Violeta, sido culpabilizada pela desgraça que sobre todos se abateu.


Quando há já algum tempo li esta história, fiquei a pensar nela durante muito tempo, mesmo tratando-se de ficção. Agora que uma situação provavelmente real me veio parar às mãos, a Violeta e a sua dupla pena voltou a assaltar-me os pensamentos.

No que se refere ao abuso sexual, tudo seria bem mais fácil se o abusador fosse alguém que não tivesse relação directa com a família. O problema é que, segundo os estudos, 40% das vítimas são abusadas por pessoas conhecidas ou próximas, 30% a 50% são-no por elementos da própria família e somente 10% a 30% são abusadas por desconhecidos. A habitual proximidade do agressor gera silêncio, que habitualmente se perpetua anos e anos a fio. O que teria feito Violeta se os seus amigos não tivessem testemunhado a violência de que estava a ser alvo? Muito provavelmente calar-se-ia ou a mãe obrigá-la-ia a que se calasse porque era o violador quem garantia a subsistência da família.


O drama associado a este tipo de violência, nomeadamente o incesto, é ainda mais grave, porque geralmente ocorre em famílias que apresentam comunicação pobre, afectividade negativa, isolamento e intimidação. Um aspecto que também é frequente nestes contextos familiares é o facto de a figura materna apresentar alguma(s) característica(s) que lhe dificulta(m) a protecção dos filhos (por exemplo, ser muito jovem, ter problemas de saúde física ou mental, ter problemas emocionais, usar drogas). Assim, a criança não vê na mãe um elemento que a possa proteger, até porque considera que se revelar algo sobre o abuso ela não vai acreditar. Nestas situações a vítima sente uma vergonha terrível, uma culpa imensa e uma solidão do tamanho do mundo. O problema é de tal forma grave que, tal como no caso da Violeta, pôr fim ao abuso sexual, se bem que inquestionavelmente necessário, não põe fim a feridas que se foram abrindo e não encontram forma de cicatrizar...


Quando um técnico é confrontado com esta realidade, sente que cada passo terá de ser dado com um cuidado extremo, pois mexer na pedra errada poderá significar o derrube de toda uma estrutura profundamente frágil...

Quando, perante a menina real a que me referi, lavada em lágrimas, a questionei sobre se não haveria algum adulto de referência a quem pudesse revelar o seu segredo, a sua resposta foi um aceno negativo com a cabeça. Percebi ainda melhor a dimensão da sua profunda dor e solidão.

Autora: Psicóloga Adriana Campos

in Educare

sábado, 6 de novembro de 2010

Susana Félix - O mesmo olhar


Susana Félix-canção da Associação Raríssimas
www.rarissimas.pt

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Recuperação parcial da visão através de chips oculares

Investigadores alemães, da Universidade de Tuebingen, em colaboração com a empresa Retina Implant devolveram a visão parcial a cegos através da instalação de chips oculares.

Segundo o artigo do jornal Proceedings of the Royal Society B, a investigação pressupõe a instalação de chips, ou implantes, na área da sub-retina. Os chips têm a função de converter a luz em impulsos eléctricos que são encaminhados para o nervo óptico, permitindo a devida interpretação pelo cérebro.

Os implantes foram testados 11 cegos, dois dos quais sofriam de rinitose pigmentar; os restantes padeciam de Coroideremia (ambas doenças têm origens hereditárias e levam à cegueira.

De acordo com a BBC, os resultados da investigação indicaram que a maioria dos pacientes implantados readquiriram a capacidade de identificar letras e objectos, ou ver as horas num relógio.

Apesar da tecnologia apenas permitir recuperar parte da visão, os estímulos visuais readquiridos podem ser bastante importantes para promover a orientação e o ganho de autonomia.