domingo, 14 de fevereiro de 2016

Eu adoro todas as coisas

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.

Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

autor: Álvaro de Campos/heterónimo de Fernando Pessoa

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Soluções rápidas

Seria estranho que, num mundo em que tudo tem de ser para ontem, não se vivesse à procura de soluções rápidas. Espreitemos o que se passa nas escolas…. As crianças não aprendem ao ritmo esperado, não param quietas, não se concentram, não respeitam os adultos: qual a solução atual? Ir ao médico. O número de crianças com as “doenças” acima referidas parece ter aumentado exponencialmente e a ida ao médico parece ser cada vez mais a solução encontrada.

"Se tempo é dinheiro,
Eu vou gastá-lo contigo,
Até porque tempo é tudo o que tenho p´ra te dar
E eu acho que o mundo inteiro, concorda comigo (…)”


A letra desta música dos Agir constituiu um corte com a realidade atual, sobretudo em famílias em cujo ciclo de vida estão integradas crianças em idade escolar. O que menos temos é tempo para dar. A correria começa com o toque do despertador, pois é preciso ir trabalhar e na escola as crianças deixar. A chegada a casa após um dia de trabalho também não implica paragem, salvo em véspera de fim de semana, porque a ditadura do relógio não termina e a hora de dormir chega de uma forma assustadoramente rápida.

Seria estranho que, num mundo em que tudo tem de ser para ontem, não se vivesse à procura de soluções rápidas. Espreitemos o que se passa nas escolas…. As crianças não aprendem ao ritmo esperado, não param quietas, não se concentram, não respeitam os adultos: qual a solução atual? Ir ao médico. O número de crianças com as “doenças” acima referidas parece ter aumentado exponencialmente e a ida ao médico parece ser cada vez mais a solução encontrada. Uma vez que ninguém consegue resolver rapidamente os problemas referidos, o melhor é ir rapidamente ao local onde os químicos, habitualmente o Rubifen, a Ritalina ou o Concerta, poderão ajudar, ajudar e rápido.

Para muitos adultos, o problema das crianças só pode estar no cérebro ou em alguma disfunção bioquímica. Colocar hipóteses alternativas - como metas desajustadas, falta de estudo, escassez de regras, privação de sono e carência de tempo para amadurecer -, frequentemente não ocorre. Vivemos num tempo em que não há tempo para procurar os motivos, pois o mais importante é encontrar rapidamente soluções e, claro, soluções que não obriguem a repensar as rotinas já instaladas. A solução “médico” foi precedida da solução “psicólogo”, mas esta última parece ter caído um pouco em descrédito, porque não é compatível com a pressa atual e, por vezes, coloca desafios de mudança, sobretudo ao nível do micro (por exemplo, família, escola, relação entre colegas e amigos) e do mesossistema (por exemplo, relação família – escola, família – grupo de amigos), o que torna a mudança mais complexa e não tão imediata. De qualquer forma, continuam a chegar à escola relatórios de psicólogos, que relatam os resultados a que chegaram mediante a aplicação de um ou vários testes estandardizados. Percebe-se, pelo conteúdo dos mesmos, que houve pouco tempo para conhecer a criança e que a aplicação de testes vem de encontro ao pedido dos pais, que sentem desesperadamente necessidade de levar algo para a escola que mostre que são preocupados e que o problema da sua criança está em algum défice que ela apresenta e relativamente ao qual não têm responsabilidade direta.

Curiosamente, quer os relatórios médicos quer os psicológicos apresentam habitualmente como solução para os problemas, medidas de âmbito pedagógico e sugerem frequentemente a integração no “milagroso” Decreto n.º 3/2008, de 7 de janeiro. Ou seja, os profissionais de saúde remetem para a escola o que claramente é de âmbito escolar e não médico, embora muitas vezes sugiram um “remédio” também “milagroso”, a rotulagem da criança como tendo “necessidades educativas especiais”. Note-se que, muitas vezes, são os professores que aconselham os pais a recorrerem aos médicos, porque também eles são alvos de muita pressão para que as crianças aprendam e aprendam rápido. O relatório, ao atestar um qualquer défice, vem assim demonstrar que o problema não está nos adultos, mas sim na criança e no tal défice que apresenta, tendo, por isso, de ser alvo da prescrição médica, normalmente de psicoestimulantes, a que já fiz referência atrás.

Apesar de algumas crianças serem, sem dúvida, por vezes, verdadeiramente insuportáveis, elas são o elo mais fraco e os adultos procuram diminuir as suas angústias deixando-se manipular por soluções imediatas e por uma indústria farmacológica poderosa. Sabia os psicoestimulantes já esgotaram nas farmácias portuguesas?



Psicóloga Adriana Campos

Bom fim de semana

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Estratégias de Cálculo na Divisão


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Alfredinho


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Bom Carnaval

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Zeca Afonso - Canção de Embalar

sábado, 6 de fevereiro de 2016

The Sound of Silence

É Carnaval, e estão as ruas cheias

É Carnaval, e estão as ruas cheias
De gente que conserva a sensação,
Tenho intenções, pensamento, ideias,
Mas não posso ter máscara nem pão.
Esta gente é igual, eu sou diverso —
Mesmo entre os poetas não me aceitariam.
Às vezes nem sequer ponho isto em verso —
E o que digo, eles nunca assim diriam.
Que pouca gente a muita gente aqui!
Estou cansado, com cérebro e cansaço.
Vejo isto, e fico, extremamente aqui
Sozinho com o tempo e com o espaço.
Detrás de máscaras nosso ser espreita,
Detrás de bocas um mistério acode
Que meus versos anódinos enjeita.
Sou maior ou menor? Com mãos e pés
E boca falo e mexo-me no mundo.
Hoje, que todos são máscaras, és
Um ser máscara-gestos, em tão fundo...

"Álvaro de Campos" - Livro de Versos . Fernando Pessoa. Lisboa: Estampa, 1993. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tocar um Instrumento Musical Beneficia o Cérebro

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Georges Moustaki - Le Métèque

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Donald no País da Matemágica

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Subtração com Empréstimo

domingo, 31 de janeiro de 2016

Lengalenga_sola, sapato...


Adivinha


" Hino dos Mineiros-Aljustrel "

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A Dezena




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Semana da Preguiçosa


sábado, 23 de janeiro de 2016

Bom fim de semana!!!

23% dos profissionais da educação já viveram situações de stress agudo


Federação Nacional da Educação quer que a lista nacional de doenças profissionais seja atualizada e que as escolas tenham delegados de saúde. Depois de uma campanha e de um diagnóstico, defende que o stress e os problemas de voz devem fazer parte dessa lista.

O stress deve ou não integrar a lista de doenças profissionais dos professores? A Federação Nacional da Educação (FNE) diz que sim e defende essa inclusão com todas as letras num caderno reivindicativo que enviou ao Ministério da Educação (ME), no mês passado. Problemas na voz e lesões musculoesqueléticas também preocupam a classe docente no exercício das suas funções. Estudos recentes indicam que 30% dos docentes portugueses têm níveis elevados de burnout, 20% apresentam níveis médios, e que o impacto económico dos problemas da voz é muito significativo.

Durante sete meses, a FNE desenvolveu a Campanha Nacional da Saúde para chamar a atenção para questões críticas relativas ao dia a dia dos profissionais da educação. “Partimos para esta ação na convicção de que se torna necessário que todos os atores disponham do máximo de conhecimentos indispensáveis para agirem sobre as condições de trabalho e melhorarem a proteção da saúde nos seus locais de trabalho”, explicou, na altura, a FNE. As sessões passaram por Lisboa, Mafra, Viseu, Coimbra, Aveiro, Porto, Faro, Évora, Santarém, Funchal, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta.

Nesses encontros, foram feitos questionários. Os dados estão compilados e as situações de stress agudo nas escolas saltam à vista em 223 questionários validados. Nesta área, 23,3% dos profissionais que trabalham nas escolas revelam que já experienciaram situações agudas de stress profissional, 17,4% afirmam desconhecer os fatores de risco a nível profissional que podem gerar stress e 38,5% dizem desconhecer a síndrome de burnout - 43,9% admitem mesmo ignorar os sintomas de burnout.

Uma percentagem significativa de 85% admite que até à campanha promovida pela FNE não tinham tido qualquer formação sobre a questão do stress em educação. Os fatores de risco, a nível profissional, que podem gerar stress estão identificados. Turmas com muitos alunos, elevada carga horária, alterações permanentes na organização do sistema educativo, incerteza profissional, indisciplina, burocracia, competição, mau relacionamento profissional, excessiva extensão dos programas, são alguns desses fatores.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP) e diretor do Agrupamento de Escolas Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, garante que o stress se sente nas escolas. “A profissão docente é uma profissão muito específica e o stress sente-se perfeitamente, não tanto por parte dos mais velhos, mas daqueles que dão aulas há alguns anos”, refere ao EDUCARE.PT. “Stress na docência sente-se cada vez mais, as turmas são maiores, os alunos e os pais são mais exigentes, a burocracia é cada vez maior, e o horário escolar vai muito para além das 40 horas”, sublinha.

Delegados de saúde nas escolas
No questionário da FNE relativamente aos problemas de voz, a maioria dos inquiridos respondem que, por vezes, sentem que a voz piora à noite e um número significativo conta que têm passado por situações em que tem dificuldade de se fazer ouvir em ambientes ruidosos. Em relação às lesões musculoesqueléticas, 50% dos inquiridos revelam que já faltaram ao trabalho por esse tipo de problemas e 95% afirmam que os problemas de saúde estão frequentemente relacionados com as condições de trabalho.

Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), concorda com a FNE e defende que os problemas de voz que afetam os professores devem voltar a ser considerados doença profissional. “A voz é um instrumento de trabalho dos professores”, diz ao EDUCARE.PT. Há fatores que contribuem para o desgaste nesta profissão. “A instabilidade profissional, o ambiente, a idade da reforma que foi aumentada”, enumera. E as constantes mudanças desestabilizam projetos de vida dos professores. Por outro lado, Paula Carqueja alerta para a situação dos educadores de infância que têm de se adaptar ao mobiliário que, muitas vezes, é feito à medida dos mais novos. Mesas, cadeiras, e móveis mais pequenos obrigam as costas a dobrarem-se mais do que deviam, obrigam a ter o corpo à altura das crianças. Posições que podem originar complicações de saúde a quem tem de se mover alguns centímetros mais abaixo.

Informação disponibilizada, sensibilização feita, trabalho de diagnóstico terminado, a FNE defende que elevados níveis de stress docente exigem alterações na lista de doenças e apresenta várias sugestões à tutela. Além dessa atualização, sugere uma entrevista médica anual gratuita a todos os trabalhadores da educação para deteção de problemas de saúde, particularmente os que decorrem do exercício da atividade profissional. A FNE defende que todas as escolas devem eleger delegados de saúde e segurança no trabalho com efetiva capacidade de intervenção para, desta forma, denunciarem e corrigirem condições de trabalho que ponham em risco os profissionais.

A FNE pretende que haja um novo paradigma de prevenção centrado nas doenças profissionais e não só nas lesões no trabalho. A inclusão dos temas saúde e segurança no trabalho na formação inicial dos professores e uma formação contínua nessas áreas para todos os profissionais da educação são outras sugestões que apresenta. Envolver pais e alunos na promoção de uma cultura de saúde e segurança na comunidade escolar é outro aspeto que valoriza.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) vai abordar o stress na profissão docente a 2 de fevereiro no anfiteatro do edifício novo da Assembleia da República, das 14h30 às 18h. Ivone Patrão e Marcelino Mota, psicólogos clínicos, falarão sobre causas e consequências desse stress e medidas a tomar. Os grupos parlamentares estão convidados a assistir e a participar. A FENPROF quer que o stress e o burnout de quem trabalha nas escolas sejam esmiuçados por quem estuda e percebe a matéria. Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, lembra que cerca de 30 mil pessoas assinaram uma petição que defende um regime excecional de aposentação para a classe docente. “Hoje os professores não têm qualquer tipo de proteção por causa das doenças profissionais”, refere ao EDUCARE.PT. “Não há uma lista de doenças profissionais”, acrescenta.

Sara R. Oliveira
in educare